Esmael diz a Leandro Fortes que Moro corre sozinho no Paraná; vídeo

O jornalista Esmael Morais afirmou, em entrevista ao jornalista Leandro Fortes, do Canal Galo Preto, que Sergio Moro (PL) lidera a disputa pelo Palácio Iguaçu porque ainda corre quase sozinho, sem um nome unificado do governismo e com o campo progressista em fase de consolidação. No bate-papo, ele também rebateu a leitura de que o Paraná seja um bloco homogêneo da extrema direita e fez uma crítica direta ao esvaziamento da mídia progressista independente.

Na abertura da conversa, Leandro Fortes apresentou o Blog do Esmael como referência da cobertura política paranaense e puxou o debate sobre a força de Moro no estado. Em resposta, Esmael sustentou que a dianteira do ex-juiz decorre, sobretudo, da ausência de um adversário consolidado no campo do governador Ratinho Júnior (PSD) e do fato de a oposição ainda estar montando sua engenharia eleitoral.

Esmael também fez uma correção de rota no diagnóstico sobre o Paraná. Disse que o estado não pode ser lido apenas pela chave do conservadorismo, porque sua história política também abriga resistência popular, a formação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e momentos icônicos da luta democrática. Na entrevista, a tese central foi clara: a direita é forte e organizada, mas não detém monopólio histórico da política paranaense.

Ao tratar de Moro, Esmael afirmou que a liderança do senador está assentada num cenário provisório. Segundo ele, o ex-juiz ainda se beneficia de ter ocupado sozinho o espaço da direita enquanto Ratinho Júnior não apresentou um nome capaz de unificar a própria base e enquanto o campo progressista ainda fecha alianças em torno de Requião Filho (PDT).

No mesmo raciocínio, ele disse a Leandro Fortes que a migração de Moro para o PL abriu contradições que tendem a pesar na campanha. Esmael lembrou, na entrevista, que o ex-juiz rompeu com Jair Bolsonaro, atacou Flávio Bolsonaro e agora volta a procurar abrigo no mesmo campo político que antes combatia. A aposta dele é que esse flanco será explorado pelos adversários quando a campanha ganhar rua, televisão e palanque.

Esmael avaliou que Requião Filho pode crescer se colar sua identidade eleitoral ao lulismo e ao requianismo, sem diluir o discurso no meio do caminho. Na leitura exposta ao Canal Galo Preto, a polarização nacional tende a se reproduzir no Paraná, e uma divisão do bolsonarismo pode abrir espaço para a chegada do campo progressista ao segundo turno.

A entrevista também avançou sobre a disputa ao Senado. Esmael disse que a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) aparece competitiva e que, no recorte do momento, haveria espaço para uma vaga da direita e outra da esquerda. Ao mesmo tempo, ressaltou que o quadro ainda está aberto, porque as convenções e os registros de candidatura ainda não haviam consolidado o desenho final da eleição.

Outro trecho que chamou atenção foi o comentário sobre o impasse do grupo de Ratinho Júnior. Esmael afirmou que o governador perdeu tempo político ao desistir da corrida presidencial sem deixar encaminhada a própria sucessão no Paraná. Na conversa, ele listou a fragmentação do governismo e disse que esse vácuo ajudou Moro a crescer no estado.

Leandro Fortes ainda provocou o entrevistado sobre Tony Garcia (DC) e as denúncias que rondam a pré-campanha contra Moro. Esmael relatou o que ouviu do próprio Tony e de outros personagens sobre material que, segundo eles, poderia emergir no processo eleitoral. Como se trata de declarações ainda sem prova pública apresentada, o peso político do tema, por ora, está mais na ameaça de desgaste do que em fato já demonstrado.

Na parte final, o bate-papo saiu do Paraná e entrou numa autocrítica mais ampla da comunicação progressista. Esmael disse que a blogosfera perdeu parte da força, da coordenação e da ousadia que teve na origem. Para ele, faltou ao campo governista apostar com seriedade na mídia independente, o que manteve o sistema de comunicação preso aos velhos grupos empresariais e reduziu a capacidade de contraponto editorial.

Ao resumir a própria rotina, Esmael afirmou que o Blog do Esmael opera com equipe, terceirização tecnológica e apuração direta em Curitiba e Brasília. Disse ainda que busca um jornalismo de bastidor, informação quente e leitura crítica, sem abrir mão do humor e da picardia para quebrar a dureza da cobertura política.

A entrevista ao Canal Galo Preto deixou dois recados políticos. O primeiro é que Moro lidera, mas ainda não enfrentou uma disputa plenamente organizada. O segundo é que o Paraná de 2026, na visão de Esmael, está longe de ser uma eleição decidida. O campo conservador segue forte, mas a briga está aberta, e a batalha pela narrativa começou antes mesmo da campanha formal.

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