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Chifre, choro e ranger de dentes na ALEP

O deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PSD) abriu a segunda-feira (6) em crise política depois que o ex-prefeito de Cornélio Procópio Amin Hannouche trocou a rota desenhada para 2026 e apareceu filiado ao PL. Nos bastidores da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), o movimento é lido como fogo amigo dentro do próprio campo governista, num momento em que a janela partidária já reconfigurou as forças da Casa.

A reação de Romanelli veio em nota pública. Ele afirmou que a filiação de Amin ao PL, em 4 de abril, “configura uma reviravolta” e disse, sem rodeios, que não aceita o novo posicionamento do aliado de ontem.

O caso ganhou peso extra porque Amin estava em outro roteiro até poucas semanas antes. Em 17 de março, ele havia sido apresentado no PSDB, sob comando de Beto Richa no Paraná, como pré-candidato a deputado federal. Menos de três semanas depois, migrou para o PL, legenda à qual o senador Sergio Moro se filiou no mês passado para disputar o governo do Paraná.

É aí que a dor de cabeça de Romanelli cresce e seus cabelo arrepiam. No entorno político do Norte Pioneiro, a leitura já não é de mera troca de sigla, mas de mudança de projeto. A antiga dobrada para a Câmara dos Deputados perde sentido, e a movimentação de Amin passa a ser interpretada, nos bastidores, como avanço sobre o espaço eleitoral de Romanelli na ALEP.

Onde estaria a digital do Palácio Iguaçu? Deputados ouvidos pelo Blog do Esmael dizem que a operação não parece casual. A versão que corre no Centro Cívico é que o entorno do governador Ratinho Junior (PSD) prefere conter Romanelli dentro do próprio grupo a vê-lo reeleito. Na formulação ácida de parlamentares, há gente no governismo que tolera melhor o barulho do deputado Ricardo Arruda (PL) do que um Romanelli politicamente autônomo no Norte Pioneiro.

Não há, até aqui, prova documental pública de que o Palácio tenha patrocinado a filiação de Amin ao PL. O que existe são coincidências políticas demais para os aliados de Romanelli chamarem de acaso, somadas ao histórico recente de isolamento interno do deputado.

Esse histórico tem um marco claro. Em dezembro de 2024, Romanelli pretendia disputar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas o PSD, partido presidido no Paraná por Ratinho Junior, fechou com Ademar Traiano (PSD). Traiano venceu a disputa, e Romanelli ficou sem o apoio do próprio partido na comissão mais poderosa da Casa. Para aliados do líder pessedista, o episódio foi o aviso prévio do que agora reaparece em versão regional e eleitoral.

A nova bronca não cai do céu. A janela partidária terminou na sexta-feira (3) deixando a ALEP mais concentrada e mais tensa. O PSD seguiu como maior bancada, com 19 deputados estaduais, mas o PL foi o grande destaque do período ao saltar de cinco para 12 cadeiras. O Republicanos também cresceu, chegou a cinco parlamentares, e o União Brasil perdeu toda a representação na Casa, segundo levantamentos publicados nesta segunda-feira (6).

O site da ALEP ainda não traz a atualização com as migrações, pois as bancadas e os deputados precisam comunicar essas mudanças oficialmente à Casa.

Nesse ambiente, a filiação de Amin rende lucro político imediato ao grupo de Moro. O PL amplia musculatura na ALEP, avança sobre redutos antes alinhados ao campo de Ratinho e ainda produz ruído dentro da maior bancada da Assembleia. Para Moro, o lance vale duplamente: fortalece o partido e aprofunda a fissura na sucessão governista.

Romanelli, por sua vez, não chorou em silêncio. A nota divulgada por ele foi um recado aberto ao ex-aliado e também ao próprio bloco governista. Quando fala em coerência rompida e em unidade sob a liderança de Ratinho Junior, o deputado não está apenas reclamando da deserção de Cornélio Procópio. Está avisando que identificou fogo amigo.

No fim da conta, a filiação de Amin Hannouche virou mais do que uma troca individual de legenda. Ela condensou a nova paisagem da ALEP após a janela: menos comando vertical do Palácio, mais disputa por território e um governismo que já começa a se morder por dentro.

O município de Cornélio Procópio, a 398 km de Curitiba, no Norte Pioneiro, tem cerca de 38 mil eleitores.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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