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É o petróleo, estúpido!

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Posse de Maduro: petróleo, poder e o cerco da velha mídia

A posse de Nicolás Maduro para seu terceiro mandato como presidente da Venezuela reacende um debate inflamado nos bastidores do poder global. Sob críticas de fraude eleitoral e repressão, o evento, realizado em Caracas, é cercado por uma densa nuvem de interesses econômicos, políticos e midiáticos que transcendem as fronteiras do país caribenho.

A Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, tornou-se o epicentro de uma guerra ideológica e econômica que ultrapassa as fronteiras do continente. Liderados pelos Estados Unidos, governos ocidentais insistem em apontar Maduro como o líder de uma “ditadura”. Porém, pouco se discute sobre o verdadeiro motivo do embate: o controle do petróleo venezuelano.

Desde a Revolução Bolivariana iniciada por Hugo Chávez em 1999, o país colocou a PDVSA — estatal petrolífera — como o pilar de seu projeto de soberania. Essa postura desafiou as elites globais, que outrora monopolizavam as riquezas do país. Maduro, ainda que alvo de críticas internas e externas, mantém esse legado, afirmando que seu governo representa a “resistência contra o colonialismo”.

A narrativa da velha mídia –especialmente a brasileira e argentina– continua a moldar a percepção global sobre a Venezuela. Enquanto jornais como O Globo destacam protestos e alegações de fraude, pouco espaço é dedicado a refletir sobre o impacto das sanções internacionais que sufocam a economia venezuelana. O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos afeta diretamente a vida de milhões de venezuelanos, agravando a já complexa crise humanitária.

Além disso, a repressão ao governo de Maduro é explorada em contraste com o silêncio ensurdecedor sobre outras crises globais, como o massacre em Gaza ou a instabilidade na Ucrânia. A seletividade na cobertura expõe os interesses econômicos e geopolíticos por trás de supostos compromissos com a democracia e os direitos humanos.

A oposição venezuelana, liderada por María Corina Machado e Edmundo González Urrutia, busca legitimidade dentro e fora do país. Urrutia, exilado na Espanha, é reconhecido por parte da comunidade internacional como vencedor das eleições de julho de 2024. No entanto, a falta de consenso sobre o pleito amplifica o caos político.

A reação internacional também evidencia o isolamento de Maduro. Países como Estados Unidos e Reino Unido intensificaram sanções contra o governo chavista, enquanto a Colômbia e o México tentam mediar uma saída diplomática. O Brasil, por sua vez, adota uma postura ambígua: envia representantes à posse, mas evita reconhecer oficialmente o novo mandato.

A Venezuela segue como um símbolo de resistência e contradições. Por um lado, o governo chavista promoveu avanços sociais notáveis, como o programa “Barrio Adentro”, que inspirou o “Mais Médicos” no Brasil. Por outro, enfrenta acusações graves da burguesia local de praticar autoritarismo e fazer má gestão.

O país caminha por uma linha tênue, onde soberania nacional, interesses externos e as aspirações de milhões de venezuelanos se chocam. Maduro jura que este mandato será “o mandato da paz”. Mas, para que a paz seja possível, será necessário muito mais do que juramentos: o diálogo interno e internacional será imprescindível.

No fundo, como nos bastidores de toda grande crise global, ecoa uma máxima adaptada do estrategista político James Carville, ex-assessor de Bill Clinton, que cunhou a frase “É a economia, estúpido!” durante a campanha presidencial de 1992. No caso venezuelano, a expressão ganha nova roupagem: “É o petróleo, estúpido!”. Afinal, por trás das críticas à democracia e dos embargos, o verdadeiro campo de batalha é o controle das vastas reservas petrolíferas do país.

Maduro propõe reforma constitucional com foco em nova economia e defesa cultural

Este é Nicolas Maduro. Foto: reprodução
Este é Nicolas Maduro. Foto: reprodução

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, iniciou seu novo mandato com um anúncio que promete redesenhar os rumos políticos e sociais do país: uma ampla reforma constitucional. Durante a cerimônia de posse realizada na Assembleia Nacional, nesta sexta-feira (10), o líder bolivariano assinou um decreto criando uma comissão nacional responsável por elaborar o projeto da reforma. A iniciativa busca promover a “democratização e definição do perfil da nova sociedade e economia venezuelana”, afirmou.

Em seu discurso, Maduro convocou todos os setores da sociedade para participar de um grande diálogo nacional. O objetivo é construir, de forma coletiva, um projeto que reflita os anseios do povo venezuelano. “Convoco os setores políticos, econômicos, ideológicos, culturais e sociais para uma jornada de diálogo inclusivo e unitário”, declarou, diante de representantes de 125 países.

A proposta, segundo o mandatário, tem como base uma atualização da Constituição vigente, moldada para atender às demandas da “nova economia” e da construção de uma sociedade mais humanista e democrática.

Além das mudanças econômicas e sociais, a reforma pretende reforçar a defesa cultural e tecnológica da Venezuela. Maduro denunciou o que chamou de “ameaças tecnológicas” e a imposição de uma “cultura lixo” que, segundo ele, tenta desestruturar os valores familiares e culturais do país. “Devemos proteger nossa cultura e evitar uma desculturação massiva que visa trazer o caos”, alertou.

A Assembleia Nacional será o principal espaço para discutir as propostas que emergirem do diálogo com a população. Maduro assegurou que, uma vez finalizado o projeto, ele será submetido à avaliação do Legislativo, garantindo um processo transparente e participativo.

Enquanto o presidente discursava, milhares de venezuelanos foram às ruas para celebrar o início de mais um mandato. A proposta de reforma constitucional é vista por muitos como uma tentativa de unir o país e enfrentar os desafios impostos pela crise econômica e pelas sanções internacionais.

No entanto, opositores questionam a real intenção por trás da iniciativa, temendo que mudanças na Carta Magna possam centralizar ainda mais o poder. A adesão da sociedade ao diálogo e o acompanhamento da comunidade internacional serão cruciais para legitimar o processo.

A Venezuela se encontra, mais uma vez, diante de um momento decisivo de sua história. A proposta de reforma constitucional promete definir não apenas o futuro político, mas também os rumos econômicos e sociais de uma nação em busca de estabilidade e soberania.

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