O clima no mercado financeiro global azedou de vez. O dólar, que já vinha subindo, disparou nesta segunda-feira (7) e chegou a encostar nos R$ 5,90, puxado por uma onda de pânico internacional. O motivo? Um novo tarifaço anunciado por Donald Trump, com retaliação imediata da China. Resultado: bolsas despencando, petróleo em queda e o Ibovespa derretendo.
Em tempos normais, isso já seria grave. Mas com o mundo flertando com recessão e o Brasil tentando equilibrar pratos entre inflação, juros e aprovação popular, o cenário é de altíssima tensão para Lula e sua equipe econômica.
Tudo começou na última quarta-feira (2), quando Trump anunciou tarifas de 10% a 50% sobre produtos de 180 países. Na sexta (4), a China revidou com tarifas de 34% sobre produtos americanos e prometeu limitar a exportação de “terras raras” – insumos vitais para a indústria de tecnologia.
Na Ásia, o índice Hang Seng, de Hong Kong, despencou 13,22%, enquanto o CSI 1000, da China, caiu 11,39%. A Europa também amanheceu em queda livre: Alemanha, França e Itália registram perdas superiores a 4%.
No Brasil, o Ibovespa cai 2% no início do pregão e o dólar sobe mais de 0,5%, se aproximando perigosamente dos R$ 6,00 – um patamar que pressiona os combustíveis, a comida e o humor do eleitorado.
A ofensiva de Trump não é novidade. Tarifa foi uma de suas bandeiras de campanha em 2016 e continua sendo em 2025. Ele mira no que chama de “déficit bilionário com a China e a Europa” e joga para sua base eleitoral com o velho discurso do “América em primeiro lugar”.
O problema é que o resto do mundo está junto no tabuleiro. E o Brasil, dependente de exportações e de commodities, é um dos primeiros a sentir o baque.
A resposta da China veio no mesmo tom: retaliação tarifária e controle sobre insumos críticos, como o disprósio, escândio e o gadolínio. A disputa agora escala para o campo estratégico, com impacto direto sobre os chips, celulares, computadores e… o bolso da população.

Trump, do alto de seu resort em Mar-a-Lago, ironizou nas redes:
“Esse é um ótimo momento para ficar rico!”
E completou:
“Tarifas são uma coisa linda. Estamos revertendo o desastre do sonolento Biden!”
Enquanto isso, Lula ainda não se pronunciou oficialmente, mas aliados do Planalto temem que a volatilidade afete o controle da inflação – e, com ela, a popularidade do governo.
Especialistas como Vitor Miziara alertam:
“Com tarifa no mundo inteiro, tudo fica mais caro até que o comércio global pare.”
Em 2018, no primeiro mandato de Trump, o mundo também tremeu com a escalada tarifária entre Washington e Pequim. O resultado? Mercados em colapso, cadeia global de suprimentos travada e inflação disparando.
A diferença agora é o cenário mais frágil pós-pandemia, com governos endividados, inflação ainda pressionada e tensões geopolíticas no limite, incluindo guerra na Ucrânia e ameaça de conflito no Oriente Médio.
Com o dólar em alta e o petróleo em queda, o Brasil pode sofrer um efeito duplo: mesmo com o barril recuando lá fora, os combustíveis podem continuar caros por causa do câmbio, e as exportações se tornam menos competitivas. Se o cenário piorar, o Banco Central pode segurar os cortes de juros, freando ainda mais o crescimento.
No campo político, o governo Lula terá de lidar com aumento da pressão por reajustes, queda na arrecadação e o risco de descontentamento popular. A última pesquisa Datafolha mostrou que 55% dos brasileiros acreditam que a economia piorou.
Sobre a altar do dólar
O que faz o dólar subir tanto?
A alta do dólar reflete o medo dos investidores diante de uma guerra comercial, que pode enfraquecer a economia global e aumentar a inflação.
Como a guerra comercial afeta o Brasil?
Com o dólar mais caro, o Brasil paga mais por insumos importados, e isso pressiona os preços internos. Além disso, exportações ficam em risco.
O petróleo vai continuar caindo?
Sim, se a demanda global desacelerar por causa da guerra comercial, o petróleo tende a continuar em baixa – porém, os consumidores continuarão pagando caro pelos combustíveis porque estão atrelados ao câmbio.
O governo Lula vai reagir?
Ainda não há reação oficial, mas a equipe econômica acompanha com preocupação e pode adotar medidas para conter a inflação e estabilizar o câmbio.
O tarifaço de Trump reacende os piores fantasmas da economia mundial: inflação, recessão e desemprego. A resposta agressiva da China confirma que estamos diante de uma escalada geopolítica com efeitos reais no bolso do povo.
Enquanto os mercados afundam e o dólar ameaça romper a casa dos R$ 6, Lula e sua equipe precisam agir rápido – e com precisão – para evitar que a crise internacional vire tempestade interna.
Curtiu a análise? Compartilhe com quem precisa entender o que está acontecendo na economia! Leia também no Blog do Esmael a cobertura completa da pesquisa Datafolha sobre a percepção econômica dos brasileiros aqui.


Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




