Nova pesquisa em São Paulo revela: Nunes, 27%; Boulos, 25%; Marçal, 21%; Tabata, 9%; e Datena, 6%
A corrida pela Prefeitura de São Paulo segue acirrada, com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o deputado Guilherme Boulos (PSOL) na liderança. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, Nunes aparece com 27% das intenções de voto, enquanto Boulos registra 25%, uma oscilação negativa de um ponto em relação à semana anterior. A surpresa da vez é Pablo Marçal (PRTB), que, com 21%, se aproxima perigosamente de Boulos, criando um cenário que ainda pode mudar a dinâmica do primeiro turno.
O levantamento, realizado entre os dias 24 e 26 de setembro de 2024, entrevistou 1.610 eleitores e apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais. Com a eleição cada vez mais próxima, a estabilidade dos números reflete uma fase de consolidação para os dois principais nomes, enquanto Marçal tenta romper a barreira do terceiro lugar. O eleitorado, até agora, parece imune aos tumultos recentes da campanha, como o incidente envolvendo o soco dado por Nahuel Medina, assessor de Marçal, no marqueteiro de Nunes, Duda Lima.
Estabilidade no topo, Tabata e Datena em disputa acirrada
Enquanto Nunes e Boulos parecem garantir uma vaga no provável segundo turno, o bloco intermediário segue sem grandes movimentações. Tabata Amaral (PSB) tem 9%, mantendo-se à frente de José Luiz Datena (PSDB), que registra 6%, configurando um empate técnico. Esse grupo reflete a batalha por eleitores insatisfeitos com os principais candidatos, mas sem força suficiente para alterar o cenário principal.
Marina Helena (Novo), que chegou a pontuar 3% na pesquisa anterior, agora aparece com 2%, o que indica uma dificuldade de atrair mais eleitores em um ambiente cada vez mais polarizado.
A percepção do eleitor: Nunes favorito, Boulos ainda na briga
Uma questão interessante levantada pelo Datafolha é a percepção sobre quem os eleitores acreditam que sairá vitorioso, independentemente de seu próprio voto. Nunes é visto como o favorito por 41% dos entrevistados, um número considerável e que reflete sua posição de incumbente, além do apoio conservador e evangélico. Boulos, apesar de ser o segundo colocado nas intenções de voto, é apontado como possível vencedor por 22% do eleitorado. Marçal, que foca sua campanha em uma retórica de ruptura, é visto como favorito por 20%.
Esses números revelam um paradoxo interessante: a intenção de voto em Marçal ainda não se traduz em uma confiança de que ele poderá virar o jogo. Isso pode estar ligado à sua postura agressiva, que embora atraia parte do eleitorado mais radical, ainda não convenceu o eleitor mediano.
Nunes e a estratégia conservadora: bolsonarismo sem Bolsonaro
Ricardo Nunes, que tem investido pesado na comunidade evangélica e em setores conservadores, segue firme em seu caminho de consolidar a liderança entre os eleitores de perfil bolsonarista. Com Jair Bolsonaro (PL) fora do cenário de campanha, Nunes tem contado com o apoio de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para garantir esse espaço. Além disso, suas recentes declarações contra a obrigatoriedade da vacina da Covid-19 ecoam entre os eleitores mais à direita, reforçando sua base.
Sua aposta em temas polêmicos, no entanto, não tem surtido grandes impactos negativos entre os eleitores moderados. Isso se reflete na sua avaliação de governo: 27% aprovam sua gestão, 23% desaprovam e 47% a consideram regular, números praticamente idênticos aos da semana anterior.
Boulos e o apoio de Lula: um trunfo que pode vir tarde demais
Guilherme Boulos continua a ser a principal aposta da esquerda, e sua associação com o presidente Lula (PT) é uma das maiores cartas da sua campanha. No entanto, o cancelamento da visita de Lula à capital paulista no próximo fim de semana pode prejudicar os planos de uma arrancada decisiva. O apoio mais ativo do presidente petista agora está previsto para a véspera do primeiro turno, o que pode ser tarde demais para provocar uma reviravolta significativa.
Ainda assim, Boulos tem mantido sua estratégia de fortalecer sua base na periferia paulistana, onde sua presença e discursos de mudança social têm forte apelo. O desafio, no entanto, é garantir que essa mensagem chegue a um eleitorado mais amplo, já que Nunes domina os meios de comunicação tradicionais com 65% do tempo de rádio e TV.
Marçal: o fenômeno digital que não decola nas urnas?
Pablo Marçal, conhecido por sua presença digital e postura agressiva, tentou recentemente amenizar seu discurso, declarando que adotaria uma postura mais governamental. No entanto, o breve ensaio de mudança de tom não durou muito. Agressões e discussões durante os debates, especialmente no Flow, evidenciam uma campanha marcada pela volatilidade. Embora tenha conseguido crescer nas pesquisas, Marçal enfrenta uma rejeição considerável entre os eleitores mais moderados, o que pode ser seu maior obstáculo.
A dez dias do primeiro turno, a disputa em São Paulo continua imprevisível. Se o segundo turno parece inevitável, o que resta saber é quem estará nele. Portanto, continue acompanhando o Blog do Esmael para atualizações em tempo real.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



