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Curitiba libera servidor na Copa, mas mantém serviço essencial

A Prefeitura de Curitiba definiu que servidores municipais de áreas não essenciais poderão ser dispensados duas horas antes dos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, desde que compensem as horas depois. A regra, publicada no Decreto nº 933, mantém serviços essenciais em funcionamento e transforma o jogo do Brasil em pauta concreta de cidade: quem abre, quem muda escala, quem repõe jornada e quem tenta faturar com a bola rolando.

A primeira aplicação prática da regra já mira o calendário da Copa. O Brasil enfrenta o Haiti nesta sexta-feira (19), às 21h30, pela segunda rodada do Grupo C, em uma partida que ocorre fora do expediente administrativo comum da Prefeitura. O decreto, porém, vale para todos os jogos da Seleção Brasileira em todas as fases da competição, inclusive partidas em horários próximos ao funcionamento das repartições.

O texto assinado pelo prefeito Eduardo Pimentel (PSD) estabelece que agentes públicos lotados em unidades ou serviços não essenciais poderão deixar o trabalho com duas horas de antecedência em relação ao início da partida. Na prática, um jogo marcado para as 19h permite dispensa às 17h, como informou a própria Prefeitura ao explicar a regra.

A medida não é ponto facultativo sem custo administrativo. O total de horas dispensadas terá de ser compensado pelos servidores até 25 de novembro de 2026, com metodologia definida por cada secretaria ou órgão. O decreto limita a reposição a duas horas diárias e prevê que horas não repostas sejam lançadas como atraso ou falta, conforme o caso.

A parte mais sensível está nos serviços essenciais. O decreto determina que unidades ou serviços com essa natureza não podem interromper o funcionamento por causa dos jogos. Servidores dessas áreas não entram na dispensa automática e podem ter escalas reorganizadas para manter o atendimento.

Para o morador, a regra exige cuidado antes de sair de casa. Quem depende de atendimento presencial, unidade de saúde, serviço social, escola, transporte ou outro equipamento municipal deve conferir o funcionamento específico da unidade, porque a Copa muda a rotina administrativa, mas não suspende a obrigação da Prefeitura de manter o básico em pé.

O recado político é simples: a cidade pode parar para ver o Brasil, mas a gestão pública não pode usar a Copa como desculpa para desorganizar serviço essencial. Em Curitiba, o jogo cria uma divisão concreta entre o servidor dispensado que terá de repor horas e o trabalhador de escala essencial que seguirá no posto sem hora extra apenas por estar trabalhando durante o período de dispensa dos demais.

A regra também empurra a discussão para fora do Paço Municipal. Comércio, bares, restaurantes, shoppings, mercados e trabalhadores da iniciativa privada não são alcançados pelo decreto municipal. Nesses setores, a Copa vira negociação de escala, banco de horas, movimento noturno, transporte de volta para casa e disputa por consumo.

O jogo das 21h30 favorece bares e restaurantes, mas pesa sobre quem trabalha à noite, pega ônibus tarde ou depende de serviço público no dia seguinte. A cidade não vive a Copa do mesmo jeito: há quem assista no bar, há quem venda, há quem sirva, há quem limpe e há quem volte para casa depois da meia-noite.

Curitiba já sabe que Copa não é só futebol. É agenda de gestão, economia local, escala de servidor, jornada de trabalhador, família com criança na escola, usuário de saúde e comércio tentando transformar camisa amarela em caixa. A Prefeitura resolveu a sua parte formal com decreto; agora o teste é se a cidade vai funcionar sem empurrar o custo da festa para quem não pode faltar.

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