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Cristina Graeml foge de Alvaro Dias e se filia ao União

A jornalista de extrema direita Cristina Graeml deixou o Podemos e se filiou ao União Brasil. O gesto não foi mero acaso: ela temia ser atropelada por Alvaro Dias, veterano político que já anunciou a disposição de disputar o Senado em 2026.

O leitor do Blog do Esmael já sabia dessa possibilidade de fuga de Cristina. Publicamos que Alvaro Dias preparava terreno para voltar ao Senado, o que poderia empurrar a jornalista para fora do Podemos.

A troca de partido repete o roteiro de Sergio Moro, que em 2022 deixou o Podemos, correu para o União e venceu Alvaro na disputa ao Senado. Graeml tenta seguir a mesma trilha, mas em um terreno muito mais congestionado.

Nos bastidores, correligionários do Podemos ventilaram que o nome de Alvaro seria sacramentado como candidato oficial ao Senado. Essa narrativa soou como uma sentença de exclusão a Graeml. Mesmo diante de recuos posteriores, a percepção já estava cristalizada.

Diante desse quadro, Graeml preferiu não arriscar. Deixou o Podemos antes da convenção e buscou abrigo no União, presidido no Paraná por Sergio Moro.

O problema é que, em 2026, além de Alvaro e Cristina, a direita paranaense já se move em várias direções. Ratinho Junior (PSD) pode disputar o Senado caso não tente a Presidência. Filipe Barros (PL), ligado a Jair Bolsonaro, é pré-candidato natural. Paulo Martins (Novo) insiste no retorno. E Guto Silva (PSD) também é opção caso Ratinho mire o Planalto.

Se Ratinho não concorrer ao Planalto, muito provavelmente disputará uma das vagas ao Senado. E este movimento de Moro, filiando Graeml, praticamente interdita uma das vias de acesso para o atual governador, evidenciando que haverá um duro embate no estado entre esses dois líderes, ambos pela direita.

Moro fortalece a trincheira do União Brasil para a guerra interna com o PP. No Paraná, o cacique da sigla, Ricardo Barros, prefere lançar sua mulher, a ex-governadora Cida Borghetti, ao Palácio Iguaçu, em vez de apoiar o projeto do senador.

A filiação de Graeml será oficializada nesta sexta-feira (26), em Curitiba, em ato no Hotel Pestana, com presença de Sergio Moro. O senador apadrinha a nova correligionária e tenta consolidar o União como abrigo para figuras da direita que buscam escapar de embates internos, embates que ele próprio conhece bem, como mostrou sua passagem conturbada pelo Podemos.

A cena evoca Karl Marx no 18 de Brumário de Luís Bonaparte: “A história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Alvaro tentou engolir Moro e perdeu. Agora vê Graeml repetir a fuga, mas em circunstâncias menos favoráveis.

Portanto, a mudança de Cristina Graeml tem mais a ver com sobrevivência do que com projeto político. Ela fugiu da sombra de Alvaro, mas entrou em uma estrada lotada, onde cada candidatura da direita disputa o mesmo eleitorado. Em 2022 a jogada salvou Moro. Em 2026, pode não passar de um salto no escuro. A conferir.

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