A chave para entender o impasse da candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas, do Republicanos de São Paulo, em 2026, está em dois eixos que correm paralelos, e ambos convergem para o enfraquecimento da direita bolsonarista.
No campo jurídico, a sentença que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, deve proferir na ação penal da tentativa de golpe contra Jair Bolsonaro, do PL, e seu núcleo político, pode definir o futuro da sucessão presidencial.
Caso essa decisão saia ainda no segundo semestre de 2025, há tempo hábil para Tarcísio se desvencilhar da sombra de Bolsonaro e tentar ocupar o espaço da direita. Mas se Moraes arrastar a decisão para 2026, especialmente após abril, quando expira o prazo de desincompatibilização de cargos, o jogo estará perdido. Lula larga com ampla vantagem, sem adversário competitivo à direita.
Mas não é só o STF que encurrala Tarcísio. A crise aberta pela sobretaxa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros, especialmente do agronegócio e da indústria paulista, desferiu um golpe político devastador no projeto presidencial do governador de São Paulo.
Enquanto Lula assumiu a bandeira da soberania, do patriotismo econômico e da defesa dos interesses nacionais, Tarcísio e o campo bolsonarista ficaram marcados pela omissão e pelo alinhamento submisso ao trumpismo. A imagem que ficou para boa parte do empresariado foi a do “viralatismo”, do entreguismo a interesses estrangeiros, em contraste com a postura combativa do governo federal.
Não por acaso, industriais e exportadores de São Paulo, cujas empresas destinam cerca de um terço de sua produção ao mercado americano, começaram a virar as costas para a candidatura de Tarcísio. A confiança empresarial, que já era oscilante, ruiu de vez diante da falta de reação política do governador e do seu apego ao bolsonarismo tóxico.
O resultado dessa equação é claro: Tarcísio está cercado por todos os lados. Pela Justiça, que pode sepultar Bolsonaro a tempo de tornar irrelevante qualquer candidatura da direita raiz. Pela economia, que colocou o empresariado paulista em rota de colisão com os Estados Unidos, e, por consequência, com o silêncio cúmplice de Tarcísio. E pela política, onde Lula avança com protagonismo e narrativa nacionalista, enquanto a oposição hesita, se divide e implode.
Se o projeto presidencial de Tarcísio já era difícil, agora roça o impossível.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




