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CPMI do INSS reacende ofensiva sobre governo e Dataprev

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta nesta segunda-feira (9) mais uma rodada de pressão no Congresso, com a CPMI do INSS tentando manter vivo o desgaste político em torno da Previdência, dos bancos ligados ao pagamento de benefícios e da Dataprev, estatal responsável pela espinha dorsal tecnológica do sistema. A audiência foi marcada para as 16h e reúne três personagens que, juntos, dão à oposição uma vitrine pronta para prolongar o assunto no noticiário.

Serão ouvidos Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, presidente da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), Leila Mejdalani Pereira, presidente da Crefisa, e Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do C6 Consignado. A pauta oficial da comissão mostra que o foco não está apenas na apuração técnica de falhas ou contratos. O desenho da sessão também serve para conectar, numa mesma narrativa, reclamações de beneficiários, crédito consignado, governança digital e vulnerabilidade cibernética.

É aí que a audiência ganha peso político.

Ao chamar Leila Pereira e o executivo do C6, a CPMI amplia o flanco sobre os bancos citados no debate sobre novos pagamentos de benefícios e sobre reclamações relacionadas a consignado, cartão consignado e reserva de margem consignável. No caso da Crefisa, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), justificou a oitiva após o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, e mencionou levantamento sobre instituições com mais reclamações e irregularidades. No caso do C6, o relator citou a existência de 324 mil contratos com cobrança associada de “clube de benefício”, prática tratada como irregular pelo INSS.

No mesmo movimento, a oposição tenta puxar a Dataprev para o centro do embate. Os requerimentos dos senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Carlos Viana (PSD-MG), presidente da CPMI, sustentam que a estatal virou alvo de questionamentos por falhas operacionais e vulnerabilidades na segurança cibernética, além de problemas recorrentes na plataforma Meu INSS. Esse enquadramento é politicamente valioso porque tira a crise do terreno estritamente bancário e a leva para dentro da máquina federal.

Do lado do governo, a linha de defesa tende a ser outra.

A Dataprev e o Ministério da Previdência já informaram, em fevereiro, que concluíram a migração integral do último mainframe usado no sistema previdenciário e que os serviços do Meu INSS e da Central 135 foram retomados após a atualização tecnológica. Segundo a comunicação oficial, a mudança fazia parte de um processo de modernização justamente para ampliar capacidade, estabilidade e segurança. Em outras palavras, o Planalto e a área técnica devem insistir que a estatal está no meio de uma transição estrutural, não de um colapso político-administrativo.

Essa disputa de narrativa ajuda a explicar por que a audiência desta segunda-feira interessa tanto ao Palácio do Planalto quanto à oposição.

Para os adversários do governo, a CPMI funciona como uma engrenagem de desgaste contínuo. Mesmo sem produzir, de imediato, um fato novo explosivo, ela mantém o tema girando no noticiário, alimenta requerimentos, convocações e cortes de fala para redes sociais. A própria comissão havia planejado ouvir Rodrigo Assumpção na quinta-feira (5), mas a reunião foi cancelada por problema de saúde do relator, o que acabou empurrando a tensão para esta semana.

Há ainda um detalhe político importante: a CPMI ganhou fôlego ao misturar investigação, espetáculo e agenda eleitoral. Quando a comissão passa a convocar dirigentes de banco, executivos da área digital e presidentes de estatal, ela não fala apenas com aposentados e pensionistas. Ela fala também com o mercado, com a oposição de 2026 e com a opinião pública que associa falha tecnológica a descontrole do Estado.

Por isso, a Dataprev virou peça sensível.

A estatal pode ser apresentada pelo governo como prova de esforço de modernização. Mas, para a oposição, ela oferece o personagem ideal para sustentar a ideia de que o sistema previdenciário está vulnerável, sujeito a instabilidade e sem blindagem suficiente. A audiência desta segunda-feira tende a girar exatamente nesse choque entre versão técnica e exploração política. E, segundo a CNN Brasil, havia inclusive pedido de adiamento da oitiva do presidente da Dataprev, sinal de que o entorno do tema segue em disputa antes mesmo de a sessão começar.

No Congresso, crise que permanece em circulação já é, por si, uma forma de pressão. A CPMI do INSS entra nesta semana como mais uma arena de atrito para o governo Lula, enquanto a Dataprev, mesmo vendendo modernização, será cobrada como exemplo da capacidade real do Estado de proteger dados, garantir estabilidade e evitar que uma crise administrativa se converta em munição política. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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