Cleber Mata levou Ratinho ao palco nacional, o castelo ruiu em sete dias

O secretário da Comunicação do Paraná, Cleber Mata, virou peça central do projeto político de Ratinho Junior (PSD). No 3º andar do Palácio Iguaçu, fontes ouvidas pelo Blog do Esmael descrevem Mata como o homem que ajudou o governador a calibrar passo, gesto e tempo político, aconselhando quando avançar e quando recuar. Oficialmente, ele ocupa o comando da Secretaria da Comunicação desde janeiro de 2023.

Não se trata de um assessor de rotina. A biografia de Cleber é robusta. Ele foi secretário de Comunicação do Estado de São Paulo, assessorou Cláudio Lembo, José Serra, Alberto Goldman, Geraldo Alckmin, João Doria e Rodrigo Garcia, além de coordenar núcleos de informação nas campanhas de Alckmin, em 2014, de Doria, em 2018, e de Eduardo Pimentel, em Curitiba, em 2024. Esse currículo ajuda a entender por que, no Palácio, ele sempre foi tratado como estrategista, não como mero executor de releases [texto para distribuir às redações de portais, rádios, TVs e jornais].

Foi sob essa lógica que Ratinho começou a furar a bolha regional. O governador passou a circular em eventos com investidores e executivos em São Paulo, como a Latin America Investment Conference de 2026, promovida pelo UBS BB, e reuniões com empresários e mercado financeiro no Bank of America. Em paralelo, sua presença na B3 virou marca política da gestão. Ao longo de 2025, o Blog do Esmael mostrou que Ratinho acumulou 20 leilões em quase sete anos de mandato, transformando a imagem da batida de martelo em símbolo de concessões, privatizações e PPPs.

No bastidor, essa operação de imagem é atribuída ao método de Cleber Mata. A leitura de aliados é que ele ajudou a vestir Ratinho com figurino nacional, aproximando o governador do noticiário econômico neoliberal, do circuito financeiro paulistano e da conversa sobre 2026. A vitrine funcionou por um tempo. O problema apareceu quando chegou a hora de provar que havia mais do que vitrine.

A ruína veio depressa. Era uma segunda-feira, dia 23 de março, Ratinho anunciou que desistia da disputa presidencial e concluiria o mandato no Paraná. O Blog do Esmael registrou que a decisão foi tomada no domingo (22) e comunicada a Gilberto Kassab na segunda. Até então, o governador era tratado como favorito dentro do PSD para a corrida ao Planalto. O que parecia projeto nacional virou recuo em questão de dias.

O Blog do Esmael nunca comprou essa pré-candidatura como algo sólido. Faltava voto nacional, faltava programa, faltava base material fora da propaganda. E o governo já carregava peso demais para sustentar um salto presidencial sem turbulência. Na Copel, a Assembleia realizou audiência pública em dezembro de 2025 para discutir impactos dos apagões e a qualidade do serviço após a privatização. No Descomplica Paraná, o TCE apontou indícios de sobrepreço e o projeto de R$ 962,6 milhões acabou barrado pela Justiça em 2024, porém liberado posteriormente.

Em outras frentes, o desgaste também se acumulou. O programa Olho Vivo entrou na mira da oposição e do Tribunal de Contas, com estimativa de custo que, segundo questionamentos levados ao TCE, pode ultrapassar R$ 1 bilhão, ao mesmo tempo em que o tribunal abriu auditoria para avaliar a governança da política. Já a venda da Celepar, fixada com valor mínimo de R$ 1,3 bilhão, foi condicionada pelo Supremo Tribunal Federal ao cumprimento de normas de segurança e proteção de dados. No debate político, deputados estaduais citaram em plenário contratos atuais de cerca R$ 4 bilhões nos próximos anos para contestar o negócio.

É aí que a cobrança interna bate em Cleber Mata. O mesmo terceiro andar que lhe atribui o mérito de projetar Ratinho nacionalmente passou a criticá-lo por ter embalado um voo que não resistiu ao teste da realidade. A crítica, em resumo, é esta: a comunicação conseguiu vender um presidenciável, mas não conseguiu fabricar lastro onde ele não existia.

No Palácio também circula uma versão mais áspera, a de que o recuo teria relação com temor jurídico após eventual desincompatibilização. Até aqui, porém, são ilações palacianas em final de feira, sem comprovação factual. Ela segue no terreno do bastidor, não da prova.

Cleber Mata continua sendo um dos quadros mais influentes do ratinismo. A diferença é que sua biografia agora carrega uma contradição difícil de esconder: ele ajudou a levar Ratinho ao palco nacional, mas o espetáculo acabou antes da estreia valer ingresso. Quando o projeto presidencial precisou sair da propaganda e encarar o mundo real, o castelo de cartas caiu.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Cada martelada contra os ativos dos paranaenses na B3, a bolsa de valores de SP, teve a imagem cuidadosamente trabalhada pelo estrategista Cleber Mata.

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