A China condenou com dureza a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e exigiu a libertação imediata de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O protesto oficial ocorreu poucas horas depois de um enviado especial chinês ter se reunido com o presidente venezuelano em Caracas para reafirmar o apoio político de Pequim ao governo bolivariano.
Em nota do Ministério das Relações Exteriores, o governo chinês afirmou estar “profundamente chocado” com a ação norte-americana, classificando a captura de Maduro como violação grave do direito internacional, das normas básicas das relações entre Estados e dos princípios da Carta das Nações Unidas.
Segundo Pequim, os Estados Unidos devem garantir a integridade física do presidente venezuelano, libertá-lo imediatamente e cessar qualquer tentativa de mudança de regime pela força. A chancelaria chinesa também defendeu que a crise seja resolvida por meio do diálogo e da negociação política.
A reação chinesa ganhou peso adicional porque o ataque ocorreu horas após a visita de um diplomata de alto escalão de Pequim a Caracas. O encontro teve como objetivo reforçar o respaldo da China ao governo venezuelano, em meio ao cerco diplomático e militar imposto por Washington.
O governo dos EUA, comandado pelo presidente Donald Trump, confirmou a operação e afirmou que Maduro foi capturado e transferido para fora do território venezuelano após um ataque aéreo de grande escala. A Casa Branca sustenta que a ação se insere na política de combate ao narcotráfico e ao que chama de “Estado criminoso” na Venezuela.
Para Pequim, no entanto, trata-se de um precedente perigoso. Em declaração oficial, a China acusou os Estados Unidos de agir de forma hegemônica, usando força militar contra um país soberano e agravando a instabilidade na América Latina.
A Venezuela é estratégica para a China. O país sul-americano é um dos principais fornecedores de petróleo para o mercado chinês e recebeu bilhões de dólares em investimentos e financiamentos ao longo da última década. A queda forçada do governo em Caracas colocaria em risco interesses energéticos e geopolíticos centrais de Pequim.
A posição chinesa se soma à de outros países que já condenaram o ataque norte-americano, ampliando o isolamento diplomático de Washington e elevando a tensão global em torno do conflito venezuelano.
No cenário internacional, a mensagem de Pequim é direta: a captura de um chefe de Estado por meio de ação militar externa rompe limites do direito internacional e empurra o mundo para uma escalada de imprevisibilidade.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




