Índice de Tópicos
- Bastidores do poder e a engrenagem chavista
- Barinas e Esequibo: símbolos estratégicos do chavismo
- A oposição perde espaço, mas retoma Cojedes
- Nicolás Maduro: “A vitória pertence ao povo da Venezuela”
- O que está em jogo: governabilidade e equilíbrio institucional
- A força do chavismo e os próximos passos políticos
O presidente Nicolás Maduro saiu fortalecido das eleições estaduais realizadas neste domingo (25). Com 93% das urnas apuradas, o chavismo venceu em 23 das 24 entidades federais da Venezuela — incluindo a simbólica Guayana Esequiba. O mapa político do país revela um domínio quase absoluto do Grande Pólo Patriótico Simón Bolívar (GPPSB), a coalizão governista.
A participação foi modesta em diversas regiões — inferior a 35% em alguns estados — e a oposição apresentou questionamentos sobre o processo. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), no entanto, validou os resultados com ampla vantagem para os candidatos chavistas.
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Bastidores do poder e a engrenagem chavista
O vice-presidente do CNE, Carlos Quintero, anunciou que Luis Marcano Salazar venceu no estado de Anzoátegui com 87,3% dos votos válidos. Wilmer Rodríguez assegurou a permanência do chavismo em Apure com 96,19%, enquanto Joana Norelys Sánchez venceu em Aragua.
No estado de Bolívar, Yulisbeth García conquistou 87,85%. Em Guárico, Donald Rafael Donaire ultrapassou os 93%, e Luis Ramón Reyes levou Lara com 90,95%. Os números repetem a tendência de vitórias expressivas do chavismo em estados estratégicos.
Entre os reeleitos estão nomes consolidados do GPPSB, como Rafael Lacava (Carabobo), Freddy Bernal (Táchira) e Victor Clark (Falcón), todos com mais de 80% dos votos válidos.
Barinas e Esequibo: símbolos estratégicos do chavismo
No estado de Barinas, berço da família Chávez, o governo recuperou o controle com Adam Chávez Frías, irmão do ex-presidente Hugo Chávez, que venceu com 72,45%. A reconquista representa um ponto de reafirmação simbólica para o chavismo após a derrota sofrida ali em 2021.
Na recém-incorporada Guayana Esequiba — território em disputa com a Guiana — o candidato Neil Villamizar, do PSUV, obteve 97,4% dos votos. Ao celebrar o resultado, Maduro prometeu “todo o suporte orçamentário” à região e afirmou que “o povo de Esequibo tem todos os direitos como povo da Venezuela”.
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A oposição perde espaço, mas retoma Cojedes
A oposição conseguiu reconquistar o estado de Cojedes, no oeste do país, com Alberto Galíndez. Apesar da vitória, a coalizão opositora não conseguiu ampliar sua presença em outras regiões, mantendo-se como força secundária no cenário estadual.
Maduro apresentou os resultados como expressão da “vontade soberana do povo venezuelano”. “É a vitória da cidade venezuelana, do povo trabalhador e consciente”, declarou em pronunciamento oficial.
Nicolás Maduro: “A vitória pertence ao povo da Venezuela”
Em pronunciamento após o anúncio oficial do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o presidente Nicolás Maduro celebrou o resultado das urnas como “uma vitória dos homens e mulheres comuns dos bairros da Venezuela”.
Com 82,68% dos votos para o Grande Pólo Patriótico nas eleições legislativas simultâneas, o mandatário destacou a participação de 54 partidos políticos de diferentes matizes ideológicas e mais de 6.800 candidatos.
Segundo Maduro, o processo foi pacífico, apesar de supostas tentativas de sabotagem, que, segundo ele, foram neutralizadas pelas forças de segurança.
O presidente exaltou a resiliência da Revolução Bolivariana diante de “bloqueios, fascismo e violência”, reforçando que o povo é o protagonista do novo ciclo político.
Em tom programático, anunciou apoio orçamentário integral à região do Esequibo e convocou os governadores eleitos a trabalharem em sintonia com as comunidades.
“Quero vê-los com as pessoas que estão na base, trabalhando”, declarou o presidente venezuelano.
O que está em jogo: governabilidade e equilíbrio institucional
As eleições estaduais reforçam o controle territorial do governo sobre as instituições locais. Com apoio de setores estratégicos do Estado, como as Forças Armadas, o Judiciário e os meios públicos de comunicação, o chavismo mantém a dianteira política em todo o país.
Internacionalmente, o pleito divide opiniões. Enquanto países aliados como Rússia, China e Cuba parabenizaram o resultado, governos críticos mantêm reservas e apontam para a necessidade de condições equitativas nas próximas eleições presidenciais.
A força do chavismo e os próximos passos políticos

A vitória do GPPSB amplia a base de apoio de Maduro e consolida a narrativa bolivariana rumo às eleições de 2026. A hegemonia política, no entanto, apresenta desafios: garantir a estabilidade institucional, promover diálogo político e manter a governabilidade em meio às pressões internas e externas.
O Blog do Esmael segue acompanhando os desdobramentos da política latino-americana com olhar crítico e compromisso com a democracia.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




