Florianópolis amanheceu em 9 de setembro tomada por outdoors que pedem punição exemplar aos responsáveis pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. A ação marca o lançamento da campanha “Sem Anistia para golpistas e traidores da Pátria”, articulada por militantes históricos da corrente estudantil Viração e jovens da União da Juventude Socialista (UJS).
A mobilização ocorre na segunda semana do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus no Supremo Tribunal Federal. A iniciativa em Santa Catarina reproduz o movimento iniciado em agosto, em Goiânia, e aposta em símbolos de rua para chamar atenção e fortalecer a pressão sobre o Judiciário e o Congresso.
O grupo Amigos da Viração, formado por cerca de 50 antigos militantes estudantis, uniu forças com jovens da UJS. Juntos, bancaram cinco outdoors em pontos estratégicos da capital catarinense e produziram mil adesivos. As mensagens chamam de “traidores da pátria” os acusados de atentar contra o Estado Democrático de Direito.
O arquiteto Nereu Ceni, dirigente do PCdoB no Paraná, engrossa a campanha ao lado de outros quadros históricos da esquerda. Sua presença simboliza o vínculo entre a militância estudantil que enfrentou a ditadura e a nova geração que resiste ao bolsonarismo.
Para João Ghizoni, ex-coordenador da Viração em Santa Catarina e vereador por Florianópolis em 1989, a luta é clara: “Defendemos cadeia sem anistia para os golpistas e traidores da pátria”.
Criada no início dos anos 1980, a corrente estudantil Viração marcou a redemocratização ao liderar campanhas pelas Diretas Já, por mais verbas para a educação e pelo passe estudantil. Seu histórico de vitórias nas entidades estudantis inspirou milhares de jovens a se organizarem politicamente.
Quatro décadas depois, a corrente reaparece em aliança com a UJS para reafirmar o valor da democracia. Como destaca a professora Lia Klein, ex-vereadora em Florianópolis, “ao dizer sem anistia, dizemos que quem atenta contra as instituições eleitas atenta contra o Brasil”.
A campanha é um contraponto ao lobby de setores bolsonaristas no Congresso, que tentam aprovar projetos para aliviar penas e até apagar crimes ligados ao 8 de janeiro. A mensagem dos outdoors e adesivos é cristalina: sem punição, a democracia seguirá vulnerável a novos ataques.
O engajamento de Nereu Ceni e de militantes históricos no Paraná mostra que a bandeira extrapola os limites de Santa Catarina e se conecta às trincheiras políticas em todo o país.
A campanha que une duas gerações é mais que um protesto local; é um chamado nacional por justiça. Com a participação de dirigentes como Nereu Ceni, a mensagem ecoa no Paraná e em Brasília: o Brasil não aceita perdão para quem conspirou contra a soberania popular.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




