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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), concedeu o título de cidadão goiano a três nomes centrais do Judiciário: Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Paulo Gonet. A cerimônia ocorreu na sexta-feira (13), na Assembleia Legislativa do Estado, durante o 1º Congresso Goiano de Direito Econômico.
A escolha dos homenageados provocou reações imediatas da base bolsonarista, que vê na aproximação com ministros do Supremo Tribunal Federal um sinal de traição política. Caiado, no entanto, tem pavimentado seu próprio caminho à presidência da República em 2026 — e essa aliança com o Judiciário é parte da estratégia.
Bastidores da aproximação entre Caiado e o STF
A homenagem não foi apenas simbólica. Gilmar Mendes, decano do STF, foi quem concedeu, ainda no primeiro mandato de Caiado, a liminar que suspendeu o pagamento da dívida de R$ 17 bilhões de Goiás. A medida garantiu fôlego ao caixa estadual e pavimentou a entrada no Regime de Recuperação Fiscal (RRF).
Dias Toffoli, por sua vez, atendeu pedidos nos plantões do fim de semana, segundo o próprio governador. “Eu era confundido com servidor do STF. Eu não saía de lá”, afirmou Caiado, arrancando risos da plateia e acenos discretos dos ministros.
Paulo Gonet, atual procurador-geral da República, também foi elogiado pelo apoio jurídico institucional a Goiás em momentos cruciais.
A tensão com a base bolsonarista
A relação com o STF contrasta com as recentes declarações de Caiado a favor da anistia aos réus do 8 de janeiro — justamente os que depredaram a sede da Corte. Na mesma semana da cerimônia, o governador reafirmou, em entrevista ao Roda Viva, que anistiará todos os envolvidos no ataque se eleito presidente.
Para a ala mais radical do bolsonarismo, o gesto de Caiado soa como uma contradição: homenagear os “algozes” e ao mesmo tempo prometer anistia aos “patriotas”.
Esse jogo de cena expõe a tentativa do governador de ocupar um espaço ao centro, entre o antipetismo tradicional e a desidratação do bolsonarismo judicialmente acuado.
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União Brasil e PP negociam bastidores da neutralidade
Embora Ronaldo Caiado alimente publicamente o desejo de disputar o Palácio do Planalto, os bastidores apontam outra direção. União Brasil e PP — partidos que anunciaram uma federação — caminham para não lançar candidatura própria à Presidência da República em 2026.
A tendência, conforme revelou o Blog do Esmael em análise recente, é de que a federação atue de forma neutra no primeiro turno da disputa nacional.
A costura, articulada pelo Planalto, envolve concessões regionais e espaço institucional em troca de neutralidade nacional, favorecendo a reeleição de Lula (PT). Na prática, esse movimento isola a extrema direita nacionalmente e busca conter avanços do bolsonarismo em estados-chave.
Essa configuração impõe um dilema estratégico a Caiado: insistir na candidatura e romper com os próprios aliados, ou recuar e fortalecer seu nome para uma eventual composição de segundo turno.
Caiado joga com o Supremo para 2026
Ao conceder cidadania honorária a Gilmar Mendes, Toffoli e Gonet, Ronaldo Caiado fez mais do que um gesto de cortesia. Em pleno Congresso de Direito Econômico, selou uma aliança simbólica com o poder que mais tem definido os rumos da política brasileira: o Judiciário.
O gesto pode custar críticas da extrema direita, mas revela um movimento calculado rumo ao centro institucional. Se funcionar, Caiado terá transformado sua dívida de R$ 17 bilhões em ativo eleitoral — com assinatura e bênção do Supremo.
No entanto, sem espaço para concorrer a Presidência da República, poderá restar a Caiado seu retorno ao Senado.
Compartilhe esta análise e siga o Blog do Esmael para mais bastidores da corrida presidencial de 2026.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




