O Banco de Brasília (BRB), controlado majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal, confirmou na noite de terça-feira (31) que não publicará dentro do prazo legal as demonstrações financeiras do 3º e do 4º trimestres de 2025. Em fato relevante enviado ao mercado, o banco atribuiu o atraso à conclusão da auditoria forense ligada à Operação Compliance Zero e não informou nova data.
O ponto mais delicado está no próprio texto do BRB. A instituição reconhece que ainda depende da avaliação da administração e do auditor independente sobre os potenciais impactos dessas apurações no balanço. Quando o banco segura o resultado porque ainda não conseguiu fechar o efeito contábil do caso Master, a crise deixa de ser ruído externo e entra no centro da contabilidade.
O prazo legal vencia às 23h59 de terça-feira. Antes mesmo do comunicado noturno, já havia pressão de mercado e alerta para possíveis sanções regulatórias, num quadro agravado pelo fato de que os balanços do terceiro e do quarto trimestres de 2025 continuavam pendentes e o BRB tentava, sem resposta até então, ampliar o prazo junto ao Banco Central (BC).
Na mesma noite, o BRB convocou assembleia geral extraordinária para terça-feira (22 de abril), com pauta de aumento de capital e homologação de nomes para o conselho de administração. Em proposta anterior submetida aos acionistas, o banco já previa uma capitalização que poderia variar de R$ 529 milhões a R$ 8,86 bilhões.
O desdobramento político é imediato. O BRB não é um banco qualquer no mercado, é uma instituição estratégica para o poder local de Brasília, com controle estatal distrital, e o agravamento da crise atinge o núcleo de decisão do Distrito Federal.
A origem desse enrosco vem de trás. Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Banco Master por cerca de R$ 2 bilhões, mas o BC rejeitou a operação. Depois, a Operação Compliance Zero passou a investigar negócios ligados ao Master, inclusive a venda de ativos da carteira do banco ao BRB, segundo registro do Blog do Esmael; em janeiro, nós voltamos informar que a investigação apura crimes como gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Ao atrasar o balanço sem apresentar nova data, o BRB amplia três frentes de desgaste ao mesmo tempo. Aumenta a pressão regulatória, aprofunda a crise de governança e empurra o caso Master de vez para o terreno político e jurídico.
Também entra na “contabilidade” do BRB a convocação do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que será obrigado a depor perante a CPI do Crime Organizado.
Além de Ibaneis, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), igualamente foi convocado nesta terça, para depor na comissão que investiga o Banco Master e a infiltração do crime organizado no Estado brasileiro.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




