O ministro Guilherme Boulos leva a Curitiba, nesta sexta-feira (8), a 16ª edição do Governo do Brasil na Rua, vitrine popular do governo Lula (PT), com serviços gratuitos na Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Campus Rebouças, e a pauta política do fim da escala 6×1 no centro da conversa com trabalhadores.
A feira da cidadania está marcada para funcionar das 9h às 17h, na UFPR Rebouças, no bairro Rebouças. A Secretaria-Geral da Presidência da República informou que Boulos atenderá a imprensa às 9h40 e participará da abertura institucional às 14h.
O evento é coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República e reúne órgãos federais e parceiros locais. Na prática, é o governo federal tirando senha do gabinete, baixando no chão da cidade e tentando resolver, num só endereço, problemas que costumam empurrar o povo de fila em fila.
Entre os atendimentos previstos estão Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), perícia médica, Benefício de Prestação Continuada (BPC), vacinação, testes rápidos, orientação sobre o SUS Digital, microchipagem e vacinação de cães e gatos pelo SinPatinhas, regularização de CPF, conta Gov.br e serviços da Receita Federal.
Também estão anunciados atendimentos ligados ao Pé-de-Meia, ID Jovem, Bolsa Família, Gás do Povo, Acredita no Primeiro Passo, Defensoria Pública da União (DPU), Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, microcrédito, artesanato, Meu MEI Digital, Correios, comércio eletrônico e orientações sobre o Reforma Casa Brasil.
Não há exigência de inscrição prévia. A orientação divulgada pelo governo é simples: chegar ao local e procurar o serviço. Para quem trabalha a semana inteira, depende de transporte público e vive com o orçamento no limite, esse tipo de concentração de atendimento tem peso concreto.
A presença de Boulos em Curitiba, porém, não é apenas administrativa. O ministro virou uma espécie de ponte entre o Palácio do Planalto, movimentos sociais e base progressista. Desde que assumiu a Secretaria-Geral, passou a vender a ideia de um governo mais perto da rua, menos fechado no carpete de Brasília.
É aí que entra a escala 6×1. No começo do mês, a Secretaria-Geral voltou a divulgar material em defesa do fim desse regime de trabalho, pelo qual o empregado trabalha seis dias e folga um. Boulos já afirmou publicamente que essa escala rouba tempo de vida, descanso, estudo e convivência familiar, especialmente no comércio e nos serviços.
O tema tem forte apelo popular porque fala com gente que pega ônibus cheio, almoça correndo, emenda domingo em segunda e ainda ouve sermão de quem nunca bateu ponto. O governo Lula tenta transformar essa pauta em símbolo de dignidade no trabalho, depois de anos em que a palavra produtividade quase sempre significou apertar o couro de quem vive do salário.
A agenda em Curitiba também cola com a ofensiva do Planalto para apresentar entregas na área social. O Novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal nesta semana, prevê renegociação de dívidas com descontos de até 90%, juros reduzidos e prazo de pagamento de até 48 meses, conforme regras divulgadas pelo Ministério da Fazenda.
Ou seja, Boulos chega ao Paraná com dois recados no bolso: tempo para viver e fôlego para sair do endividamento. São bandeiras que conversam diretamente com a vida real, embora dependam de execução, adesão dos bancos, tramitação política e fiscalização para não virarem apenas peça bonita de propaganda.
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) também é anunciada como participante da feira. A presença dela reforça o peso político do evento no Paraná, estado onde a esquerda tenta reorganizar sua musculatura diante de uma direita que aposta na máquina estadual, no antipetismo e no velho discurso de medo contra políticas sociais.
Curitiba, que foi laboratório nacional do lavajatismo e palco de resistência democrática durante a prisão política de Lula, volta a receber uma agenda federal com disputa de narrativa à vista. Para o governo, é serviço público e cidadania. Para a oposição, qualquer passo de Lula no Paraná vira munição eleitoral. A diferença é que, desta vez, haverá balcão de atendimento, vacina, CPF, INSS e gente de carne e osso na fila.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
Leia também no Blog do Esmael: Boulos detalha fim da escala 6×1 e regras para apps
Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.