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- bolsonaro-tenta-conter-prisao-pedindo-impeachment-de-moraes-no-senado”>Bolsonaro tenta conter prisão pedindo impeachment de Moraes no Senado
- Recuo tático após ameaça de prisão
- Flávio Bolsonaro e a ofensiva no Senado
- Bolsonaro teme prisão ainda nesta semana
- Aliados em alerta, PL sem rumo
- Radicalização e esvaziamento
bolsonaro-tenta-conter-prisao-pedindo-impeachment-de-moraes-no-senado”>Bolsonaro tenta conter prisão pedindo impeachment de Moraes no Senado
Jair Bolsonaro está acuado. Envolto em investigações sobre tentativa de golpe de Estado, monitorado por tornozeleira eletrônica e proibido de usar redes sociais, o ex-presidente do Brasil recorreu à velha fórmula: transformar seu desespero jurídico em espetáculo político.
Na tarde desta quarta-feira, 23 de julho de 2025, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O gesto é visto por aliados e adversários como uma tentativa desesperada de Jair Bolsonaro de evitar a prisão iminente, que pode ser decretada a qualquer momento.
Recuo tático após ameaça de prisão
Bolsonaro, que vinha acusando Moraes de promover uma “suprema humilhação”, recuou no discurso. Após falar com aliados no Congresso, se esquivou da coletiva previamente marcada, alegando receio de violar as medidas cautelares que o impedem de se manifestar, mesmo por terceiros, nas redes sociais.
A defesa do ex-presidente alega que não ficou claro que ele estaria proibido de conceder entrevistas. No entanto, Moraes foi taxativo em despacho publicado nesta terça (22): qualquer veiculação, retransmissão ou transcrição de fala de Bolsonaro por perfis de terceiros será considerada descumprimento das cautelares.
Flávio Bolsonaro e a ofensiva no Senado
A ofensiva bolsonarista ganhou forma com o pedido de impeachment assinado por Flávio, mesmo durante o recesso parlamentar e enquanto o senador desfruta férias na Europa. No documento de 23 páginas, Flávio acusa Moraes de “censura prévia”, “parcialidade ativa” e uso do Estado para “perseguição política”.
O texto compara a situação do pai com episódios envolvendo Dilma Rousseff e o advogado Cristiano Zanin, sugerindo tratamento desigual por parte da Justiça. “A censura é o primeiro grande passo para o estabelecimento da tirania”, escreveu o filho do ex-presidente.
Apesar do barulho político, o pedido de impeachment tem poucas chances de prosperar. Já são mais de 20 pedidos semelhantes engavetados no Senado, onde a presidência de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) atua como barreira institucional contra iniciativas dessa natureza.
Bolsonaro teme prisão ainda nesta semana
A grande expectativa gira em torno da decisão de Alexandre de Moraes, que pode decretar a prisão preventiva de Bolsonaro por obstrução de Justiça e coação processual. A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal apontam que o ex-presidente incentivou seu filho Eduardo Bolsonaro a buscar sanções internacionais contra o Brasil junto a Donald Trump.
As investigações sustentam que as ações do clã Bolsonaro visam criar instabilidade econômica e política, como forma de impedir o avanço do inquérito sobre o golpe frustrado de 8 de janeiro.
Aliados em alerta, PL sem rumo
No PL, o clima é de apreensão. Parlamentares do partido foram surpreendidos pela fala improvisada de Bolsonaro na segunda-feira (21), quando ele exibiu a tornozeleira e voltou a atacar o STF. A declaração foi amplamente replicada por apoiadores nas redes, o que agravou a situação jurídica do ex-presidente.
Nos bastidores, líderes do centrão reconhecem que a prisão de Bolsonaro antes do julgamento seria um divisor de águas na direita brasileira, com potencial de reconfigurar alianças rumo a 2026. O PL, sem comando claro, já fala em “danos controláveis” e discute cenários pós-Bolsonaro.
Radicalização e esvaziamento
Ao pedir o impeachment de Alexandre de Moraes, Bolsonaro ensaia mais um ato de radicalização, tentando inverter a lógica do processo que o cerca. Mas, como em outras investidas golpistas, seu movimento carece de apoio institucional e jurídico. No Congresso, o gesto é visto como teatro político. No STF, como agravante.
Resta saber se o silêncio estratégico adotado por Bolsonaro até aqui será suficiente para evitar o xadrez, ou se já é tarde demais. De um jeito ou de outro, o bolsonarismo dá sinais de esgotamento.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




