O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por cinco crimes ligados à tentativa de golpe de Estado. A decisão foi tomada pela Primeira Turma, com voto decisivo da ministra Cármen Lúcia. Apenas Luiz Fux votou pela absolvição.
A reação internacional foi imediata. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que Washington “responderá adequadamente” à sentença, chamando-a de “caça às bruxas”.
Donald Trump também afirmou estar surpreso com a condenação, acusando o STF de agir contra aliados políticos. Sanções e medidas diplomáticas fazem parte desse novo capítulo de tensão bilateral.
A defesa de Bolsonaro emitiu nota em que classifica a pena como “absurdamente excessiva e desproporcional”. Promete recorrer, inclusive por instâncias internacionais, após analisar todos os termos do acórdão.
O filho de Bolsonaro, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), afirmou que espera novas sanções dos EUA contra membros do STF que votaram pela condenação. Ele citou a Lei Magnitsky como instrumento possível para essas medidas.
Internamente, a decisão reforça divisão entre alas da direita. Há discursos de indignação, narrativa de perseguição institucional, e mobilização para defender argumentos jurídicos, como suposta violação de direitos processuais. Ao mesmo tempo, partidos conservadores agora avaliam quem poderá suceder Bolsonaro como liderança eleitoral.
O Blog do Esmael registrou que os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ratinho Júnior (PSD) se engalfinham nos bastidores pelo espólio político do bolsonarismo. Ambos se manifestaram em solidariedade ao ex-presidente prestes a ir preso.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que a condenação de Jair Bolsonaro e de seus cúmplices pelo Supremo Tribunal Federal “expressa o vigor da democracia e da soberania nacional”. Segundo ela, trata-se de uma decisão histórica, sem precedentes, fruto do devido processo legal e de provas contundentes, que responde tanto às agressões contra o Estado de Direito quanto às pressões econômicas do governo Donald Trump. “Hoje, por meio do STF, o Brasil disse ao mundo que os crimes contra a democracia são intoleráveis e imperdoáveis”, declarou.
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que a condenação de Bolsonaro e demais golpistas é fundamental ‘para que nunca mais ousem golpear nossa democracia’.
A imprensa internacional destaca este julgamento como um ponto de virada para a democracia brasileira. Veículos como Reuters comparam o caso a condenações recentes de líderes de extrema direita no mundo. Reportagens ressaltam que, pela primeira vez, um ex-presidente é condenado por atentado institucional à democracia.
A condenação de Jair Bolsonaro já não é apenas um tema jurídico: tornou-se pedra angular de uma crise diplomática que pode redefinir alianças e discursos. A pressão dos EUA e o recurso internacional adicionam novas camadas de risco para institucionalidade.
Para o bolsonarismo, o desafio é duplo: resistir legalmente e sobreviver politicamente. Sem Bolsonaro na disputa eleitoral ativa, outros líderes conservadores vão brigar para ocupar o vácuo.
Esta condenação marca mais do que um fim judicial: sinaliza que no Brasil até mesmo presidências podem ser responsabilizadas. Agora cabe às instituições, aliados e sociedade manterem o rigor, para que o veredito não seja revertido por retórica ou poder, mas pela lei.
No entanto, sob pena de falsificação da história, é preciso relembrar que o Supremo já esteve fortemente associado à ideia de golpe de Estado, na deposição da presidente Dilma Rousseff (PT), ilegalmente impichada em 2016.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




