O mercado financeiro reagiu com otimismo nesta terça-feira (16).
O Ibovespa subiu 0,36% e fechou no recorde nominal de 144.061 pontos.
O dólar comercial caiu 0,43% e encerrou o dia a R$ 5,29.
O movimento ocorre na véspera da divulgação de pesquisa Quaest, que pode apontar crescimento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na semana passada, a Faria Lima já comentava nos bastidores que os levantamentos internos indicavam ampliação da vantagem de Lula sobre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por sua participação na tentativa de golpe de 8 de janeiro.
A expectativa é grande para a chamada “Super Quarta” (17), quando o Banco Central anuncia a taxa básica de juros (Selic), hoje em 15% ao ano, e o Federal Reserve dos Estados Unidos divulga sua decisão de política monetária.
Além disso, a Quaest apresentará a nova rodada de avaliação do governo Lula e a percepção da população sobre temas como anistia aos golpistas, julgamento do ex-presidente e tarifaço imposto por Donald Trump.
No levantamento anterior, de 20 de agosto, Lula aparecia com 46% de aprovação e 51% de desaprovação, um cenário de empate técnico dentro da margem de erro.
Já na disputa presidencial de 2026, cujos números serão divulgados na quinta-feira (18), o petista vencia todos os adversários no primeiro turno.
O termômetro dos mercados mostra que a política segue ditando o ritmo da economia.
Se a Quaest confirmar o crescimento de Lula, o governo ganha fôlego para enfrentar pressões por anistia a golpistas e para negociar com o Congresso em clima menos instável.
A democracia não pode ser refém do humor da Faria Lima, mas cada vez mais o capital reconhece que estabilidade política exige respeito às urnas e à Justiça.
A pesquisa Quaest, que está sendo divulgada em pílulas, a partir de hoje, ouviu 2.004 pessoas entre os dias 12 e 14 de setembro.
A margem de erro é de 2 pontos para mais ou menos e tem 95% de nível de confiança.
Quaest mostra que 41% rejeitam anistia e 36% apoiam perdão total
A pesquisa Quaest antecipou que 41% dos brasileiros são contra a anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Outros 36% defendem perdão para todos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão.
Já 10% apoiam anistia apenas aos manifestantes do 8/1 e 13% não souberam opinar.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, o recorte da pesquisa revela que não há espaço social para discutir anistia a Bolsonaro: somando-se os 41% contrários a qualquer perdão e os 10% favoráveis apenas a manifestantes, 51% rejeitam anistiar o ex-presidente.
- Contra a anistia: maioria entre nordestinos, eleitores de baixa renda, católicos e de esquerda (lulistas ou não).
- A favor para todos: concentram-se no Sul e Centro-Oeste, entre eleitores de renda alta, evangélicos e simpatizantes da direita bolsonarista.
Entre lulistas, 58% são contrários. Já entre bolsonaristas, 62% defendem perdão total a Bolsonaro e demais condenados.
Diferenças regionais e de perfil
- Nordeste: 44% contra, 28% a favor para todos.
- Sul e Centro-Oeste/Norte: 42% a favor da anistia ampla.
- Mulheres: 40% contra, 32% a favor.
- Homens: empate técnico, 42% contra e 40% a favor.
- Mais escolarizados: 45% contra, mas 41% também defendem perdão total.
- Renda: perdão a todos cresce entre os mais ricos (43%), enquanto os de baixa renda (até 2 salários mínimos) são mais punitivos (43% contra).
O levantamento confirma a divisão política do país, mas mostra que a rejeição à anistia é majoritária quando Bolsonaro está incluído no debate.
O recado da opinião pública é claro: não há consenso para blindar o ex-presidente e os golpistas de 8 de janeiro.
De acordo com a Quaest, a democracia brasileira só se fortalece se a Justiça resistir às pressões e assegurar que a lei alcance a todos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




