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Apoio à democracia no Brasil diminuiu, mostra Datafolha

A democracia, ainda amplamente preferida pela maioria dos brasileiros, começa a enfrentar questionamentos mais expressivos. Segundo pesquisa Datafolha, 69% dos entrevistados consideram a democracia a melhor forma de governo, mas esse número caiu em relação aos 79% registrados em 2022.

A queda, embora dentro da margem de erro em alguns recortes, revela uma inquietante tendência. O apoio à ditadura como alternativa aceitável subiu para 8%, enquanto os que se declaram indiferentes ao regime cresceram para 17%, o maior índice desde o ano 2000. Esses números acendem alertas em um país onde as instituições democráticas ainda trabalham para consolidar-se após décadas de autoritarismo.

A pesquisa foi realizada em um momento marcado por disputas políticas intensas e desconfiança generalizada em relação às instituições. A polarização entre lulistas e bolsonaristas não reflete diferenças significativas no apoio à democracia — ambos os grupos sustentam posições majoritariamente pró-democráticas. No entanto, essa estabilidade contrasta com o aumento da desconfiança em setores estratégicos, como o Judiciário e o Executivo, especialmente entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O histórico também oferece pistas. Durante a gestão Bolsonaro, marcada por ataques diretos ao sistema eleitoral e a instituições como o STF e o Congresso Nacional, o apoio à democracia atingiu um pico em resposta à ameaça percebida. Agora, com a mudança de governo, parte desse apoio parece ter arrefecido, possivelmente devido à desilusão com a política como um todo.

Os dados destacam divisões socioeconômicas significativas. Brasileiros com maior escolaridade e renda são mais propensos a valorizar a democracia (87% e 80%, respectivamente), enquanto os menos instruídos (56%) e com renda menor (61%) mostram índices inferiores de apoio. Esse padrão indica a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a educação cidadã e promovam inclusão econômica, pilares para sustentar a confiança no sistema democrático.

Outro ponto de destaque é a percepção de risco de golpe nos meses entre a derrota de Bolsonaro e a posse de Lula. Para 68% dos entrevistados, o país viveu um momento crítico nesse período. A divisão entre os que acreditam em uma grande ou pequena possibilidade de golpe reforça a necessidade de vigilância contínua da sociedade civil.

Ao mesmo tempo, instituições como as Forças Armadas permanecem as mais confiáveis (74%), mas enfrentam quedas históricas de credibilidade. Já o STF e a Presidência têm avaliações polarizadas, refletindo o impacto direto da disputa política sobre a confiança institucional.

Os números indicam que, embora a democracia ainda seja o modelo amplamente preferido, sua manutenção exige mais do que declarações políticas. Investir em educação, combater a desigualdade social e fortalecer as instituições são passos cruciais para evitar retrocessos.

Aos políticos e líderes sociais, cabe o papel de reverter o quadro de apatia e descrença, reconstruindo pontes entre o Estado e a sociedade. Afinal, a democracia não é apenas um regime; é um compromisso coletivo com o futuro do Brasil.

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