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Tiro, porrada e bomba na reta final da campanha no Paraná

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A 12 dias do primeiro turno, Sergio Moro (PL) e Ratinho Junior (PSD) transformaram a reta final da eleição do Paraná numa guerra aberta nas redes sociais. Moro atacou nesta terça-feira, 22 de setembro, a licença do governador durante os temporais que atingiram o estado; Ratinho já havia respondido ao senador com um vídeo no qual afirmou que não o apoia e não vota nele. Por trás do bate-boca está uma disputa dramática pelo Palácio Iguaçu: Moro tenta transformar sua liderança nas pesquisas em vitória no primeiro turno, enquanto Sandro Alex (PSD), candidato do governador, e Requião Filho (PDT) travam uma batalha pela outra vaga de um eventual segundo turno.

É tiro, porrada e bomba, no sentido figurado da política paranaense.

A tensão ganhou um ingrediente novo porque a pesquisa IRG divulgada nesta terça-feira pelo Blog do Esmael colocou Sergio Moro com 39,7%, Sandro Alex com 27,8% e Requião Filho com 21,3%. O levantamento mantém Sandro numericamente na segunda posição dentro da série do instituto.

O IRG ouviu 1.200 eleitores entre 17 e 20 de setembro, tem margem de erro de 2,83 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PR-01172/2026. Diferentemente de outros levantamentos, o instituto apresenta ao eleitor as chapas completas, com os candidatos a vice.

A fotografia reforça o drama governista, mas muda uma nuance importante da corrida.

Sandro não aparece mais apenas tentando ultrapassar Requião. Nas duas pesquisas mais recentes divulgadas até esta terça-feira, ele aparece numericamente em segundo lugar e agora luta para consolidar essa posição.

O Real Time Big Data divulgado em 21 de setembro mostrou Moro com 35%, Sandro Alex com 27% e Requião Filho com 22%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 11 e 15 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Já a Paraná Pesquisas divulgada em 18 de setembro apresentou a ordem inversa entre os dois: Moro tinha 44,7%, Requião Filho 23% e Sandro Alex 19,7%. Foram ouvidos 1.280 eleitores, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.

Os institutos usam metodologias, períodos de campo e questionários diferentes. Não é correto juntar os percentuais como se fossem uma única série. Politicamente, porém, eles mostram exatamente onde está uma das maiores tensões da eleição: a identidade do adversário de Moro num eventual segundo turno continua em disputa.

Moro usa temporais para atacar licença de Ratinho

O confronto explodiu novamente nesta terça-feira depois dos temporais registrados no Paraná na noite de 21 de setembro.

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) registrou tempestades severas, chuva intensa, descargas elétricas e fortes rajadas de vento provocadas pelo avanço de uma frente fria sobre o estado.

Moro aproveitou a emergência climática para atingir diretamente Ratinho Junior.

“Lamento, porém, o governador estar afastado do cargo para fazer campanha eleitoral para o candidato das mentiras mesmo sabendo do alerta vermelho e das fortes tempestades”, escreveu o senador.

Tiro, porrada e bomba na reta final da campanha no Paraná

Moro também manifestou solidariedade aos atingidos, afirmou que iria percorrer Curitiba e a Região Metropolitana para verificar os estragos e prometeu direcionar parte de suas emendas parlamentares à Defesa Civil e aos municípios afetados.

O alvo político é evidente.

Ratinho Junior deixou temporariamente o comando do Palácio Iguaçu para mergulhar na campanha de Sandro Alex. O afastamento começou em 17 de setembro, com o vice-governador Darci Piana (PSD) assumindo o Executivo. O próprio governador disse que a licença permitiria percorrer o Paraná sem as limitações impostas pelo exercício do cargo durante o horário administrativo.

Ratinho já havia aberto fogo contra Moro

A ofensiva desta terça-feira ocorre depois de Ratinho Junior elevar o tom contra Moro na semana passada.

O governador reagiu quando o senador recuperou uma antiga publicação, de quando Moro ainda era ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, na qual Ratinho fazia elogios ao então juiz da Lava Jato.

“Como toda pessoa inteligente, é normal a gente mudar de opinião. Mudei de opinião sobre Sergio Moro, pois ele nunca foi a pessoa que achávamos que ele era”, disse Ratinho.

Depois veio a ruptura pública:

“Eu não apoio Sergio Moro. Eu não voto em Sergio Moro.”

Ratinho acusou o senador de abandonar cargos antes do fim, criticou sua atuação parlamentar, questionou despesas e auxílio-moradia e retomou a ruptura de Moro com Bolsonaro em 2020. São acusações e argumentos políticos apresentados pelo governador durante a campanha, e não fatos que possam ser tratados como comprovados apenas porque foram ditos por ele.

O governador também afirmou que Moro votou a favor da indicação de Flávio Dino ao Supremo Tribunal Federal (STF). Como a votação de ministros do STF no plenário do Senado é secreta, essa afirmação não pode ser comprovada pelo resultado nominal da votação.

A troca de ataques revela algo maior que a antipatia entre os dois.

Ratinho colocou o próprio capital político na eleição de Sandro.

Licença mostra tamanho da aposta de Ratinho

A decisão de deixar temporariamente o governo para percorrer o estado em campanha dá a medida do que está em jogo para o grupo que ocupa o Palácio Iguaçu.

Ratinho Junior não disputa a reeleição e tenta eleger Sandro Alex como sucessor. Desde o afastamento, o governador ampliou sua participação em atos eleitorais, enquanto o apresentador Ratinho também entrou na campanha do candidato do PSD.

No campo das pesquisas, porém, a operação ainda não produziu uma arrancada estatisticamente clara dentro da própria série do IRG.

Na rodada de 4 de setembro, a chapa Sandro Alex/Rafael Greca tinha 27%. Na pesquisa desta terça-feira, aparece com 27,8%. A diferença de 0,8 ponto percentual é menor que a margem de erro de 2,83 pontos.

Moro passou de 38,8% para 39,7%, enquanto Requião Filho oscilou de 21,8% para 21,3%. Também são movimentos inferiores à margem de erro.

A maior mudança do IRG ocorreu na espontânea.

Os eleitores que não souberam ou não responderam caíram de 54,3% para 46,2%. Moro avançou de 18,4% para 21,2%; Sandro, de 10,4% para 12,9%; e Requião Filho, de 9,2% para 11,4%. O dado mostra maior lembrança dos três principais candidatos, mas não permite atribuir o movimento exclusivamente a nenhuma campanha.

Moro ainda não liquida a eleição no IRG

A outra batalha da reta final é saber se haverá segundo turno.

Moro lidera todos os levantamentos citados, mas os percentuais variam bastante conforme o instituto.

No IRG desta terça-feira, ele tem 39,7% dos votos totais.

Num exercício puramente aritmético realizado pelo Blog, retirando brancos, nulos e indecisos daquele cenário, Moro corresponderia a aproximadamente 43,8% das preferências declaradas. Sandro teria 30,7% e Requião Filho, 23,5%.

Esse cálculo não é projeção eleitoral. Os indecisos poderão votar em qualquer candidatura, e a Justiça Eleitoral considera apenas os votos válidos efetivamente depositados nas urnas.

A fotografia do IRG, portanto, não coloca Moro acima dos 50% nesse exercício.

A Paraná Pesquisas de 18 de setembro produziu uma fotografia muito mais próxima da linha de vitória em primeiro turno. As diferenças entre os levantamentos explicam por que essa discussão permanece aberta até a reta final.

Sandro e Requião disputam a outra cadeira

Se houver segundo turno, a grande pergunta é quem enfrentaria Moro.

O IRG desta terça-feira e o Real Time de segunda-feira colocam Sandro Alex numericamente em segundo.

A Paraná Pesquisas de 18 de setembro coloca Requião Filho nessa posição.

Isso transforma a campanha governista numa corrida dupla.

Sandro precisa reduzir a distância para Moro, mas também impedir que Requião recupere a segunda colocação nos levantamentos seguintes.

Requião, por sua vez, precisa mostrar que a vantagem registrada pela Paraná Pesquisas não foi apenas uma fotografia isolada diante das pesquisas que colocam Sandro à sua frente.

Não existe resultado definido antes das urnas.

Mas existe uma guerra política claramente instalada.

Moro tenta transformar liderança em maioria de votos válidos.

Ratinho abandonou temporariamente o gabinete para tentar empurrar Sandro para o segundo turno.

Sandro tenta consolidar a reação.

Requião tenta impedir que o Palácio Iguaçu feche a disputa em torno de Moro e do candidato governista.

E, no meio disso, governador e senador trocam golpes políticos em público.

Faltam 12 dias para o primeiro turno de 4 de outubro.

Acompanhe no Blog do Esmael as novas pesquisas, os movimentos das campanhas e os bastidores da batalha pelo Palácio Iguaçu.

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