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Caiado-Kassab força Sandro a explicar palanque no Paraná

A chapa Caiado-Kassab, anunciada pelo PSD em 1º de julho, colocou Sandro Alex diante de um problema político no Paraná: o pré-candidato de Ratinho Junior ao Governo do Estado marcou convenção para 25 de julho sem adesão formal de MDB, Progressistas e Podemos, enquanto o partido decidiu sustentar projeto presidencial próprio.

O PSD nacional fechou a chapa Ronaldo Caiado-Gilberto Kassab e transformou a sucessão paranaense em disputa de palanque.

O fato confirmado é que o partido anunciou Kassab, presidente nacional da sigla, como pré-candidato a vice-presidente na chapa liderada por Caiado. Na nota oficial, o PSD registrou a fala de Caiado segundo a qual “a chapa está posta” e a candidatura presidencial do partido seria “um caminho sem volta”.

No Paraná, o mesmo PSD tenta fazer de Sandro Alex o herdeiro eleitoral de Ratinho Junior. O problema é que o Blog do Esmael mostrou, nesta quinta-feira (9), que Sandro marcou convenção estadual para 25 de julho sem fechar MDB, PP, União Brasil e Podemos, partidos decisivos para a base governista chegar unida à eleição.

A consequência é direta: Sandro não precisa explicar apenas sua candidatura ao Palácio Iguaçu. Precisa explicar qual será o palanque presidencial de sua campanha.

Se seguir a linha nacional do PSD, Sandro terá de carregar Caiado e Kassab no Paraná. Se tentar acomodar a base de Ratinho Junior, terá de conviver com aliados que ainda calculam distância, preço e conveniência antes de embarcar no projeto.

Esse é o conflito vertical da direita paranaense.

Ratinho Junior saiu da disputa presidencial, mas o PSD não saiu. Kassab fechou com Caiado. Sandro depende do espólio político de Ratinho. MDB, PP e Podemos ainda não assinaram adesão. Sergio Moro (PL) tenta ocupar o espaço da oposição conservadora no Estado. O resultado é uma campanha estadual que nasce pressionada por uma decisão nacional.

O eleitor conservador não bolsonarista é o alvo mais sensível dessa disputa. Caiado tenta falar com o agronegócio, a segurança pública, o empresariado e prefeitos que rejeitam o PT, mas não necessariamente aceitam subordinação ao bolsonarismo. No Paraná, Sandro precisa desse mesmo eleitor para furar a polarização local com Moro.

A hipótese política é que a chapa Caiado-Kassab pode ajudar Sandro a organizar um campo de centro-direita fora do controle do PL. O risco é a operação produzir efeito contrário: mostrar que o candidato de Ratinho tem menos liberdade estadual do que seus aliados imaginavam.

Prefeitos governistas serão obrigados a fazer conta concreta. Uma coisa é apoiar Sandro como candidato do governador. Outra é subir em palanque presidencial de Caiado-Kassab enquanto parte da direita paranaense flerta com Moro, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema.

O calendário aperta essa conta. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixou o período de 20 de julho a 5 de agosto para convenções partidárias nas eleições de 2026. Isso significa que a janela para definir candidaturas, coligações e palanques está entrando na fase em que silêncio também comunica decisão.

Sandro marcou 25 de julho. A Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, trabalha com a possibilidade de levar sua decisão para 5 de agosto, segundo a apuração já publicada pelo Blog. MDB e Podemos também seguem como peças ainda não encaixadas no tabuleiro governista.

A leitura política é que o anúncio Caiado-Kassab mudou a pergunta sobre Sandro.

A dúvida deixou de ser apenas se ele conseguirá reunir a base de Ratinho Junior. A pergunta agora é se ele conseguirá reunir essa base sem transformar a campanha estadual em extensão obrigatória do projeto nacional do PSD.

Para Kassab, a chapa própria dá ao PSD estatura nacional, mesa de negociação e identidade eleitoral. Para Caiado, oferece máquina partidária e rede municipal. Para Sandro, no entanto, a mesma decisão cria uma cobrança pública: qual é o preço de ser candidato do PSD em um Estado onde a direita ainda não escolheu um comando único?

O Paraná será teste dessa contradição.

Se MDB, PP e Podemos aderirem a Sandro, o PSD poderá apresentar a chapa Caiado-Kassab como coluna nacional de uma ampla aliança estadual. Se os partidos demorarem ou buscarem outro caminho, a candidatura de Sandro começará a campanha com dois problemas simultâneos: base incompleta em Curitiba e palanque nacional definido em Brasília.

O conflito interessa ao empresário, ao produtor rural, ao prefeito e ao eleitor que vota à direita sem aceitar automaticamente o comando bolsonarista. Esse público será disputado por Caiado, Moro, Zema e Flávio Bolsonaro, com efeitos diretos sobre a sucessão de Ratinho Junior.

A acusação de falta de unidade ainda não é fato. O fato é que a unidade não está formalmente fechada.

A diferença importa.

Sandro pode chegar à convenção como candidato do governador. Ainda precisa sair dela como candidato da base. E, depois do anúncio Caiado-Kassab, terá de dizer se também será o candidato do projeto nacional do PSD no Paraná.

Continue acompanhando a cobertura das convenções, dos palanques presidenciais e da sucessão paranaense no Blog do Esmael.

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