A Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), deixará para 5 de agosto a decisão sobre o apoio ao Governo do Paraná. A escolha anunciada pelo deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) impede o governador Ratinho Junior (PSD) de apresentar a federação como aliada de Sandro Alex na convenção governista de 25 de julho.
Barros afirmou à CBN Maringá que o bloco pretende esperar o último dia permitido pela Justiça Eleitoral. Segundo o presidente estadual do PP, a indicação de Sandro Alex como candidato de Ratinho criou instabilidade entre lideranças que ainda avaliam a viabilidade eleitoral do nome governista.
“A gente vai deixar para o último dia”, declarou Barros. A convenção da União Progressista está marcada para 5 de agosto, quando termina o prazo para partidos e federações escolherem candidatos e deliberarem sobre coligações.
O calendário impõe uma derrota política parcial ao roteiro preparado pelo PSD. Ratinho pretende usar a convenção de 25 de julho para oficializar Sandro Alex e demonstrar que mantém unida a base construída durante seus dois mandatos. Sem a União Progressista, porém, a fotografia poderá revelar uma aliança menor do que a anunciada pelo grupo governista.
A federação reúne dois partidos com bancadas, prefeitos, candidatos proporcionais, recursos eleitorais e tempo de propaganda. Sua decisão interfere na estrutura disponível para a campanha ao Palácio Iguaçu e também na montagem das chapas para deputado federal e estadual.
Barros confirmou ainda que o bloco recebeu convite para indicar o candidato a vice-governador em uma das chapas em negociação. Ele não identificou publicamente qual candidatura apresentou a oferta e afirmou que ocupar a vice não constitui a prioridade da federação.
A informação não confirma que Ratinho tenha oferecido a vice, uma vaga ao Senado ou outra posição específica para obter o apoio do bloco. Esses pontos permanecem sem resposta pública.
A espera mantém abertas pelo menos três possibilidades: apoiar Sandro Alex, compor com Sergio Moro (PL) ou não participar formalmente de nenhuma coligação para o governo no primeiro turno. Rafael Greca (MDB) também aparece nas conversas estaduais, mas já foi lançado como candidato ao Palácio Iguaçu.
Integrantes da própria União Progressista tomaram caminhos diferentes antes da convenção. Toninho Wandscheer e Dilceu Sperafico participam da pré-campanha de Sandro Alex, enquanto Cesar Silvestri Filho declarou apoio a Moro. Jocelito Canto, ex-prefeito de Ponta Grossa, aderiu a Greca.
Essa divisão explica por que União Brasil e PP não podem simplesmente anunciar decisões estaduais independentes. Registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação atua como uma única agremiação durante o período eleitoral. Apoios individuais podem existir, mas a deliberação formal terá de ser conjunta.
O adiamento também preserva a alternativa de diálogo com Moro. Em março, depois da filiação do senador ao Partido Liberal (PL), Barros afirmou ao Blog do Esmael que a federação poderia negociar tanto com o grupo de Ratinho quanto com o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro.
Não existe, até aqui, confirmação de que a direção nacional imporá no Paraná uma aliança entre a União Progressista, Flávio Bolsonaro e Moro. Essa hipótese dependeria das negociações nacionais e da decisão formal da federação no estado.
O efeito imediato está no palanque de Sandro Alex. O candidato do PSD será oficializado antes de saber se receberá um dos maiores blocos partidários do Paraná. Ratinho marcou a largada para 25 de julho; Ricardo Barros decidiu que a resposta chegará somente 11 dias depois.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




