Sandro Alex (PSD), pré-candidato de Ratinho Junior (PSD) ao governo do Paraná, carrega a infraestrutura como vitrine eleitoral, mas o pedágio transforma essa vitrine em prova pública: em 2026, cada candidato terá de dizer qual tarifa aceita, qual obra fiscaliza, qual contrato revisa e como protege o bolso do usuário.
A sucessão estadual ainda aparece nas pesquisas como corrida de nomes, padrinhos e rejeições. O pedágio muda a pergunta. Motorista, caminhoneiro, produtor rural, cooperativa, indústria, usuário de ônibus intermunicipal e consumidor não pagam pesquisa eleitoral no caixa do mercado. Pagam frete, tarifa, combustível, manutenção e alimento mais caro quando a logística pesa no custo da produção.
Sandro Alex tem vantagem e problema no mesmo pacote. Foi secretário de Infraestrutura e Logística de Ratinho Junior, esteve no centro da modelagem das concessões rodoviárias e deve vender obras, pontes, rodovias e leilões como certificado de gestão. O conflito é direto: quem assina a vitrine também herda a cobrança.
A pauta, portanto, não é saber se Sandro Alex gosta de concessão. Isso está no histórico público dele. A pauta é saber qual concessão ele aceita, com qual tarifa, sob qual fiscalização e com qual punição real quando a obra não sai do papel.
O Paraná já viveu pedágio caro, contrato blindado e promessa de obra que atravessou governos como passivo político. A nova rodada de concessões chega com discurso de modernização, disputa de menor tarifa, cobrança eletrônica e investimento bilionário. O eleitor, porém, não vota em release da concessionária. Vota depois de passar pela praça, fazer conta no mês e comparar a tarifa com a obra entregue.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já autorizou cobrança eletrônica em praças do Lote 4 e divulgou valores para veículos de passeio em pontos como Presidente Castelo Branco, Mandaguari, Arapongas e Jataizinho. No Lote 5, o contrato prevê cerca de R$ 11 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos, em aproximadamente 432 quilômetros de rodovias federais e estaduais. Esses números tiram o pedágio do debate genérico e colocam a sucessão dentro do contrato.
A primeira pergunta a Sandro Alex é objetiva: um eventual governo dele aceitará reajustes automáticos sem auditoria política e social das entregas? A segunda é mais dura: se a concessionária atrasar duplicação, contorno, viaduto, passarela ou faixa adicional, o governo fará pressão pública pela penalidade ou tratará o contrato como peça técnica distante do cidadão?
Sergio Moro (PL), líder em levantamentos divulgados sobre a sucessão, também não escapa do teste. Se quer disputar o governo com discurso de autoridade, terá de dizer se enfrenta concessionária, agência reguladora, governo federal e interesses econômicos quando a tarifa pesar no bolso do paranaense. Falar em moralidade é simples. Explicar pedágio por quilômetro, obra obrigatória, cronograma e revisão contratual exige programa.
Requião Filho (PDT) tem outro desafio. A oposição progressista pode criticar o modelo, mas precisa apresentar alternativa executável. Se defender revisão, deve dizer qual contrato revisa, com base em que cláusula, em qual prazo e com qual proteção jurídica para não trocar tarifa alta por paralisia de obra. Se defender redução de tarifa, deve explicar de onde virá a compensação ou qual margem das concessionárias será enfrentada.
Rafael Greca (MDB), lançado ao governo pelo MDB, também entra no funil. O discurso de gestão urbana e experiência administrativa não basta para o interior. O eleitor de Cascavel, Maringá, Londrina, Ponta Grossa, Guarapuava, Foz do Iguaçu e do litoral quer saber como um eventual governo lidará com frete, anel de integração, transporte intermunicipal, segurança viária e tarifa em corredor produtivo.
O pedágio ainda atravessa a disputa nacional. A pesquisa IRG registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-06178/2026 testou cenários com apoios de Flávio Bolsonaro, Ratinho Junior e Lula. Esse dado importa porque a eleição do Paraná não será só estadual. A direita bolsonarista tentará transformar a disputa em plebiscito ideológico. O grupo de Ratinho tentará transformar a disputa em continuidade administrativa. A esquerda tentará deslocar a eleição para custo de vida, serviço público e bolso popular.
Nesse quadro, o pedágio pode ser o primeiro tema capaz de furar a bolha dos padrinhos. Flávio Bolsonaro não paga a tarifa do trabalhador que cruza a região metropolitana. Ratinho Junior não estará na urna para cumprir cronograma em 2027. Lula pode influenciar a candidatura progressista, mas não substitui o candidato no debate local sobre contrato rodoviário. Quem quer governar o Paraná precisa responder pelo Paraná.
O teste programático deve ter quatro perguntas mínimas. Qual tarifa o candidato considera aceitável para cada corredor? Qual obra será prioridade fiscalizatória nos primeiros cem dias? Qual cláusula contratual deve ser revisada ou acompanhada com lupa? Qual mecanismo público permitirá ao usuário saber se a concessionária está cumprindo o prometido?
Sem essas respostas, concessão vira fé. Com essas respostas, concessão vira política pública fiscalizável.
O pedágio é uma régua cruel porque não aceita frase bonita. A tarifa aparece no extrato. O frete aparece no preço do arroz, do leite, da carne e do hortifrúti. A obra atrasada aparece no tempo perdido, no risco de acidente e na conta da produção.
Sandro Alex pode tentar transformar o novo pedágio em troféu de campanha. Seus adversários podem tentar transformar o mesmo pedágio em desgaste. O eleitor, porém, tem direito a algo mais concreto do que propaganda e antipropaganda. Tem direito a planilha, contrato, prazo, tarifa e consequência.
A sucessão no Paraná começa a ficar séria quando deixa de perguntar apenas quem está na frente e passa a perguntar quem está disposto a enfrentar o custo real de governar. O pedágio é esse teste. E ele cobra antes da urna.
O Blog do Esmael seguirá cobrando dos pré-candidatos uma resposta objetiva sobre tarifa, obras, fiscalização e revisão contratual. Acompanhe, comente e compartilhe esta reportagem.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




