A aproximação de Sergio Moro com Flávio Bolsonaro e a cúpula do PL acelera o rearranjo da direita no Paraná e pressiona o plano sucessório de Ratinho Junior.
O senador Sergio Moro (União-PR) deve entrar na terça-feira (17) na fila do gargarejo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o zero um. O movimento embaralha a sucessão estadual e escancara a dificuldade do grupo do governador Ratinho Junior (PSD) de manter a tropa unida no Paraná.
O Blog do Esmael apurou que, depois da conversa de Ratinho com o senador Rogério Marinho (PL-RN), em Brasília, na quarta-feira (11), agora será a vez de Moro sentar à mesa com a cúpula liberal. O objetivo é discutir uma pergunta que, até pouco tempo atrás, soaria improvável: filia ou não filia no PL?
A reunião, segundo a apuração do blog, acontecerá no Brasil 21, sede da legenda em Brasília. Devem participar Valdemar Costa Neto, Rogério Marinho, Flávio Bolsonaro, o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e o deputado federal Fernando Giacobo (PL-PR), hoje citado nos bastidores como nome para vice numa eventual chapa puro-sangue do PL ao governo do Paraná.
O encontro não nasce do nada. Nas últimas semanas, o PL passou a flertar com a hipótese de apoiar Moro no Paraná caso Ratinho mantivesse de pé sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.
O jogo, portanto, ficou mais nítido. Ratinho quer correr por fora na eleição presidencial. O PL, diante disso, trabalha para montar palanque próprio no Paraná. E Moro, que já foi o algoz partidário de muita gente do bolsonarismo nos tempos da Lava Jato, aparece agora como peça útil para o projeto de Flávio no estado.
Essa aproximação ganha força porque o nome preferido de Ratinho para a sucessão não saiu do chão. A pesquisa recente do Paraná Pesquisas mostrou Moro muito à frente na disputa pelo governo estadual, enquanto Guto Silva (PSD) apareceu minguado, longe da briga principal.
Nos grupos de WhatsApp da tropa ratinhista, a ironia corre solta como gozação de arquibancada. Depois de marcar só 4,5% na pesquisa, Guto Silva teria “caído de quatro”, no dizer dos próprios aliados do governador.
Na metáfora do futebol, o secretário das Cidades entrou em campo para ser atacante do Palácio Iguaçu, mas saiu do gramado como jogador zonzo, cercado, sem chute a gol. E já ouvindo da torcida organizada do poder que talvez seja hora de trocar o camisa 9 antes que o campeonato desande de vez.
O estrago político foi imediato. A sondagem reforçou o diagnóstico de que Guto não decolou, enfraqueceu o plano original do Palácio Iguaçu e abriu mais espaço para a inquietação entre aliados.
No entorno do governo, já se fala abertamente em troca de candidato. Ao mesmo tempo, cresce a tensão entre os grupos do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), e do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD), que ensaiam uma alternativa de centro-direita fora do roteiro inicial de Ratinho.
Há, claro, uma dose de ironia nessa cena. O PL, alvejado e demonizado pela Lava Jato quando Moro vestia toga e depois paletó ministerial, agora discute se abre a porta justamente para aquele que encarnou, por anos, a criminalização seletiva da política. Em Brasília, memória ideológica costuma perder para a matemática eleitoral.
No Paraná, a equação é brutal. Ratinho comunicou ao PL que não quer ser apêndice de Flávio e insiste em construir seu voo nacional. Com isso, liberou os bolsonaristas a organizarem um palanque próprio no estado.
O problema é que esse movimento passou a ameaçar diretamente o desenho sucessório do governador. Seu candidato preferido patina, Moro ganha musculatura e parte do PSD já começa a procurar a saída de emergência.
Moro, por sua vez, sabe que a reunião de terça-feira vale mais do que uma simples conversa partidária. Ela pode lhe entregar a senha de entrada num campo eleitoral que até ontem o rejeitava por memória e por cálculo. Se o PL decidir que vale mais somar do que ressentir, o ex-juiz pode trocar a antiga resistência bolsonarista por apoio orgânico e virar o principal polo de atração da direita no Paraná.
A fila do gargarejo de Flávio, portanto, não é detalhe de bastidor. É o retrato de uma direita paranaense em rearranjo, com Ratinho olhando Brasília, Guto afundado nas pesquisas e Moro tentando transformar desconfiança em passaporte. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




