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Gleisi põe 6×1 e feminicídio no centro de plenária em Curitiba

Blog do Esmael, direto de Brasília – A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), fará no sábado (14), em Curitiba, uma plenária com dois eixos de forte apelo social e político: o fim da escala 6×1 e o combate ao feminicídio. O encontro está marcado para as 10h30, na sede do Sindiquímica, na Cidade Industrial.

A atividade foi apresentada nas redes como parte dos “Diálogos pelo Paraná e pelo Brasil” e mobiliza a militância petista em torno de uma agenda que mistura mundo do trabalho, direitos das mulheres e reorganização política no estado.

A escolha dos temas não parece casual.

O debate sobre a escala 6×1 fala diretamente com a vida de quem trabalha quase toda a semana e mal consegue recompor o corpo e a cabeça. No caso das mulheres, esse peso costuma ser ainda maior.

Na maioria das vezes, a jornada não termina quando acaba o expediente. Muitas voltam para casa e assumem outra camada de trabalho, cuidando de filhos, idosos, alimentação, limpeza e rotina doméstica. É a chamada economia do cuidado, também conhecida como economia invisível, essencial para a vida funcionar, mas ainda sem remuneração, sem reconhecimento proporcional e sem divisão justa.

Por isso, a crítica à escala 6×1 ganha densidade quando atravessada pelo recorte de gênero. O que para muitos já é cansaço, para milhões de mulheres vira exaustão acumulada entre emprego formal, tarefas domésticas e responsabilidade afetiva com a família.

Na prática, o regime 6×1 comprime descanso, lazer, estudo e autonomia. E faz isso de forma desigual. Para uma parcela expressiva das trabalhadoras, o único dia de folga acaba capturado por obrigações que o mercado não paga, mas a sociedade naturaliza.

Esse ponto ajuda a explicar por que a plenária junta, no mesmo palco, a pauta trabalhista e o enfrentamento ao feminicídio. São duas faces de uma mesma estrutura de desigualdade.

De um lado, a sobrecarga cotidiana, a dependência econômica e a invisibilização do trabalho das mulheres. De outro, a forma mais brutal de violência de gênero, que encontra terreno fértil justamente em contextos de vulnerabilidade, silêncio e assimetria de poder.

Ao levar esse debate para Curitiba, Gleisi também reforça o vínculo com o movimento sindical e com setores populares num momento em que o PT tenta recolocar a agenda social no centro da disputa pública no Paraná. O local escolhido, a sede do Sindiquímica, fala por si.

A convocação divulgada pelo vereador Angelo Vanhoni, presidente do PT Curitiba, apresenta o encontro como espaço para reunir causas, histórias e projetos. Mais do que um ato partidário, a plenária tenta se vender como ponto de escuta, mobilização e formação de uma rede política e social.

No pano de fundo, há também um ensaio eleitoral evidente.

Gleisi aparece nas peças como liderança central de um movimento que fala ao Paraná e ao Brasil, numa operação que fortalece sua presença no estado, sustenta a defesa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ajuda a preparar terreno para as disputas de 2026. Ela é pré-candidata ao Senado, a pedido de Lula.

Quando uma líder nacional decide reunir jornada de trabalho e violência contra as mulheres na mesma arena, o gesto político é claro. A disputa não é só por votos, mas pelo sentido social da política. Em Curitiba, Gleisi tenta mostrar que a batalha pelo tempo, pela dignidade e pela vida das mulheres também é uma batalha pelo rumo do país. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Serviço
Plenária com Gleisi Hoffmann
Sábado (14), às 10h30
Sede do Sindiquímica
Rua Senador Accioly Filho, 851
Cidade Industrial de Curitiba

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