Blog do Esmael, direto de Brasília – O governador Cláudio Castro (PL-RJ) volta ao centro de uma crise com peso nacional nesta terça-feira (10), quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma, às 19h, o julgamento que pode cassar seu mandato e torná-lo inelegível por oito anos. O caso, embora nascido no Rio de Janeiro, já extrapolou a fronteira fluminense: ele testa até onde a Corte Eleitoral pretende ir contra o uso da máquina pública em disputas estaduais e sinaliza o tom que poderá prevalecer na fiscalização da eleição de 2026.
A ação examina recursos do Ministério Público Eleitoral e da coligação do ex-deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) contra a absolvição de Castro no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), em maio de 2024. No centro da acusação estão supostas contratações irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) durante a campanha de 2022.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, a engrenagem teria garantido vantagem eleitoral ao grupo governista por meio da contratação em massa de temporários e da descentralização de recursos para projetos sociais. A acusação fala em 27.665 contratações e R$ 248 milhões movimentados no esquema investigado.
O julgamento foi aberto em novembro de 2025 e parou após pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira, que agora deverá apresentar o voto. Antes da interrupção, a relatora, ministra Isabel Gallotti, votou pela cassação de Cláudio Castro e do então aliado Rodrigo Bacellar, hoje uma das peças mais influentes do poder fluminense, além da inelegibilidade dos envolvidos apontados como centrais no caso. Ela também defendeu novas eleições para governador e vice no estado e a retotalização dos votos para deputado estadual.
A defesa de Castro sustenta que o governador apenas sancionou a legislação aprovada pela Assembleia Legislativa e regulamentou a atuação da Ceperj, sem responsabilidade direta por eventuais irregularidades administrativas. Essa linha tenta deslocar o caso do terreno eleitoral para o administrativo, mas é justamente aí que mora a disputa mais importante: o TSE terá de dizer se a máquina, mesmo sem ordem direta formal do chefe do Executivo, foi usada de modo a contaminar a igualdade da eleição.
Politicamente, o processo virou mais do que um problema regional. Castro é um quadro do PL num dos estados mais importantes para a direita bolsonarista. Se o TSE endurecer e formar maioria pela cassação, a decisão poderá ser lida em Brasília como aviso prévio para governadores, prefeitos e grupos que pretendem chegar a 2026 testando o limite entre estrutura de governo e estrutura de campanha.
Esse é o ponto que mais interessa ao xadrez nacional. O julgamento não mede apenas a sorte pessoal de Cláudio Castro. Ele mede a disposição da Justiça Eleitoral de reprimir, com mais rigor, o abuso de poder político e econômico em eleições majoritárias. Num ciclo em que o campo bolsonarista tenta preservar palanques estaduais fortes para a sucessão presidencial, uma eventual condenação no Rio teria efeito dominó sobre estratégias, alianças e cálculos de risco em outros estados. Essa leitura sobre 2026 é uma inferência política a partir do alcance institucional do caso e do tipo de conduta que está sob exame.
Também chama atenção o timing. Cláudio Castro é apontado por parte da cobertura política como nome com planos para deixar o Palácio Guanabara e disputar o Senado. Por isso, o julgamento desta terça-feira (10) ganhou temperatura extra: o que está em jogo não é só o restante do mandato, mas a capacidade de o governador continuar em circulação no mercado eleitoral da direita.
No fundo, o TSE volta a um velho nervo da política brasileira: quando a Justiça Eleitoral decide enfrentar a mistura entre governo e campanha, o impacto nunca para na fronteira do processo. Ele bate no coração da correlação de forças. No Rio, isso pode significar o abalo de um grupo. Em Brasília, pode significar um recado claro para 2026. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




