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Dias Toffoli faz “Dia do Fico” no caso Master no STF

O ministro do STF Dias Toffoli fez seu “Dia do Fico” no caso Master ao informar ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que não vê impedimento para permanecer como relator da investigação que envolve o Banco Master e a tentativa de compra pelo BRB.

A resposta ocorre após relatório da Polícia Federal (PF) mencionar o nome de Toffoli a partir de mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, material encaminhado a Fachin.

Ao dizer que não há impedimento, Toffoli sinaliza que não pretende se afastar voluntariamente do processo, mesmo diante do desgaste público e da abertura de discussão interna sobre suspeição.

O movimento ganhou apelido porque, no vocabulário político brasileiro, “Dia do Fico” virou sinônimo de recado: não recuo diante da pressão.

Edson Fachin enviou a documentação à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação sobre a questão da suspeição.

Também informou que daria ciência aos demais ministros, e o assunto passou a ser tratado como crise institucional, com conversas reservadas na Corte.

No centro do barulho está a empresa Maridt, da qual Toffoli admite ser sócio, uma sociedade familiar de capital fechado administrada por parentes.

Segundo a nota atribuída ao ministro, a Maridt vendeu parte de sua participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), para um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

Toffoli afirma que declarou os valores à Receita Federal, nega ter recebido qualquer quantia de Vorcaro ou de Zettel e sustenta que as operações ocorreram dentro de valor de mercado.

A nota menciona que a saída do grupo Tayayá Ribeirão Claro ocorreu em duas etapas, com venda parcial em 27 de setembro de 2021 e alienação do saldo remanescente em 21 de fevereiro de 2025.

O caso virou teste de credibilidade do Supremo por um motivo simples: quando o relator de uma investigação é citado em mensagens do principal investigado, cresce a cobrança por transparência e por procedimentos que blindem o processo de qualquer sombra.

A palavra final tende a passar pela Presidência do STF, à luz do que a PGR disser e do debate interno entre ministros.

Convém deixar claro ao leitor: corvo não come corvo. Em casos assim, o corporativismo tende a falar alto. Circula em Brasília uma anedota segundo a qual ministro do STF só pega processo quando há amigo no polo passivo, e dá um passo atrás quando o réu é inimigo.

Portanto, o “fico” de Toffoli pode ser lido como firmeza, mas o STF não se sustenta em proclamações, se sustenta em confiança pública. Se a Corte quiser fechar essa crise, terá de entregar rito claro, informação verificável e decisão que pareça justa para fora do plenário, não apenas para dentro.

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