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Trump usa shutdown para atacar rivais e cortar verbas em estados democratas

O governo dos Estados Unidos entrou em paralisação nesta quarta-feira, 1º de outubro de 2025, após o fracasso das negociações no Congresso. O presidente Donald Trump (Partido Republicano) classificou o shutdown como “oportunidade sem precedentes” para impor cortes em agências federais e punir adversários políticos, segundo o jornal New York Times.

O termo “shutdown” significa a paralisação parcial do governo federal dos EUA, quando o Congresso não aprova a lei do orçamento a tempo. Serviços “não essenciais” são suspensos e centenas de milhares de funcionários são colocados em licença sem salário; atividades “essenciais” continuam, muitas vezes com pessoas trabalhando sem receber até a liberação dos recursos. Ficam afetados tribunais, parques nacionais, concessão de bolsas e relatórios econômicos, entre outros.

Trump reuniu-se com o diretor de Orçamento, Russell Vought, para discutir demissões em massa e o cancelamento de bilhões de dólares em fundos previamente aprovados. Mais de US$ 7,5 bilhões destinados a projetos de energia limpa em estados governados por democratas foram suspensos, afetando iniciativas na Califórnia, Oregon, Minnesota e Nova York. Governadores denunciaram caráter político. Gavin Newsom (Democrata-CA) afirmou que Trump “coloca a economia a serviço da vingança”.

Centenas de milhares de servidores já foram colocados em licença sem remuneração. Outros continuam trabalhando sem receber, enquanto serviços sofrem cortes. Programas de assistência social, como vouchers de alimentação para mães e crianças de baixa renda, estão em risco. Até o aplicativo MyTSA, usado para monitorar filas em aeroportos, deixou de ser atualizado.

Democratas exigem a reversão de cortes em saúde, incluindo subsídios do Obamacare e a recomposição do Medicaid. Eles acusam a Casa Branca de usar a máquina pública para perseguir opositores e de publicar vídeos racistas gerados por IA contra o senador Chuck Schumer (Democrata-NY) e o deputado Hakeem Jeffries (Democrata-NY). Trump e o vice-presidente JD Vance minimizaram as críticas e chamaram os ataques de “piada”.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, admitiu que a paralisação pode impactar o PIB. Economistas calculam que cada semana de shutdown retira até 0,1 ponto percentual do crescimento trimestral. Sindicatos de servidores federais já acionaram a Justiça para barrar demissões em massa.

Este é o 22º shutdown desde 1976 e o quarto sob Trump. O mais longo ocorreu em 2018, quando a paralisação durou mais de um mês. Analistas alertam que o impasse atual pode ser ainda mais danoso, por combinar cortes direcionados a estados democratas com a suspensão de projetos estratégicos de infraestrutura e energia limpa.

No xadrez político, Trump transforma a crise fiscal em arma contra adversários, testando limites legais e institucionais. O risco é que, ao tentar enfraquecer rivais, desestabilize a economia e comprometa serviços vitais para milhões de cidadãos.

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