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Tarcísio pede bênção a Bolsonaro, reafirma reeleição e teme 2026

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ajoelhou-se mais uma vez diante de Jair Bolsonaro (PL). Nesta segunda-feira (29), o afilhado político esteve no condomínio do ex-presidente em Brasília, onde ele cumpre prisão domiciliar desde agosto, para prestar fidelidade e pedir bênção sob o olhar vigilante do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O Blog do Esmael apurou que, nos bastidores da posse de Fachin no STF, prevaleceu a avaliação de que o tucanizado bolsonarista segue fragilizado, com o destino amarrado ao de seu padrinho político.

O encontro expôs a vulnerabilidade de Tarcísio. Ele esperava sair com a palavra mágica de Bolsonaro, mas ouviu apenas silêncio. Pelo porta-voz Flávio, a mensagem foi de que o ex-mandatário continua “candidato” em 2026, apesar da inelegibilidade até 2060 e da condenação a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal.

Sem o respaldo esperado, o governador paulista jurou disputar a reeleição em 2026, repetindo o mantra da gratidão. Nos bastidores, porém, aliados admitem que o recuo foi estratégico.

Tarcísio entrou cedo demais na disputa presidencial, atraiu fogo cruzado do Planalto e virou alvo do lulismo e do próprio bolsonarismo. A ordem é ganhar fôlego até março.

A matemática é cruel. Se quiser concorrer ao Palácio do Planalto, precisa renunciar ao Bandeirantes até abril.

Renunciar sem a garantia de apoio explícito de Bolsonaro, porém, é suicídio político. O temor é real: e se no dia seguinte o ex-presidente fechar com o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD-PR)?

O dilema repete os traumas de 2024, quando Bolsonaro atropelou correligionários do PL e apoiou nomes como Pablo Marçal, em São Paulo, e Cristina Graeml, em Curitiba. A lição foi clara: a lealdade não garante reciprocidade no clã.

Para agravar, o PL emparedou a pauta da anistia. A proposta de redução de penas, defendida no Congresso, não satisfaz os bolsonaristas.

Tarcísio engrossou o coro pela anistia total, como gesto de devoção, mas não conseguiu arrancar de Bolsonaro a palavra “sim” ao seu projeto nacional.

Enquanto se articula a anistia, a Câmara dos Deputados prepara outra saída negociada. No Conselho de Ética, avança um acordo para “cozinhar em banho-maria” a cassação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Filho do ex-presidente, ele segue nos Estados Unidos e evita retornar ao Brasil com receio de ser preso. O processo no colegiado ameaça sua candidatura ao Senado em 2026, mas o Centrão já trabalha para transformar a cassação em pizza, com relatório brando que preserve direitos políticos.

No mesmo dia, o governador ignorou convite para a posse de Edson Fachin na presidência do STF. A ausência foi lida como mais uma concessão ao bolsonarismo, que demoniza o tribunal.

Fachin, ironicamente, foi um dos ministros que sustentou a prisão de Lula durante a Lava Jato, episódio explorado por Tarcísio e Bolsonaro para chegar ao poder.

Restou a imagem simbólica: o governador de São Paulo, maior estado da federação, viajando a Brasília para visitar um condenado inelegível, soluçando em prisão domiciliar.

A dependência política expõe a limitação de Tarcísio, que prefere ajoelhar-se a se libertar.

Se seguirá na reeleição ou renunciará para tentar a Presidência, ninguém sabe. O que se sabe é que seu destino está nas mãos do clã Bolsonaro.

Nos bastidores, segundo apurou o Blog do Esmael, há uma operação de oligarcas do setor financeiro e da velha mídia para que Bolsonaro declare apoio público a Tarcísio.

O objetivo é consolidar um nome capaz de unificar a direita em 2026 e, ao mesmo tempo, reduzir resistências no Supremo e no Congresso a uma saída negociada para a crise institucional.

Bolsonaro, por sua vez, exige o “pagamento” antecipado para declarar apoio público ao pupilo. Em outras palavras, condiciona a bênção política à aprovação da anistia e ao fim da prisão domiciliar decretada pelo STF em agosto.

Só depois dessa contrapartida estaria disposto a alinhar seu capital eleitoral com o projeto da direita em 2026.

O governador paulista repete que busca a reeleição, mas sua agenda em Brasília alimenta especulações sobre uma candidatura presidencial.

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Tarcísio amarrou destino político ao do ex-presidente Bolsonaro. Foto: reprodução/rrss

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