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Tarcísio barganha anistia a Bolsonaro para ser candidato em 2026

A anistia a Jair Bolsonaro (PL) ganhou velocidade depois que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), assumiu pessoalmente a articulação em Brasília. O PL move as peças no Congresso, mas, segundo o PT, o cérebro da proposta é Tarcísio, já carimbado pelos petistas como o “candidato do golpe” em 2026.

O Blog do Esmael apurou que a mobilização de Tarcísio busca acalmar o coração dos bolsonaristas, que viam o governador paulista em posição passiva. Sua entrada em cena teria sido uma exigência direta de Jair Bolsonaro (PL), que pediu o “pagamento antecipado” da anistia antes de anunciar publicamente apoio a Tarcísio. Em outras palavras, trata-se de uma barganha que inclui ainda a possível filiação do governador ao PL.

A demonstração de “afeto” de Tarcísio a Jair Bolsonaro deve se materializar nas ruas no domingo, 7 de setembro. O pastor Silas Malafaia, aliado do ex-presidente, promete mobilizar seu rebanho contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e em defesa da anistia.

Nos corredores da Câmara, dirigentes do PL e do centrão falam em mais de 300 votos a favor da urgência. A versão mais ampla, elaborada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), perdoa Bolsonaro e seus aliados desde o inquérito das fake news em 2019, passando pelos acampamentos e pelo 8 de janeiro. O texto retroativo enfrentaria questionamentos imediatos no STF.

O centrão prefere outro caminho: anistiar condenados do 8 de janeiro, mas manter a inelegibilidade de Bolsonaro. Essa saída abriria espaço para Tarcísio herdar o espólio eleitoral da direita, com o aval do ex-presidente, sem o risco de novos embates judiciais.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), até então reticente, admitiu que a pressão aumentou após reuniões com Tarcísio em Brasília. No Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) promete um projeto alternativo, mais restrito, mas não há consenso. Já o STF observa o movimento com cautela. Luís Roberto Barroso disse que anistia só pode ser debatida após o julgamento, frase interpretada por bolsonaristas como um aceno.

Enquanto opera em Brasília, Tarcísio patina em São Paulo. Sua indicação de Wagner Rosário, ex-ministro de Bolsonaro, ao Tribunal de Contas estadual, foi travada por PT e PSOL na Alesp. O desgaste mostra a contradição do governador: quer se afirmar como candidato nacional, mas ainda enfrenta dificuldades em sua própria base.

O cálculo político é direto. Para o PL, sem anistia não há reconciliação da direita; sem Bolsonaro, não existe palanque forte para 2026. Para o PT, a ofensiva demonstra que a tentativa de golpe não terminou em 8 de janeiro, apenas mudou de formato.

Se a proposta avançar, o Congresso e o Supremo terão de escolher entre o perdão amplo ou a defesa do Estado de Direito. Portanto, a anistia a Bolsonaro não é só debate jurídico: é o teste mais duro para a democracia desde 1988.

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