A bolha da inteligência artificial pode estar prestes a estourar, como tantas outras que marcaram a história da tecnologia. O caso da Builder.ai, que chegou a valer US$ 1,5 bilhão e hoje está em processo de liquidação judicial, acende o alerta para investidores, governos e trabalhadores.
A startup, fundada em Londres, operava também na Índia e na Califórnia. Era apresentada como promessa para democratizar a criação de aplicativos. Em 2023, foi listada pela revista Fast Company como a terceira empresa mais inovadora em IA, atrás apenas da OpenAI e do Google DeepMind. Tinha parcerias estratégicas com a Microsoft e fundos de investimento espalhados por três continentes.
No entanto, no fim de 2024, o conselho descobriu que as vendas estavam infladas artificialmente. O CEO renunciou, investidores fugiram e, em questão de meses, a empresa entrou em falência. O processo corre em tribunal de Delaware, nos Estados Unidos.
O caso não é isolado. O rótulo “IA” passou a ser usado para atrair capital, muitas vezes sem correspondência na tecnologia real. Como nos anos 1990, com a bolha das pontocom, e nos anos 2010, com as criptomoedas, o entusiasmo desmedido cria um ambiente fértil para fraudes, promessas exageradas e frustrações.
Vale do Silício vive sua maior onda especulativa desde o boom das plataformas digitais. A promessa é que a IA seja professora, terapeuta, chefe e melhor amigo. Mas o colapso da Builder.ai mostra que a euforia pode esconder modelos de negócios frágeis e até fraudulentos.
A comparação com o passado é inevitável. A bolha das dotcoms estourou em 2000, deixando um rastro de empresas falidas e investidores quebrados. O mesmo ocorreu com a bolha imobiliária de 2008 e, mais recentemente, com as criptomoedas. Em todos os casos, um ciclo de expectativas infladas precedeu a implosão.
A lição da Builder.ai é clara: desconfie da “moda” tecnológica. Investidores e governos precisam adotar mecanismos de fiscalização e transparência para que a corrida da inteligência artificial não termine em mais um desastre social e econômico.
Se o Vale do Silício vende a IA como salvação da humanidade, cabe à sociedade perguntar: estamos diante de uma revolução duradoura ou apenas de mais uma bolha prestes a estourar?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




