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A Polícia Federal concluiu nesta terça-feira (17) o inquérito sobre a existência de uma Abin paralela durante o governo Bolsonaro, e pediu o indiciamento de 35 pessoas — entre elas o próprio ex-presidente, seu filho Carlos Bolsonaro e o deputado Alexandre Ramagem, acusado de montar o esquema.
A apuração confirma o uso político da Agência Brasileira de Inteligência para espionar opositores, jornalistas, autoridades e até integrantes do Judiciário. Em um dos trechos mais graves, a PF identifica Ramagem como “mentor operacional” da estrutura clandestina e Carlos Bolsonaro como “comandante do gabinete do ódio”, que usava dados colhidos ilegalmente para alimentar campanhas de difamação nas redes.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo os investigadores, não só tinha ciência das ações como também foi beneficiado diretamente — o que o coloca no centro da investigação criminal.
Conversas interceptadas agravam quadro de Bolsonaro
Uma das peças-chave do inquérito é um áudio interceptado pela PF entre Bolsonaro e Ramagem em que discutem estratégias para blindar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), investigado em outras frentes. A gravação escancara a tentativa de uso da Abin como escudo familiar e político.
Com base no material reunido, a PF afirma que os envolvidos violaram sistematicamente garantias constitucionais e instrumentalizaram o Estado para fins privados e ideológicos — uma definição que se aproxima da prática de crimes contra o Estado Democrático de Direito.
Quem foi espionado? Lista inclui ministros e jornalistas
Entre os alvos da Abin paralela estavam o ministro Alexandre de Moraes (STF), os ex-presidentes da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Maia, além do senador Renan Calheiros (MDB-AL). Também foram monitorados adversários políticos, servidores públicos e jornalistas críticos ao governo.
As ferramentas de espionagem foram compradas ainda durante os governos Temer e Bolsonaro, mas usadas amplamente para fins ilegais entre 2019 e 2022, conforme a apuração.
Atual direção da Abin também é implicada por obstrução
Em um dado que expande a crise institucional, a PF incluiu no rol de indiciados Luiz Fernando Corrêa, atual diretor da Abin e delegado da própria Polícia Federal. Segundo o relatório, Corrêa teria atuado para atrasar ou impedir o avanço das investigações.
Essa acusação lança sombras sobre a autonomia da Abin no governo Lula e pode desencadear desdobramentos políticos ainda nesta semana, especialmente no Congresso Nacional.
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Projeção política e institucional
O indiciamento de Bolsonaro e Carlos ocorre às vésperas de uma nova leva de julgamentos no STF relacionados à tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. A tendência, segundo fontes do Blog do Esmael no Judiciário, é de que o escândalo da Abin paralela seja incorporado à narrativa de ameaça institucional articulada pelo bolsonarismo.
A defesa de Carlos Bolsonaro e de Alexandre Ramagem ainda não se manifestou. O Blog do Esmael segue tentando contato com os citados.
Abuso de poder

O caso da Abin paralela não é apenas mais um episódio de abusos de poder — ele revela uma tentativa sistemática de aparelhamento do Estado para fins autoritários. O uso ilegal de inteligência contra adversários internos e instituições do Estado é um ataque direto à democracia.
Cabe agora ao STF e ao Congresso decidir se haverá consequências políticas, além das criminais.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




