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Falta d’água em Curitiba escancara crise da Sanepar

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A falta de água crônica na Grande Curitiba virou um símbolo do colapso da gestão pública de saneamento no Paraná. Segundo vereadores de municípios como São José dos Pinhais, Araucária, Colombo, Campo Magro e Campo Largo, há bairros que passam mais dias com a torneira seca do que o deserto do Saara. E o pior: sem previsão clara de normalização.

A denúncia chegou ao Blog do Esmael por diferentes canais, que dão voz à população em desespero. Há relatos de moradores armazenando água da chuva para usar no banheiro, escolas sem abastecimento e famílias recorrendo a baldes para garantir o mínimo de higiene.

“De dia falta água, de noite falta luz”

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) alegou rompimento de adutora como motivo para o desabastecimento emergencial. Segundo o gerente-geral Fábio Basso, o sistema está sendo recarregado lentamente para evitar novos rompimentos, mas ainda há entraves técnicos, como entrada de ar na rede. A normalização completa pode se arrastar por dias.

Em paralelo à crise hídrica, moradores enfrentam oscilações e cortes recorrentes de energia elétrica. A Copel, privatizada recentemente, acumula queixas de precarização dos serviços e da segurança dos trabalhadores. “De dia falta água, de noite falta luz”, denuncia o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).

Segundo Chiorato, a Copel tem contratado trabalhadores sem qualificação adequada, o que teria resultado em acidentes — inclusive com vítimas fatais. Em documentos enviados ao Ministério Público do Trabalho e à ANEEL, o parlamentar cobra investigações e responsabilização da empresa.

Rompimentos semanais e falta de transparência

A população critica não só a falha no serviço, mas também a comunicação ineficiente da Sanepar. Mensagens recebidas pelo Blog do Esmael apontam constantes mudanças nos horários de restabelecimento da água, sem aviso claro. O Procon de São José dos Pinhais notificou a estatal, cobrando compensações aos consumidores prejudicados.

A própria Sanepar admitiu que há falhas na comunicação e pediu que moradores atualizem seus cadastros. Mas os relatos de rompimentos frequentes, inclusive em regiões como Guaíra, Fazendinha e Jardim Itália, indicam um problema estrutural mais profundo: falta de investimento, manutenção precária e perda da memória técnica da empresa.

Copel despenca no ranking nacional

A Copel Distribuição, que já esteve entre as dez melhores do país, caiu para a 29ª posição entre 31 concessionárias, segundo relatório da ANEEL. Pequenos produtores de frango e peixe relatam prejuízos com a falta de energia. A oposição na ALEP pede que a agência reguladora exija explicações formais e publique dados auditados em respeito ao princípio da transparência.

A soma de crises nos serviços essenciais agrava a insatisfação com o governo Ratinho Junior (PSD), que vendeu a Copel e agora enfrenta o desgaste de uma Sanepar com dificuldades de operação.

A conta do desmonte chegou à casa do povo

Enquanto os lucros das estatais atraem investidores, a população sente no bolso — e no balde — os efeitos do desmonte. A crise na Grande Curitiba é o retrato de um modelo que priorizou dividendos e negligenciou o básico: água limpa na torneira e luz confiável nas casas.

A pressão popular por respostas cresce. O Ministério Público, o Procon e a imprensa cumprem seu papel. Resta saber se o governo estadual terá coragem de rever o caminho adotado ou se seguirá enxugando gelo.

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