A articulação de uma chapa presidencial entre Aldo Rebelo e Ratinho Júnior avança em silêncio — mas nem tanto. Nesta quinta-feira (15), os dois voltam a se encontrar no Palácio Iguaçu, em Curitiba, às 9h, para discutir os rumos de uma possível candidatura conjunta nas eleições de 2026. O encontro, mantido sob sigilo oficial, é visto como etapa decisiva na construção de uma alternativa à polarização entre Lula e o bolsonarismo.
Fontes do Blog do Esmael posicionadas no terceiro andar do Palácio garantem que esta é a segunda reunião entre o ex-ministro e o governador em menos de dois meses. Embora os detalhes da conversa estejam blindados, o objetivo é evidente: montar uma chapa presidencial com apelo fora dos polos extremos.
A movimentação de Ratinho Júnior ocorre num momento de tensão dentro do PSD. Na semana passada, o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, anunciou a filiação do governador Eduardo Leite (RS), ex-PSDB, reacendendo rumores sobre um projeto nacional do gaúcho — e jogando um balde de água fria nas pretensões do paranaense.
Mais do que um aceno ao futuro, a entrada de Leite no partido foi lida como um gesto calculado de Kassab para inviabilizar qualquer candidatura própria competitiva. Na prática, colocou uma pedra no caminho de Ratinho Júnior rumo ao Planalto.
Com o PSD cada vez mais inclinado a manter uma posição de “independência pragmática” — ou alinhamento indireto com o governo Lula —, o governador do Paraná se vê pressionado a buscar abrigo em outra legenda. O problema é que as principais siglas já estão comprometidas com o Planalto ou possuem nomes próprios na pista para 2026.
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Enquanto isso, Aldo Rebelo retoma o discurso de “união nacional”. Político experiente, ex-presidente da Câmara e ministro em quatro pastas (Relações Institucionais, Esporte, Ciência e Tecncologia e Defesa), o ex-comunista busca se reposicionar como nome moderado e patriótico. Com passagens por PCdoB, PSB, PDT, Solidariedade e MDB, Aldo tenta agora atrair setores do centro à procura de uma terceira via com viabilidade eleitoral.
A composição entre Aldo e Ratinho carrega lógica estratégica: de um lado, experiência institucional e discurso nacionalista; de outro, tração popular no Sul e capacidade de mobilização. Não está descartada a hipótese de Ratinho compor como vice — movimento que poderia ampliar seu alcance nacional sem desgastá-lo em uma candidatura principal incerta.
A movimentação de Ratinho também não passa despercebida em Brasília. Durante a posse de Gleisi Hoffmann (PT) na Secretaria de Relações Institucionais, o governador preferiu não comparecer, enviando o secretário Beto Preto como representante. Foi interpretado como sinalização à direita — ou, no mínimo, uma tentativa de se descolar do governo Lula.
No entanto, dias depois, Ratinho voltou a costear o alambrado do Planalto. Esteve em Brasília sob pretexto de participar da cerimônia de assinatura dos contratos dos lotes 3 e 6 das concessões rodoviárias do Paraná. Mas, como se sabe, na política gestos contam mais que palavras — e o gesto foi visto como tentativa de reaproximação com o núcleo petista.
A eventual candidatura Aldo-Ratinho surge num ambiente de desgaste da polarização, mas enfrenta uma estrada íngreme. O bolsonarismo ainda conserva musculatura na base conservadora; Lula busca consolidar apoio no centro e nas margens. A chamada “terceira via” continua a bater na porta, mas poucos são os que se atrevem a abri-la de verdade.
O desafio não é pequeno: construir uma candidatura com base social real, discurso que fuja da retórica do medo e uma estrutura partidária que não dependa apenas de acordos informais.
A aliança entre Aldo Rebelo e Ratinho Júnior pode parecer improvável — mas reflete uma ausência concreta de centro no atual tabuleiro político. Se ganhar corpo, será testada contra duas forças já consolidadas e com profundo enraizamento eleitoral. O tempo é curto, e os sinais ainda são difusos.
Nos próximos meses, caberá aos dois provar que não são apenas um ensaio de laboratório. A corrida para 2026 já começou — e cada passo agora pode definir quem estará na pista quando a largada for oficial.
Queremos saber sua opinião: essa chapa tem fôlego para romper a polarização ou está fadada a ser apenas mais um experimento político? Deixe seu comentário e acompanhe tudo no Blog do Esmael.


Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




