STF transformou Bolsonaro em réu por golpe e ex-presidente passou mal no RN
Na sexta-feira, 11 de abril, o Brasil testemunhou um enredo que misturou drama pessoal e alta tensão institucional. No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) transformou Jair Bolsonaro (PL) em réu pela tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente foi internado às pressas com dores abdominais no Rio Grande do Norte.
A publicação do acórdão pelo STF oficializou Bolsonaro como primeiro ex-presidente da República a responder criminalmente por atentar contra a democracia brasileira.
A decisão unânime da Primeira Turma do STF acolheu a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro e outros sete integrantes do chamado “núcleo duro” do 8 de janeiro. Além do ex-presidente, estavam no banco dos réus figuras como Braga Netto, Augusto Heleno e Anderson Torres.
Os crimes imputados foram graves: organização criminosa armada, tentativa de golpe, dano ao patrimônio público tombado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, deu cinco dias para as defesas apresentarem seus argumentos e listarem testemunhas. Moraes deixou claro que não aceitaria depoimentos meramente abonatórios.
O início da instrução processual marcou um novo capítulo de um caso histórico. Após essa fase, o STF julgará o mérito e decidirá se Bolsonaro e os demais serão condenados à prisão. A soma das penas ultrapassa 30 anos.
![Bolsonaro na Avenida Paulista [6 de abril de 2025]. Foto: reprodução/YT](https://www.esmaelmorais.com.br/wp-content/uploads/2025/04/bolsonaro-paulista-6-abril.jpg.webp)
Do leito do hospital, Bolsonaro enviou mensagem via vídeo, reafirmando que seguiria com a agenda da “Rota 22” assim que tivesse alta. Segundo o médico Antônio Macedo, não se descartava a necessidade de cirurgia por suspeita de obstrução intestinal.
Mesmo adversária, a governadora petista Fátima Bezerra determinou apoio integral ao ex-presidente, que foi transferido de helicóptero após atendimento inicial em Santa Cruz (RN).
O senador Rogério Marinho (PL-RN) pediu orações e solidariedade.
Não foi a primeira vez que Bolsonaro recorreu ao hospital em momentos de pressão. Desde a facada em 2018, o ex-presidente acumulou episódios de crises intestinais em datas sensíveis.
O advogado Fábio Wajngarten, alter ego do ex-presidente, afirmou que o mal súbito foi “consequência direta de um atentado contra a sua vida” e que Bolsonaro “sofre diuturnamente as sequelas daquele 6 de setembro de 2018”. “Inúmeras cirurgias, inúmeros exames, incontáveis noites no hospital, desconforto para o resto de sua vida”, disse.
Desta vez, porém, o quadro de saúde coincidiu com a maior bomba jurídica da sua carreira pública.
Enquanto Bolsonaro se recuperava, o Congresso seguia em chamas com o PL da Anistia. A ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, denunciou manobras para blindar Bolsonaro e aliados. Segundo ela, o projeto “visava garantir impunidade aos comandantes do golpe”.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda não pautara o requerimento de urgência, mesmo com 259 assinaturas. A resistência do governo e a pressão popular podiam enterrar a proposta.
Tudo sobre Bolsonaro réu e internado
Por que Bolsonaro virou réu no STF?
Porque a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia da PGR por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
Ele pode ser preso agora?
Ainda não. A prisão preventiva depende de nova decisão judicial baseada em risco à ordem pública.
Qual era a situação de saúde de Bolsonaro?
Ele estava internado em Natal (RN) com dores abdominais. Podia precisar de cirurgia, segundo médico.
O projeto da anistia foi aprovado?
Não. A urgência ainda não foi votada no plenário da Câmara.
O STF pode ser ignorado nesse processo?
Não. Apenas o Supremo tem poder para julgar os réus dos atos antidemocráticos.
A simultaneidade entre a decisão histórica do STF e o novo percalço de saúde de Jair Bolsonaro criou uma imagem poderosa: um líder pressionado pelos fantasmas do presente e do passado.
Enquanto seus aliados corriam por uma anistia polêmica, o STF acelerava para fazer da lei um remédio à democracia ferida no 8 de janeiro de 2023.
O Blog do Esmael seguirá acompanhando todos os desdobramentos nos bastidores.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




