O presidente da Argentina, Javier Milei, atribuiu ao “regime Lula” a ausência de Jair Bolsonaro (PL) na posse de Donald Trump, marcada para esta segunda-feira (20) em Washington. A declaração, feita no sábado (18), durante o baile de gala do evento, reflete o alinhamento ideológico entre os dois ex-presidentes e a insatisfação com os desdobramentos judiciais que impedem Bolsonaro de deixar o Brasil.
Embora Milei tenha responsabilizado o governo Lula, a decisão de reter o passaporte do ex-presidente brasileiro partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em despacho recente, Moraes apontou o risco de evasão de Bolsonaro, negando dois pedidos da defesa para que ele pudesse viajar aos Estados Unidos.
Até o fechamento desta matéria, nenhum membro graduado do governo Lula ou do Supremo respondeu à provocação de Milei.
Em lágrimas ao se despedir da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no aeroporto de Brasília, neste sábado (18), Jair Bolsonaro lamentou publicamente sua ausência na cerimônia. Michelle representará o ex-presidente ao lado do filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), consolidando seu papel como figura central no bolsonarismo.
Bolsonaro afirmou que Trump poderia ser um aliado estratégico na reversão de sua inelegibilidade no Brasil, mencionando a experiência do líder americano com o chamado “lawfare”. No entanto, ele não detalhou como Trump poderia influenciar as decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A viagem de Michelle reforça sua projeção como possível sucessora política de Bolsonaro. Presidente do PL Mulher, ela vem conquistando espaço em eventos públicos e pautas relacionadas a valores familiares e religiosos. Analistas apontam que a presença dela na posse de Trump pode fortalecer sua imagem internacional e pavimentar o caminho para uma eventual candidatura presidencial em 2026.
Enquanto Bolsonaro enfrenta múltiplos processos na esfera criminal e eleitoral, sua estratégia parece focada em manter vivo o bolsonarismo, mesmo à distância. Caso Michelle consolide sua posição como candidata, o debate político nacional poderá ser fortemente influenciado por questões ligadas à religião e à família, pilares da base bolsonarista.
Além disso, nomes como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Junior (PSD-PR) permanecem no radar como possíveis sucessores do ex-presidente, especialmente se ele enfrentar medidas mais restritivas no futuro.
A ausência de Bolsonaro na posse de Trump é simbólica, mas não apaga o peso da aliança entre os dois líderes. A cerimônia em Washington pode marcar um novo capítulo para a direita global, enquanto, no Brasil, o bolsonarismo se reinventa para continuar relevante.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




