
A prefeita de Campo Mourão, Regina Dubay, vê o dedo do Palácio Iguaçu na “armação política” contra ela que culminou, na semana passada, com a Justiça determinando uma megacensura a treze órgãos de imprensa e ao Google; profissionais da imprensa mourãoenses estão impedidos de falar sobre o caso no município que fica no Noroeste do Paraná sob pena de multa de R$ 50 mil; judiciário local também determina que o Google retire do ar um vídeo que supostamente desmascararia a armação política tucana; casos de censura no Paraná e no Brasil são cada vez mais comuns; abaixo, assista ao vídeo proibido.
Segundo o site Boca Santa, a pedido dos autores da ação inibitória, o vice-prefeito Rodrigo Salvadori (SDD) e o presidente da Câmara de Vereadores, Pedrinho Nespolo (SDD), a decisão judicial proíbe a veiculação de um vídeo com supostas revelações envolvendo os dois políticos no “Caso Gaeco”, que consistiria no desmascaramento de uma armação política para derrubar a prefeita Regina Dubay (PR).
A juíza determinou multa de R$ 50 mil cada vez que algum órgão desrespeitar a censura que vai além de proibir a exibição do vídeo. Os nomes do vice e do vereador do partido Solidariedade também não podem ser citados, bem como a divulgação das declarações prestadas por ambos ao Ministério Público sobre o “Caso Gaeco”.
A liminar concedida pela juíza Gabriela Luciano Borri Arruda se apoia na defesa do artigo 5!º, inciso IV da Constituição Federal, que veda o anonimato. Entretanto, o polêmico vídeo proibido está indexado à conta no Youtube do servidor público municipal Osmar Lima Barbosa, o Espáia Brasa!, que responde judicialmente pelo conteúdo publicado.
Desde o dia 1!º de abril, o Dia da Mentira, e aniversário de 50 anos do golpe militar no Brasil, outra liminar manda o Google retirar imediatamente o vídeo já postado por Espáia Brasa. A decisão foi dada pela juíza da 2!ª Vara Cível, Luzia Terezinha Grasso Ferreira, acatando pedido de Nespolo. Ele, embora seja personalidade pública, alegou que o vídeo usa sua imagem sem autorização.
A censura judicial à imprensa e aos jornalistas tem validade somente para Campo Mourão, de acordo com a liminar. São esses veículos e profissionais que não podem falar sobre o caso Gaeco: Aldery Ribeiro; Boca Santa; CRN1; Correio do Cidadão; Rádio Colméia; Rádio Humaitá; Rádio Musical; Rádio T; Ricardo Borges; Tá Sabendo; Tribuna do Interior; TV Caiuá; e TV Carajás.
à‰ por essa e por outras que o Blog do Esmael defende que retirada de conteúdos e/ou censura deva ser matéria exclusiva do Supremo Tribunal Federal, que, julga-se, está acima das disputas políticas paroquiais. A minha solidariedade a todos os colegas mourãoenses amordaçados pela (in)Justiça.
Armação política desmascarada por vídeo começou no Palácio Iguaçu, diz prefeita de Campo Mourão
A prefeita de Campo Mourão, Regina Dubay (PR), em contato com este blog, garantiu ter “provas concretas” de que aliados do Palácio Iguaçu promoveram uma “armação política” para destituí-la do cargo. Em um vídeo que circula nas redes sociais, a ex-servidora Thaís Zanini revela que um tio do vice-prefeito, Rodrigo Salvadori (SDD), teria dado dinheiro para forjar o flagrante contra Anselmo Camargo, diretor da Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com a prefeita, a “armação” caiu porque o servidor Osmar Lima, conhecido como “Espáia Brasa”, entregou o esquema. A complexa história envolve política, dinheiro e espionagem.
Regina Dubay denuncia que a “armação” contou com efetiva participação do ex-presidente da IPAGUAS (Instituto das àguas), Márcio Nunes, coordenador da campanha pela reeleição do governador Beto Richa (PSDB) e pré-candidato a deputado estadual pelo PSDB.
No começo de fevereiro, o Grupo Especial de Com!!!bate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Pú!!!blico do Paraná, afirmou que havia desbaratado uma quadrilha com cargos no alto escalão da prefeitura do Centro-Oeste do estado que seria especializada em cobrar uma espécie de mesada, calculada a partir de um porcen!!tual de devolução sobre os salários pagos a funcionários comissionados.
Na época, a prefeita acusou a existência de um plano diabólico! orquestrado pelo Palácio Iguaçu para atingir a candidatura da senadora Gleisi Hoffmann (PT) ao governo do Paraná.
A prefeita Regina Dubay disse ainda que levou o vídeo (assista abaixo) ao promotor de Justiça de Campo Mourão provando que se tratou de uma armação palaciana. Em entrevista coletiva, no mês passado, ela disse vai processar o vice-prefeito Salvadori e o presidente da Câmara, Pedrinho Nespolo (SDD).
Censura é muito comum no Paraná e no Brasil
Engana-se quem acha que a censura é coisa do passado, de regimes ditatoriais, da Idade Média, ou de 500 anos AC na Grécia Antiga. à‰ uma prática bem presente na política e no judiciário. O Blog do Esmael, por exemplo, ainda sofre perseguição e tem R$ 1,5 milhão em multas. Já foi retirado do ar várias vezes porque estimula o contraditório, o debate de ideias, como nunca houvera antes nestas plagas.
O caso da megacensura em Campo Mourão confirma essa regra autoritária do judiciário, que concedeu as liminares, e dos políticos do Solidariedade, personalidades públicas, que não suportam críticas. As duas misturas são nocivas à democracia.
No ranking de 2012 da liberdade de expressão, divulgado pela ONG Repórteres sem Fronteiras, o Brasil caiu da 99!º posição para a 108!ª colocação. Uma vergonha mundial para qual, infelizmente, a Justiça de Campo Mourão contribui.
Casos recentes, na velha mídia, não faltam. Em 2013 a Gazeta do Povo foi impedida judicialmente de informar sobre investigações instauradas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Clayton Camargo.
Assista ao vídeo censurado:
Com informações do blog Boca Santa.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.



