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29 de abril marca 10 anos do massacre no PR

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Há 10 anos, o Paraná chorava o massacre dos professores

No próximo dia 29 de abril, terça-feira, completa-se uma década daquele que entrou para a história como o Massacre do Centro Cívico — um ataque brutal contra professores e servidores públicos do Paraná. Um episódio vergonhoso que o Blog do Esmael transmitiu ao vivo, com exclusividade, numa parceria histórica com o saudoso jornalista César Setti.

Antes que os jornalões acordassem para a gravidade da barbárie, nossa cobertura já corria o mundo, denunciando o massacre em tempo real.

O que aconteceu no 29 de abril de 2015?

Era uma tarde tensa. Cerca de 20 mil professores e servidores estavam acampados na Praça Nossa Senhora de Salette, no Centro Cívico de Curitiba, protestando contra o projeto de confisco da previdência estadual — a famosa ParanáPrevidência.

Sob as ordens do então governador Beto Richa (PSDB) e do secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, a Polícia Militar desceu com tudo: bombas de efeito moral, tiros de borracha, cavalaria, gás lacrimogêneo e até bombardeio aéreo com helicópteros. Tudo isso contra uma multidão pacífica, composta majoritariamente por mulheres professoras.

Resultado: mais de 400 feridos. Uma tragédia anunciada que o Paraná e o Brasil jamais esquecerão.

👉 Leia mais: O dia que começou o massacre dos professores e servidores públicos no Paraná; assista os vídeos

🩸 Saiba mais: 29 de abril de 2015: O dia em que o Paraná chorou sangue – Pra nunca esquecer

📚 Mais educação, menos bala: 29 de abril: Professores recordam o Massacre do Centro Cívico em 2015

📢 Para nunca esquecer: Documentário relembra o ‘massacre de professores’ no dia 29 de abril no Paraná; assista agora

Blog do Esmael transmitiu tudo ao vivo

Enquanto as TVs tradicionais e jornais demoravam para cobrir o horror, o Blog do Esmael, em parceria com a antiga TV15, do então senador Roberto Requião, escancarava para o mundo a violência brutal patrocinada pelo Palácio Iguaçu.

César Setti, companheiro de luta e jornalista aguerrido, foi uma peça fundamental na transmissão ininterrupta do massacre, por mais de 24 horas, pelo Blog do Esmael. Uma cobertura histórica que expôs as vísceras do autoritarismo no Paraná.

Declarações e repercussões internacionais

Na época senadores, Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião testemunharam a carnificina de perto.

Gleisi relatou à época:

“Helicópteros disparavam bombas contra o povo. Foi um horror que não sairá jamais da memória dos paranaenses.”

A ONU e entidades internacionais de direitos humanos condenaram a repressão violenta. A imagem do Paraná, governado por Richa, foi arrastada na lama.

“Faria tudo de novo”, disse Francischini

Em entrevista anos depois, Francischini, sem um pingo de arrependimento, declarou em tom de deboche:

“Até hoje não vejo ninguém com sequelas.”

A fala escancarou a truculência e a falta de respeito com a categoria dos educadores, reforçando o caráter autoritário daquele governo.

Hoje filiado no Solidariedade, Francischini se planeja para voltar à política depois de 8 anos de inelegibildade. Ele foi cassado pelo TSE por espalhar fake news nas eleições de 2018.

29 de abril: Ainda falta muito para curar essa ferida

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No dia do massacre, Requião e Gleisi, então senadores, vieram a Curitiba para tentar evitar a violência contra professores. Foto: Joka Madruga/APP-Sindicato

Dez anos se passaram, mas a ferida segue aberta. A violência de Estado contra trabalhadores da educação não foi um episódio isolado: ela continua de formas diferentes, seja no assédio moral, seja nas ameaças de privatizações e na desvalorização do serviço público.

O atual governo estadual, de Ratinho Junior (PSD), que à época era secretário de Beto Richa, mantém práticas de repressão e ataque aos direitos dos servidores, segundo denúncias do APP-Sindicato.

“O Governador mudou, a violência aumentou”, denuncia a categoria.

29 de abril de 2015

O que foi o massacre do Centro Cívico em 2015?

Foi um ataque da Polícia Militar do Paraná, sob ordens de Beto Richa, contra professores e servidores públicos que protestavam pacificamente.

Quantos professores ficaram feridos no massacre?

Mais de 400 manifestantes deram entrada em hospitais, vítimas de balas de borracha, bombas e agressões físicas.

Quem transmitiu o massacre ao vivo?

O Blog do Esmael, em parceria com o jornalista César Setti, realizou a primeira transmissão ao vivo do massacre, antes mesmo da imprensa tradicional.

Quais foram as consequências para os responsáveis?

Beto Richa viu sua carreira política desmoronar, não se elegeu senador, mas hoje é deputado federal. Fernando Francischini perdeu mandato por fake news e segue como símbolo do autoritarismo.

Por que é importante lembrar o 29 de abril?

Porque a memória é resistência. Esquecer o massacre é permitir que novas violências contra trabalhadores se repitam.

Uma década depois, seguimos resistindo

O 29 de abril de 2015 não é apenas uma data no calendário. É um grito de resistência contra a violência de Estado. É a lembrança dolorosa de que, no Paraná, a educação já sangrou — e que os direitos dos trabalhadores continuam sendo ameaçados.

O Blog do Esmael esteve lá, ao lado dos professores. E continuará aqui, vigilante, defendendo a democracia, a justiça social e a dignidade dos servidores públicos.

Para nunca esquecer. Para nunca mais repetir.

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Transmissão organizada pelo jornalista Cesar Setti/TV15

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