Requião pressionado para disputar a Prefeitura de Curitiba

A militância raiz do MDB de Curitiba pressiona o ex-senador Roberto Requião para ele concorrer à Prefeitura de Curitiba. O veterano político já foi prefeito da capital paranaense em 1985, quando derrotou Jaime Lerner.

Como estratégia de pressão, emedebistas lançaram uma máscara contra a covid-19 personalizada com o nome de Requião e com os dizeres “Me chama que eu vou” –slogan de campanha de Requião numa das eleições vitoriosas ao governo do Paraná.

Em entrevistas ao Blog do Esmael, em mais de uma vez, o ex-senador Requião jurou que não disputa a Prefeitura de Curitiba. Disse ele que pode contribuir mais para o País a sair do atoleiro.

Requião disse ainda que pretende pedir votos para os candidatos de esquerda, sejam eles a prefeito ou vereador.

Em Curitiba, ao invés de concorrer, o ex-senador pode lançar seu irmão mais moço Maurício Requião à Câmara de Vereadores. “Mauricião”, como é chamado, foi secretário da Educação e deputado federal entre 1995 e 1999.

O ex-deputado e ex-secretário Maurício Requião na inauguração da Escola Especial Lucy de Mello e Silva em Santa Felicidade. Na foto, além do então secretário, Roberto Requião e o ex-ministro Fernando Haddad. Foto Everson Bressan-SECS.

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“Bolsonaro busca o eleitorado da esquerda”, avalia cientista política

Mais de 100 mil mortos por coronavírus e uma popularidade recorde. A última pesquisa Datafolha para medir o apoio ao presidente Jair Bolsonaro indicou que ele desfruta da maior aprovação desde que assumiu o Planalto: 37% dos consultados consideram o governo bom ou ótimo. A prorrogação da ajuda emergencial para a população mais vulnerável face à crise do coronavírus foi determinante para a alta de 5%, em relação à pesquisa anterior, de julho.

“Ele está tomando as bandeiras e buscando o eleitorado da esquerda, com redistribuição de renda e cuidado dos pobres. As bandeiras da soberania, do nacionalismo, do desenvolvimento nacional, que são da esquerda, estão sendo assumidas progressivamente por ele e a esquerda está desamparada, não encontra o seu próprio discurso”, afirma a cientista política Sônia Fleury, do Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz.

O auxílio emergencial de R$ 600 chegou a uma população de 66 milhões de pessoas, das quais a maioria recebia valores bastante inferiores com o Bolsa Família e outros programas assistenciais. A ajuda, num momento de crise econômica inédita causada pela pandemia, fez despencar a rejeição a Bolsonaro no Nordeste – de 52% para 35%.

“Foi não só uma ajuda aos pobres, como um auxílio para a economia, que começou a voltar a girar, principalmente o varejo”, observa a ex-professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) por mais de 30 anos.

Favelas desassistidas abrem caminho para aumento da aprovação

Fleury é uma das fundadoras da plataforma Dicionário de Favelas Marielle Franco, que reúne dados sobre as comunidades e periferias no Brasil. Ela frisa que, atualmente, a população pobre, negra e das favelas é a mais contaminada pela Covid-19. Mesmo assim, até hoje não contou com uma política sanitária específica de combate à doença.

“Quem pensou em política pública para essas populações foi a própria comunidade. Os governadores e outras autoridades proibiram as pessoas de sair de casa, mas não tinham dinheiro para dar – afinal, quem tinha era o governo federal – e não cuidaram do que podia ser feito”, diz Fleury. ” Acho que isso faz com que o Bolsonaro apareça como o único que fez alguma coisa para os pobres – quando, na realidade, ele é uma pessoa que os despreza totalmente.”

Maior índice de rejeição desde Collor

A cientista política ressalta ainda que outros fatores contribuíram para a recuperação da imagem do presidente junto à elite brasileira, apesar da gestão caótica da pandemia. Depois de aprofundar os enfrentamentos com o Supremo Tribunal Federal (STF) e não esconder a possibilidade de um golpe, Bolsonaro mudou de estratégia para afastar a possibilidade de um eventual impeachment.

“Ele deixou de enfrentar os poderes, fez um acordo com o chamado Centrão e começou a minimizar as tensões. A classe média alta via com preocupação a possibilidade de um golpe”, avalia a pesquisadora. ”É assustador, mas é importante dizer que ele também é o presidente com maior índice rejeição desde o Collor. A maioria da população não o aceita como bom nem ótimo”, frisa Fleury.

Por Lúcia Müzell, na RFI.

Bolsonaro sente o ‘bafo quente’ de Moro na nuca, diz Paraná Pesquisas

A Paraná Pesquisas afirma que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já pode sentir o bafo quente do ex-juiz Sérgio Moro na nuca.

Segundo o instituto, 78,1% dos brasileiros são favoráveis à continuidade do trabalho da Operação Lava Jato em Curitiba.

Para 48,9%, o trabalho da força-tarefa é bom ou ótimo e 20,8% consideram a ação da Lava Jato como ruim ou péssima.

Mas nem tudo é desgraça para Bolsonaro. 39,6% acreditam que o governo atual fez mais que os anteriores no combate à corrupção. Um terço acha que está sendo igual e 25% que fez menos que gestões anteriores.

De acordo com a Paraná Pesquisas, 35,4% acreditam que o governo Jair Bolsonaro não melhorou o ambiente político para os trabalhos da Operação Lava Jato. 27,9% apontam piora e apenas 30,1% veem melhora de ambiente para a força-tarefa.

O presidente Jair Bolsonaro e os partidos de oposição, capitaneados pelo PT, consideram a força-tarefa Lava Jato um “partido político” que visa chegar ao poder.

Os principais beneficiários das ações políticas da República de Curitiba, segundo petistas e governo, são Moro e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa em Curitiba.

A seguir, leia a íntegra da pesquisa:

Como o Sr(a) avalia o trabalho da Operação Lava Jato até agora entre ótimo, bom regular, ruim ou péssimo?

  • Ótimo – 19,1%
  • Bom – 29,8%
  • Regular – 24,7%
  • Ruim – 7,3%
  • Péssimo – 13,5%
  • Não sabe/ não opinou – 5,6%

O Sr(a) é a favor ou contra a continuidade do trabalho da Operação Lava Jato em Curitiba?

  • A favor – 78,1%
  • Contra – 15,8%
  • Não sabe/ não opinou – 6,1%

Em relação ao combate à corrupção, o Sr(a) acredita que o Governo Bolsonaro fez mais, igual ou fez menos que os Governos anteriores?

  • Fez mais que os Governos anteriores – 39,6%
  • Fez igual aos Governos anteriores – 29,8%
  • Fez menos que os Governos anteriores – 25,0%
  • Não sabe/ não opinou – 5,6%

O Sr(a) acredita que o Governo Jair Bolsonaro melhorou, não melhorou nem piorou ou piorou o ambiente político para os trabalhos da Operação Lava Jato?

  • Melhorou o ambiente político para os trabalhos da Operação Lava Jato – 30,1%
  • Não melhorou, nem piorou o ambiente político para os trabalhos da Operação Lava Jato – 35,4%
  • Piorou o ambiente político para os trabalhos da Operação Lava Jato – 27,9%
  • Não sabe/ não opinou – 6,6%

A Paraná Pesquisas entrevistou 2.260 eleitores brasileiros de 26 estados e o Distrito Federal entre os dia 11 e 15 de agosto. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos.