‘Uma morte, uma loja virtual’

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), pelo Twitter, abriu fogo contra a manchete do Estadão nesta sexta-feira (5).

Segundo a parlamentar petista, o jornalão paulistano mostrou não possuir nenhuma empatia ou respeito com as vítimas de coronavírus no País.

“Só falta do Estadão ter como manchete de capa “para cada morte uma nova loja virtual!”, criticou. “Que sem noção, sem empatia, sem respeito.”

A capa do Estadão traz: “Comércio eletrônico ganha uma loja virtual por minuto no Brasil.”

A indignação de Maria do Rosário ocorre porque, no Brasil, morreu ontem (4) uma pessoa por minuto por complicações do coronavírus.

O País soma 34 mil mortes e 618 mil casos confirmados na manhã de hoje, segundo governos estaduais e o Ministério da Saúde.

Com 1.473 mortes em apenas um dia, o Brasil é 3º do mundo com mais óbitos.

Por trás da perversidade da manchete do Estadão tem o discurso da reestruturação do capital e do mundo do trabalho, ou seja, que as lojas virtuais substituirão o emprego formal. A exemplo da “urberização”, todas as pessoas terão a oportunidade de virarem um “empreendedor” no pós-pandemia.

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Supremo deve manter inquérito das fake news após manifestação do PGR

Após o procurador-geral da República, Augusto Aras, reconhecer que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido alvo de ataques criminosos que vão além da liberdade de expressão prevista na Constituição, a corte confirma que irá julgar em plenário a ação da Rede que pede o arquivamento do inquérito sobre as fake news por vício formal.

“O Supremo Tribunal Federal tem sido alvo de uma campanha difamatória. Temos visto manifestações que transbordam dos limites da liberdade de expressão para não só veicular notícias falsas (fake news), mas perpetrar crimes, sobretudo contra a honra da Suprema Corte e de seus integrantes”, manifestou-se ontem (4) o PGR.

Os ministros do STF debaterão o caso das fake news na próxima quarta-feira, dia 10, no plenário virtual em virtude do isolamento social determinado pela pandemia de coronavírus.

A tendência é que o Supremo mantenha aberto o inquérito das fake news, que é relatado na corte pelo ministro Alexandre de Moraes. A maioria dos 11 magistrados considera que o procedimento deve continuar porque é legítimo.

O STF mira parlamentares e blogueiros de extrema direita que compõem o chamado “gabinete do ódio”, que, segundo a CPMI das Fake News, funciona em um bunker do Palácio do Planalto e é financiado pelo erário para atacar adversários políticos e ideológicos do presidente Jair Bolsonaro.

O Supremo Tribunal Federal já determinou que prestassem depoimento os seguintes deputados federais:

  • Bia Kicis (PSL-DF);
  • Carla Zambelli (PSL-SP);
  • Daniel Silveira (PSL-RJ);
  • Filipe Barros (PSL-PR);
  • Luiz Phillipe Orleans e Bragança (PSL-SP); e
  • Cabo Junio Amaral (PSL-MG).

Também foi levado a depor “sob vara” o ministro da Educação, Abraham Weitraub, apontado no inquérito como o sujeito que articula as campanha difamatórias nas redes sociais. Na famigerada reunião ministerial de 22 de abril, por exemplo, o ministro aparece no vídeo xingando de “vagabundos” e defendendo a prisão dos ministros do STF.

Abatido pelos ataques de dentro e de fora do governo, Weintraub apareceu em público ontem abatido e envelhecido. Muitos palacianos acreditam que ele irá jogar a tolha a qualquer motivo, qual seja, se demitirá do MEC. Na saída de um depoimento à Polícia Federal, carregado por bolsominions, o ainda ministro fez uma ode à liberdade de expressão.

Além da ação da Rede, impetrada em março, o Supremo também julgará um pedido de habeas corpus do ministro Abraham Weintraub pendido a suspensão do inquérito das fake news.