Secom de Bolsonaro faz campanha usando o símbolo dos Estados Unidos

Publicado em 5 maio, 2020

O fetiche pelo “Tio Sam” continua em alta no governo Bolsonaro. Depois do presidente posar para fotos em frente a uma bandeira dos Estados Unidos, agora a Secretaria de Comunicação lança uma campanha usando o símbolo dos EUA, o “Tio Sam”.

A Secom escreveu: “O Governo retirou o sigilo bancário das operações envolvendo recursos públicos federais, inclusive em transações com estados, municípios e instâncias da administração federal. A medida vale desde abril de 2019, e pode ajudar muito neste momento de combate ao #coronavírus

O “Tio Sam” é a personificação nacional mais conhecida dos Estados Unidos. O nome surgiu das inicias dos “United Estates”, “US” ou Uncle Sam – Tio Sam em português.

O governo Brasileiro usar esse símbolo chega a ser um escárnio. Não adianta pintar o “Tio Sam” de verde e amarelo.

Acima, o presidente posa para foto em frente a bandeira dos EUA na manifestação de domingo.

Bolsonaro lidera manifestação antidemocrática em Brasília, ignorando perigo de contágio por coronavírus

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) retomou a ofensiva antidemocrática neste domingo (3) ao participar de manifestação, em Brasília, com ataques ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à imprensa. Durante o protesto chapa-branca, em frente ao Palácio do Planalto, repórteres do Estadão, Folha, Poder 360 e Globo foram agredidos pela horda bolsonarista.

Bolsonaro liderou hoje mais uma jornada antidemocrática reunindo perigosamente centenas de pessoas, ignorando as recomendações das autoridades sanitárias de evitar aglomerações enquanto durar a pandemia de coronavírus.

O Brasil tem 101 mil casos confirmados de coronavírus e 7.025 mortes, segundo o Ministério da Saúde.

“Bolsonaro e seus apoiadores debocham das vítimas do coronavírus e da democracia brasileira”, criticou a presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). “Merecem repúdio de todos que queremos um país melhor e livre do autoritarismo e do ódio”, disse.

Gleisi usou o Twitter para mandar mais um recado para Bolsonaro: “Saia você e todo seu governo nefasto. Queremos você Fora!”

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como já anotado antes aqui no Blog do Esmael, soltou uma “notinha de repúdio” às agressões bolsonaristas.

“Ontem enfermeiras ameaçadas. Hoje jornalistas agredidos. Amanhã qualquer um que se opõe à visão de mundo deles. Cabe às instituições democráticas impor a ordem legal a esse grupo que confunde fazer política com tocar o terror”, tuitou o Botafogo.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, disse que a agressão a cada jornalista é agressão à liberdade de expressão e agressão à própria democracia. “Isso precisa ficar bem claro e tem que ser claramente repudiado.”

“Bolsonaro diz que quer um governo ‘sem interferências’, ou seja, uma ditadura. É da essência da tripartição funcional do Estado que os Poderes interfiram uns nos outros. Na verdade, Bolsonaro está com medo da delação de Moro e de ser obrigado a mostrar o exame do coronavírus”, afirmou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, também se manifestou acerca da participação e ataques de Bolsonaro à democracia.

“Os limites que existem são os da Constituição, e valem para todos, inclusive e sobretudo para o presidente. A única paciência que chegou ao fim, legitimamente e com razão, é a paciência da sociedade com um governante que negligencia suas obrigações, incita o caos e a desordem, em meio a uma crise sanitária e econômica.”

LEIA TAMBÉM
Bolsonarista que agrediu enfermeiras trabalha no ministério de Damares

Com medo de ‘patrulha’, Regina Duarte não fala da morte de Aldir Blanc

Frota diz que cansou de defender Maia

Barracas do Véio da Havan no acampamento pró-Bolsonaro em Brasília

Bolsonaro vai nomear novo diretor-geral da PF nesta segunda-feira

O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo (3) que amanhã, segunda-feira (4), irá nomear o novo diretor-geral da Polícia Federal. Sem citar nome do futuro comandante do órgão, o presidente afirmou que “chegou no limite” e “daqui para frente não tem mais conversa” e a Constituição “será cumprida a qualquer preço”.

Bolsonaro ficou irritado a semana inteira por causa da decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a PF. Até agora, a Polícia Federal segue com a estrutura antiga.

“Vocês sabem que o povo está conosco, as forças armadas ao lado da lei, da ordem, da democracia, liberdade também estão ao nosso lado. Vamos tocar o barco, peço a Deus que não tenhamos problema nessa semana, porque chegamos no limite, não tem mais conversa, daqui para frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição, ela será cumprida a qualquer preço. Amanhã nomeados novo diretor da PF, e o Brasil segue seu rumo”, afirmou em discurso publicado nas suas redes sociais.

Parte da Praça dos Três Poderes, em Brasília, foi tomada hoje por manifestantes pró-Bolsonaro. Eles acamparam em frente ao Congresso Nacional e, nesta tarde, se deslocara até o Palácio do Planalto, de onde o presidente da República os saudou.

Jair Bolsonaro recebeu a manifestação de apoio algumas horas depois de o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, depor na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. Após 8 horas de interrogatório, o ex-juiz teria entregado áudios e mensagens que comprovariam a tentativa de interferência do presidente nas investigações da PF e do Supremo Tribunal Federal.

Apesar de as barracas serem padronizadas [Made in Véio da Havan], Bolsonaro jurou que a manifestação organizada em Brasília foi espontânea, com chefes de família, “pela governabilidade, democracia e liberdade”. Ele disse ainda que tem o povo ao seu lado e as Forças Armadas ao lado do povo pela “lei, ordem, democracia e liberdade.

Bolsonaro voltou a defender a volta ao trabalho e criticou governadores e prefeitos que estariam, de forma irresponsável, destruindo empregos. “Brasil como um todo reclama volta ao trabalho, essa distribuição de empregos irresponsável por parte de alguns governadores é inadmissível, o preço será muito alto na frente, desemprego, miséria”, afirmou.

Para o presidente Jair Bolsonaro, “o País de forma altiva vai enfrentar seus problemas, sabemos do efeito do vírus, mas infelizmente muitos serão infectados, infelizmente muitos perderão suas vidas também, mas é uma realidade, e nós temos que enfrentar. Não podemos fazer com o que o efeito colateral do tratamento do combate ao vírus, seja mais danoso que o próprio vírus”.