Barracas do Véio da Havan no acampamento pró-Bolsonaro em Brasília

A diligente Maria Bopp, atriz e blogueirinha do fim do mundo, viu semelhanças entre as barracas vendidas pelo “Véio da Havan” e as que estão sendo usadas no acampamento de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em Brasília.

A deputada Bia Kicis (PSL-DF) postou fotos de um acampamento “espontâneo” em frente ao Congresso Nacional.

“É o povo na rua. Sem líderes, sem movimentos, só o povo mesmo, aquele de quem emana todo o Poder, segundo a Constituição que tantos estão a rasgar”, escreveu a parlamentar bolsonarista.

Ocorre que Maria Bopp descobriu que o acampamento não é tão espontâneo, assim, como disse a deputada do DF. Muito pelo contrário.

“Ah, esse movimento popular sem líderes que compra barracas iguais coincidentemente vendidas nas lojas Havan”, escreveu a blogueirinha do fim do mundo. “Essa bela sincronia do povo brasileiro”, ironizou, comparando as fotos das barracas vendidas pelo Véio da Havan com as instaladas na Praça dos Três Poderes.

Dificilmente o “povo”, espontaneamente, iria comprar a mesma barraca em um mesmo lugar –se é que o leitor me entender.

O acampamento no DF ocorre no contexto de acossamento do presidente Jair Bolsonaro, que se vê ameaçado com a delação do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, e insistentes pedidos de impeachment no Congresso Nacional.

Quanto às barracas compradas na Havan, bem, o Véio da Havan possivelmente chifrou o ex-ministro Moro.

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Moro no Fantástico

Aumentam as apostas de que o ex-ministro Sérgio Moro reservou para o programa Fantástico, da Globo, a “bomba” contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Numa entrevista à Veja, esta semana, o ex-ministro disse ter provas de que o ex-chefe tentou interferir em investigações da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.

Após depoimento de mais de 8 horas, na Polícia Federal de Curitiba, em inquérito aberto a pedido da PGR, Moro ainda não falou com a imprensa e ele deve estar com tremedeira por causa dessa abstinência.

Até agora, o ex-ministro só escreveu um lacônico Twitter: “Há lealdades maiores do que as pessoais”.

Sempre foi uma praxe do ex-juiz da Lava Jato vazar seletivamente informações para a velha mídia, que vestiu sua camisa nos últimos seis anos. Possivelmente, Sergio Moro usara desse mesmo expediente para atingir Bolsonaro –seu hipotético adversário eleitoral em 2022.

Para o advogado Wadih Damous, ex-deputado e ex-presidente da OAB do Rio, acerca do depoimento, disse que “ou dali sai uma bomba nuclear que leva Bolsonaro e seu governo de roldão ou a montanha terá parido um rato”.

“Aliás, se ex-juiz tinha tantas provas por que não denunciou o seu ex-chefe a tempo e a hora? Prevaricou. E mostrou ser mau caráter”, disparou Damous.

Aparecendo ou não no Fantástico, na noite deste domingo (3), Sérgio Moro já está em franca campanha. O ex-ministro e ex-juiz espalhou outdoors pela cidade de Curitiba, com sua foto, dizendo “Faça a coisa certa, sempre!”. A peça publicitária é “assinada” pelas hashtags #somostodossergiomoro #somostodoslavajato e pelos movimentos fake “Vem Pra Rua” e “Lava Togas”.

Moro tenta se explicar pelo Twitter

lvo de protestos durante seu depoimento na PF, em Curitiba, o ex-ministro Sérgio Moro tentou explicar “telegraficamente” sua delação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Há lealdades maiores do que as pessoais”, escreveu no Twitter neste domingo (3).

O ex-ministro da Justiça foi chamado de “Judas” por Bolsonaro e correligionários do presidente da República xingam o ex-juiz da Lava Jato de “traída” –dentre outros adjetivos mais chulos e impublicáveis.

Na mensagem concisa na rede social, Sérgio Moro não explicou a presença do advogado Rodrigo Sanchez Ríos, que o acompanhou no depoimento de mais de 8 horas na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba.

Sanchez Ríos foi o mesmo advogado que defendeu Marcelo Odebrecht das acusações do ex-juiz Moro na Lava Jato. O causídico foi quem preparou os termos da delação premiada do empreiteiro.

A respeito disso, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) vem retuitando informações sobre essa “relação perigosa” entre Moro e o defensor de Odebrecht.

“O advogado do Sérgio Mentiroso é o mesmo da Odebrecht. Esse é o tweet. Kkkk”, reverberou o filho do presidente Jair Bolsonaro, tido como chefe do “gabinete do ódio” no Palácio do Planalto.

Após 8h, termina o depoimento de Sérgio Moro à Polícia Federal

O ex-ministro Sérgio Moro terminou seu depoimento à Polícia Federal de Curitiba, neste sábado (2), por volta das 22 horas. Ele chegou ao local por volta das 14 horas.

O inquérito foi aberto a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, que destacou três procuradores de Brasília –João Paulo Lordelo Guimarães Tavares, Antonio Morimoto e Hebert Reis Mesquita — para acompanharem o depoimento do ex-ministro da Justiça.

Numa coletiva de despedida do governo, Moro acusou na semana passada o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir nas investigações da PF e do Supremo Tribunal Federal.

O inquérito foi autorizado pelo ministro do STF Celso de Mello, que deu cinco dias para que Moro fosse ouvido.

O ex-ministro Sérgio Moro estava acompanhado do advogado Rodrigo Sanchez Ríos, o mesmo que defendeu Marcelo Odebrecht das acusações do ex-juiz Moro na Lava Jato.

Em uma entrevista à Veja, o ex-ministro disse que tinha provas de que não mentia sobre a interferência de Bolsonaro nos trabalhos da PF.

Para os bastidores da política, o PGR vai aproveitar o “Caso Moro” para mostrar serviço ao presidente Bolsonaro. Em retribuição, analisam, Aras seria indicado para a vaga do STF em novembro.

Especulação ou não, o fato que o estilo de Moro tem tudo para transformar esse inquérito em uma novela mexicana –chata e longa demais.

Quanto ao depoimento de hoje, como era esperado, terminou em pizza. O alimento foi pedido uma hora antes do término do interrogatório.

Moro x Bolsonaro é só ‘mimimi’ e nada de concreto

O ex-ministro Sérgio Moro quer transformar sua saída do governo Jair Bolsonaro uma longa e chata novela. Neste sábado (2), em Curitiba, ele deu início ao périplo que tem ‘mimimi’ de sobra e nada de concreto que possa levar à nocaute o presidente da República.

Nós, os paranaenses, já estamos escolados com esse modelo de político. Entre 2016 e 2018, por exemplo, o irmão do senador Alvaro Dias (PODE), o Osmar, ficou dois anos dizendo que havia sido “traído” pelo então governador Beto Richa (PSDB). O tucano, por sua vez, dizia o mesmo, que fora “chifrado” pelo ex-amigo.

A lengalenga entre Richa e Osmar Dias se estendeu até as convenções partidárias de 2018, quando, para surpresa geral, o irmão de Alvaro não concorreu ao governo do Paraná, bagunçou o palanque de Roberto Requião (MDB), e deu a vitória para Ratinho Junior (PSD), aliado de primeira hora do ex-governador tucano.

A escola de Moro é a mesma de Osmar e Alvaro Dias, portanto.

Dito isso, a tendência é que Bolsonaro e Moro fiquem trocando adjetivos em público. Traíra daqui, traíra dali, mas devem ficar mesmo no ‘mimimi’ de sempre. Até porque eles não têm diferença no pensamento sobre economia [se é que pensam alguma coisa]. Ambos só querem se dar bem e defendem ferrar os trabalhadores. Para isso contam com o apoio da velha mídia.

Essa novela chatíssima –Moro x Bolsonaro– pode terminar somente em julho de 2022. O tempo nesse caso é desfavorável ao ex-juiz da Lava Jato, que, pelo retrospecto da história, é candidatíssimo a “Joaquim Barbosa”, que, de herói, caiu no ostracismo absoluto.