Maior e mais representativo pedido de impeachment de Bolsonaro será protocolado nesta quinta

Publicado em 20 maio, 2020

Mais de 400 movimentos sociais e entidades vão protocolar, ao lado de PSOL, PT e PCB, o maior e mais representativo pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (21).

Um ato público será realizado às 11h na Câmara dos Deputados para apresentar os principais apoios e argumentos ao pedido de impeachment popular.

Os três partidos que apresentam a ação seguem buscando o apoio dos demais partidos de oposição para se somarem à iniciativa mais expressiva até o momento para colocar um ponto final no desastroso governo Bolsonaro.

Entre os movimentos que assinam o pedido estão o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Central de Movimentos Populares (CMP), Movimento Negro Unificado (MNU), Associação Brasileira de Travestis e Transexuais (ANTRA), os Policiais Antifascismo e as Católicas pelo Direito de Decidir (veja a lista com mais movimentos no final da matéria).

A lista de crimes e ilegalidades cometidas por Jair Bolsonaro e que são usadas no pedido de impeachment popular é extensa.

Entre os crimes estão a convocação e comparecimento nos atos contra a democracia e pelo fechamento do Congresso e do STF, a interferência nas investigações da Polícia Federal no Rio de Janeiro, a falsificação da assinatura de Sérgio Moro na exoneração de Maurício Valeixo do comando da PF e as declarações durante a reunião ministerial de 22 de abril.

Também estão na argumentação do pedido de impeachment os seus discursos atentando contra o Supremo Tribunal Federal, a convocação de empresários para a “guerra” contra governadores no meio da pandemia, o bloqueio da compra de respiradores e outros equipamentos de saúde por estados e municípios, o apoio à milícia paramilitar conhecido como “Acampamento dos 300”, a incitação de uma sublevação das Forças Armadas contra a democracia brasileira, além de seus pronunciamentos e atos durante a pandemia que configuram crimes contra a saúde pública.

É uma longa lista de crimes contra o livre exercício dos poderes constitucionais, contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, contra a segurança interna do país e contra a probidade administrativa.

“A construção de um pedido de impeachment que reúne partidos de oposição e movimentos sociais é muito simbólica. Primeiro, pela unidade de vários partidos; segundo, pela adesão de mais de 400 entidades e movimentos sociais. Foi para isso que o PSOL lutou: unir todos pelo impeachment de Bolsonaro”, afirma Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL.

“Este pedido de impeachment não é mais um dos 30 que estão acumulados na Câmara. É o pedido mais amplo de todos que foram feitos até agora. Uma iniciativa de centenas de movimentos sociais, organizações comunitárias, de luta por moradia, movimento negro, feminista”, aponta Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST, que assina o pedido, e ex-candidato a presidente pelo PSOL.

“É o primeiro pedido de impeachment suprapartidário, não de apenas um partido ou parlamentar. Isso aumentará – e muito – o caldo de pressão sobre o Rodrigo Maia para que ele abra o processo de impeachment contra Bolsonaro”, conclui Boulos.

“O fortalecimento do pedido de impeachment de Bolsonaro só mostra que, mesmo nesse momento difícil da nossa história, em que o Brasil passa de 18 mil mortes por coronavírus, essa é uma medida sanitária emergencial para salvar vidas”, aponta Fernanda Melchionna, líder da bancada do PSOL na Câmara.

“Um governo não cai de podre, é preciso derrotá-lo. Tenho defendido a mais ampla unidade de ação para derrotar o negacionismo e o autoritarismo de Bolsonaro, inclusive com articulação internacional, daqueles comprometidos com a luta antifascista”, alerta a deputada.

Veja a lista de alguns dos mais de 400 movimentos sociais e entidades que apresentam este pedido de impeachment popular:

Frente Povo Sem Medo
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)
MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
CMP – Central de Movimentos Populares
INTERSINDICAL – Central da Classe Trabalhadora
Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT)
MNU – Movimento Negro Unificado
Associação Brasileira de Travestis e Transexuais — ANTRA
Movimento Nacional Policiais Antifascismo
MLB – Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas
Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR)
MNLM – Movimento Nacional de Luta por Moradia
UNMP – União Nacional por Moradia Popular
Católicas Pelo Direito de Decidir
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
Evangélicas pela Igualdade de Gênero
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC
Andes – Sindicato Nacional
Fasubra
Associação Brasileira de Agroecologia
Associacao Brasileira de Economistas pela Democracia – ABED
Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho – SBPOT
Associação Nacional de Psicologia Social – ABRAPSO
Centro Brasileiro de Estudos da Saúde – Cebes
Fenasps – Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social
Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal – Condsef/CUT
Conselho Federal de Serviço Social (CFESS)
Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Fundação Oswaldo Cruz – ASFOC Sindicato Nacional

As informações são do PSOL.

Avaliação negativa do governo Bolsonaro vai a 50% e atinge novo recorde, diz XP/Ipespe

A avaliação ruim ou péssima do governo do presidente Jair Bolsonaro oscilou 1 ponto percentual para cima e atingiu a marca de 50%, um novo recorde registrado em levantamento do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) para a XP Investimentos, mostraram os números da pesquisa divulgados nesta quarta-feira.

De acordo com a sondagem, aqueles que consideram a gestão Bolsonaro ruim ou péssima foram de 49% no levantamento de 30 de abril para 50% agora. O percentual dos que consideram o governo ótimo ou bom foi de 27% na sondagem anterior para 25%, e o dos que consideram a gestão regular oscilou 1 ponto percentual para baixo, agora com 23%, ao passo que 2% não responderam, contra 1% na pesquisa anterior.

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A pesquisa, realizada entre os dias 16 e 18 de maio, também apontou uma oscilação para cima na expectativa negativa para o restante do mandato de Bolsonaro, com 48% de ruim ou péssimo contra 46% no levantamento anterior. Os que acreditam que o restante da gestão será ótima ou boa são 27%, ante 30%, e os que apostam que será regular são 19%, ante 18%. O percentual dos que não responderam oscilou para 7%.

O levantamento ouviu 1 mil pessoas e tem margem de erro de 3,2 pontos percentuais.

A pesquisa também avaliou a gestão de Bolsonaro no enfrentamento ao coronavírus, e mostrou que o percentual dos que a veem como ruim ou péssima subiu de 54% para 58%, ao mesmo tempo em que a avaliação ótima ou boa oscilou de 23% para 21%.

O número dos que consideram a atuação do presidente como regular oscilou de 22% na sondagem de fim de abril para 19% para o mais recente dado.

A avaliação negativa do presidente é a pior entre todas as autoridades e instituições citadas. O Congresso Nacional, por exemplo, tem atuação vista como ruim ou péssima por 39% dos entrevistados, 40% consideram regular e outros 15% dizem ser ótima ou boa.

Para 54% dos entrevistados, a saída do ex-ministro da Saúde Nelson Teich tem impacto negativo. Outros 31% dizem não ter impacto para o país e ainda para 6% consideram ter impacto positivo.

Ao todo, 57% dos entrevistados dizem que o isolamento social deve durar até que o risco do novo coronavírus seja pequeno. Outros 14% consideram que deve durar até o final de maio; 11% até o final de junho; e outros 11% até o final de julho.

Confira a íntegra da pesquisa:

Pesquisa XP_ 2020_05

Reportagem de Ricardo Brito, na Reuters.