Primeiro de Maio dos “traidores”?

Publicado em 2 maio, 2018
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O jornalista Ricardo Cappelli repercute os apupos ao ex-ministro Aldo Rebelo e a declaração do ex-ministro Jaques Wagner, segundo qual é hora do PT ceder a “precedência” apoiando candidatura de outra legenda. Para o articulista, Wagner e Aldo saem deste Primeiro de Maio como candidatos a “novos traidores”. E pergunta: são eles os “Judas” do momento?

“Todas as pesquisas indicam que, unida, a esquerda vai ao segundo turno. Separados e isolados, o risco de um desastre e de uma disputa entre a direita e a extrema direita é enorme”, adverte Cappelli.

Primeiro de Maio dos “traidores”?

Ricardo Cappelli*

Jaques Wagner e Aldo Rebelo, dois ex-ministros dos governos Lula e Dilma, foram os personagens das comemorações do dia do trabalho. O povo poderia ter sido outro mas, infelizmente, novamente não apareceu.

O maior ato realizado foi mais uma vez o “bingão show” da Força Sindical em São Paulo. Sorteio de carros e a presença de artistas famosos marcaram o evento. Protestos aconteceram também em outras capitais com a presença da aguerrida militância de esquerda.

Em Curitiba, um belo ato de solidariedade ao ex-presidente Lula comandado pelo PT. Apesar de atravessarmos uma das maiores crises de desemprego de nossa história, sua excelência, o povo, parece olhar tudo de longe assustado.

Aldo Rebelo, pré-candidato a presidente pelo Solidariedade, esteve presente nos atos e foi à capital paranaense dar seu apoio a Lula. Recebido com vaias estrondosas, foi praticamente impedido de falar pela militância petista.

O ex-comunista e ex-socialista relâmpago foi ao ato sabendo o risco que corria. Sem fazer juízo de valor de sua opção partidária recente, o fato objetivo é que demonstrou coragem e levou a Força Sindical, base de sua pré-candidatura, ao evento.

Levou solidariedade e foi vaiado. A militância presente aplaudiu apenas PT, PCdoB e PSOL.

O que Ciro, o PDT e o PSB leram das vaias? Como setores do centro democrático, nacionalistas e desenvolvimentistas vão interpretar este ato de hostilidade? Haddad, Manuela e Boulos nos bastam?

Jaques Wagner deu, no mesmo primeiro de maio, uma entrevista importante onde explica em parte o que ocorreu. Maduro, equilibrado e com visão larga, o ex-governador da Bahia proclama que é “hora do PT ceder a precedência. Ninguém fica 30 anos no poder.”

Reconhece que o momento é de muita dificuldade, que não é hora de abandonar Lula e que seu partido está numa enorme defensiva. Diz que esta situação torna delicado o debate de alternativas. Exclui seu nome e defende que a candidatura do ex-presidente seja levada ao limite.

Inabilitado o ex-presidente pela justiça, defende que o PT seja construtor da unidade do campo progressista e apóie um candidato de outra legenda. Não descarta que o partido indique a vice de Ciro Gomes e nem mesmo Joaquim Barbosa como alternativa.

Todas as pesquisas indicam que, unida, a esquerda vai ao segundo turno. Separados e isolados, o risco de um desastre e de uma disputa entre a direita e a extrema direita é enorme.

As pesquisas indicam que Lula venceria no primeiro turno. Os mesmo levantamentos mostram que um plano B do PT tem chances mínimas de vitória.

Não há dúvida que Lula é o principal cabo eleitoral do pleito. Para que o ex-presidente saia da cadeia, uma vitória do campo popular e democrático é essencial. Qual a melhor forma de alcançar este objetivo?

Não se trata de defender Ciro, Joaquim, Manuela ou qualquer outro nome. Precisamos reconhecer a importância estratégica da unidade do campo progressista, popular, democrático e nacional neste momento tão conturbado de nossa história.

Wagner e Aldo saem deste primeiro de maio como candidatos a “novos traidores”. São eles os “Judas” do momento?

Os verdadeiros traidores são os que, com bravatas infantis e discursos esquerdistas irresponsáveis, conduzem a militância para o isolamento, para o beco sem saída pensando apenas em seus interesses particulares, encurralamento onde o povo será facilmente cercado e esmagado.

Prestem atenção nos movimentos. Nem tudo é o que lhe parece. A unidade é o único caminho para tirar o Brasil da atual situação. Quem são os verdadeiros traidores? Perceber quem está contra a unidade é um bom caminho para encontrar esta resposta.

*Ricardo Cappelli é jornalista e secretário de estado do Maranhão, cujo governo representa em Brasília. Foi presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) na gestão 1997-1999.

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