O presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, desembarcou em Londres sob forte pressão internacional para aceitar concessões territoriais exigidas por Washington e discutidas pelo Kremlin, enquanto tenta garantir que qualquer acordo de paz não transforme o país em alvo recorrente de futuras ofensivas russas. Ele se reúne com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o presidente Emmanuel Macron (França) e o chanceler Friedrich Merz (Alemanha) num esforço urgente para recolocar Kiev no centro das decisões que determinarão o desfecho da guerra.
O encontro ocorre após três dias de negociações inconclusivas entre delegados dos Estados Unidos e da Ucrânia na Flórida. O presidente americano Donald Trump afirmou estar “decepcionado” porque Zelensky ainda não teria lido o plano de paz elaborado pela Casa Branca, declaração interpretada por diplomatas como tentativa de pressionar Kiev sem provocar reação imediata de Moscou. O Kremlin, por meio do porta-voz Dmitry Peskov, afirmou aguardar “resultados concretos” do trabalho conduzido por Steve Witkoff e Jared Kushner após conversas com negociadores ucranianos liderados por Rustam Umerov.
A questão territorial segue como o ponto mais sensível. Zelensky diz que “não há visão unificada” sobre o Donbas e reforça que Ucrânia, Estados Unidos e Rússia divergem profundamente sobre o desenho de um acordo. Kiev exige garantias de segurança sólidas, sobretudo dos EUA, para evitar que um tratado mal costurado deixe o país vulnerável a novas ofensivas russas. Washington pressiona por avanços rápidos, enquanto a Ucrânia evita compromissos que comprometam sua integridade territorial.
A Europa tenta impedir que a diplomacia vire uma disputa de força entre Trump e Putin. Macron e Merz trabalham para preservar a unidade continental diante de um eventual pacto assimétrico, enquanto Starmer busca recolocar Londres como polo decisório da segurança europeia. Após o encontro em Downing Street, Zelensky segue para Bruxelas e Roma numa rodada intensa de articulações diplomáticas.
Em paralelo, a União Europeia reagiu às críticas de Elon Musk, que chamou o bloco de “monstro burocrático” e defendeu sua abolição depois de a plataforma X receber multa de R$ 800 milhões. Porta-vozes da Comissão afirmaram que a liberdade de expressão “permite declarações absurdas”, mas ressaltaram que sanções decorrem de violações legais, não de divergências ideológicas. Além disso, sete países da UE defendem a criação de um empréstimo de reparações à Ucrânia baseado em ativos russos congelados, proposta enfrentada pela resistência da Bélgica.
No campo militar, a guerra não dá trégua. O Ministério da Defesa russo informou ter abatido 67 drones ucranianos durante a madrugada em várias regiões, reforçando que o conflito segue em alta intensidade apesar da dança diplomática.
O tabuleiro geopolítico está em plena reconfiguração. Trump quer encerrar a guerra sob sua assinatura. A Europa tenta sobreviver à pressão externa e manter coesão interna. Putin busca consolidar ganhos territoriais. A Ucrânia tenta evitar ser empurrada para um acordo que sacrifique sua soberania. Londres dificilmente entregará um acordo imediato, mas redefine o equilíbrio de forças que influenciará o fim da guerra.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




