O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a investigar Marco Buzzi, ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por possíveis irregularidades ligadas à Operação Sisamnes. A decisão amplia a apuração sobre a suspeita de negociação de decisões judiciais para um segundo integrante do STJ, depois de Paulo Dias de Moura Ribeiro.
A decisão foi assinada em maio de 2026, tramita sob sigilo e tornou-se pública nesta sexta-feira, 24 de julho. Zanin acolheu pedido da PF que recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro considerou as diligências “razoáveis e proporcionais” diante da necessidade de verificar possíveis crimes envolvendo autoridade submetida à jurisdição do STF, segundo informações divulgadas sobre o processo.
A investigação não representa condenação nem comprova que Buzzi tenha participado do suposto esquema. Também não há denúncia da PGR contra o ministro nessa frente da Operação Sisamnes.
Os documentos são sigilosos, e o conteúdo integral do pedido da PF, da manifestação da PGR e da decisão de Zanin não está disponível para consulta pública. Por isso, ainda não é possível detalhar todas as diligências autorizadas nem indicar o número do procedimento sem romper o padrão de verificação exigido pelo caso.
As informações publicadas apontam que a PF pretende aprofundar elementos relacionados a familiares de Buzzi encontrados no material apreendido durante a operação. Relatórios anteriores registraram referências à advogada Catarina Buzzi, filha do ministro, em conversas envolvendo empresários e pessoas investigadas.
Uma das mensagens encontradas no celular do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves mencionava uma suposta transferência de R$ 1,12 milhão para contas atribuídas à advogada. Catarina Buzzi negou o recebimento do dinheiro e qualquer atuação em processos relacionados aos personagens investigados.
Em março de 2026, um relatório parcial da PF informou não ter localizado, naquela etapa, indícios de participação de ministros do STJ no esquema. A hipótese considerada era que servidores poderiam ter produzido ou alterado minutas sem o conhecimento dos magistrados. A autorização de Zanin permite aprofundar a apuração, mas não invalida automaticamente aquela conclusão parcial.
A defesa de Marco Buzzi afirmou que o ministro não mantém relação com as atividades profissionais de familiares, declara-se impedido de julgar processos nos quais parentes atuem e desconhece a nova investigação. A nota sustenta ainda que Buzzi não teria sido informado de sua inclusão como investigado.
Paulo Dias de Moura Ribeiro é o outro ministro do STJ alcançado pela operação. Zanin autorizou sua investigação em 29 de maio de 2026, depois que a PF apontou a necessidade de examinar dez processos que tramitaram no gabinete do magistrado.
No caso de Moura Ribeiro, os investigadores apuram se decisões judiciais ou informações internas teriam sido antecipadas a pessoas ligadas ao lobista Andreson Gonçalves e à advogada Mirian Ribeiro Gonçalves. O ministro declarou desconhecer a investigação e negou qualquer relação com práticas ilegais.
A Operação Sisamnes começou em novembro de 2024 e investiga suspeitas de corrupção, venda de decisões, vazamento de informações sigilosas e atuação de intermediários no Judiciário. Em maio de 2026, a PGR denunciou nove pessoas, entre advogados, lobistas e ex-servidores. Os dois ministros do STJ não integram essa denúncia.
Não há informação pública que permita afirmar que processos originados no Paraná estejam entre os casos associados a Marco Buzzi ou a Paulo Dias de Moura Ribeiro. O sigilo impede conferir a origem completa das ações examinadas pela PF. Qualquer vinculação com o Paraná, sem acesso aos autos, seria especulativa.
A entrada de dois ministros do STJ no campo formal da apuração amplia a dimensão institucional da Operação Sisamnes. Cabe à PF verificar os indícios, à PGR decidir sobre eventual acusação e ao STF controlar a legalidade das diligências. Antecipar culpa transformaria investigação em sentença.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




