Bastidor projeta secretariado de ex-juiz após Atlas no Paraná
O senador Sergio Moro (PL) abriu larga vantagem sobre o deputado estadual Requião Filho (PDT) e já disparou a velha engrenagem de Curitiba: quando a pesquisa sobe, o secretariado começa a ser desenhado antes da urna. Na AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira (2), Moro marcou 51,5% no principal cenário de primeiro turno, contra 28,4% de Requião Filho.
A mesma AtlasIntel mostra que a polarização já ganhou corpo. Num eventual segundo turno entre os dois, Moro aparece com 58,4% e Requião Filho com 38,7%. O levantamento ouviu 1.254 eleitores do Paraná entre 25 e 30 de março, com margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro PR-00105/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.
Não existe lista oficial anunciada pelo senador. O que corre nos bastidores é uma bolsa de apostas montada sobre vínculos públicos, nomes da Lava Jato, quadros do antigo Ministério da Justiça, equipe atual do Senado e aliados do empresariado conservador. Depois da filiação de Moro ao PL, há poucos dias, a sigla ainda apresentou Deltan Dallagnol como pré-candidato ao Senado e empacotou a composição no Paraná com a etiqueta de “chapa Lava Jato”.

Na comunicação, o nome mais forte é Marcelo Cattani. Ele tocou a campanha de Moro ao Senado em 2022, foi secretário de Comunicação de Curitiba, secretário de governo do Paraná e voltou a ser apontado em 2026 como marqueteiro do projeto estadual. Se o entorno do senador repetir no Palácio Iguaçu a lógica da campanha, Cattani é o encaixe mais natural para a Secretaria da Comunicação.
Na cozinha do poder, a Sanepar aparece colada a Luiz Pontel de Souza, que foi secretário-executivo de Moro no Ministério da Justiça. Na Fazenda, o nome que mais combina com a marca do ex-juiz é Roberto Leonel, ex-chefe do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), indicado por Moro, e egresso da Receita Federal de Curitiba. É o tipo de dupla que o morismo gosta de exibir: centralização administrativa de um lado, controle fiscal e rastreamento do dinheiro de outro.
Na segurança e no controle, o desenho fica ainda mais nítido. Japonês da Federal, ex-agente da Polícia Federal no Paraná, que era símbolo das ações pirotécnicas da Lava Jato. Já Érika Marena, que atuou na Lava Jato e foi indicada por Moro ao Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça, é lembrada para a Controladoria-Geral do Estado ou para alguma engrenagem de integridade.
No turismo, Fábio Aguayo ganhou musculatura. Ele hoje integra o escritório de apoio de Moro no Senado e tem presença antiga no setor de bares, eventos e turismo no Paraná. Por isso, aparece com força para a Secretaria do Turismo ou para a Viaje Paraná, caso o morismo queira um nome com trânsito no trade e em Curitiba.
Nem todo aliado, porém, cabe no primeiro escalão. Deltan foi empurrado para a disputa do Senado, embora esteja inelegível, e o empresário Edson Vasconcelos foi anunciado pelo PL como pré-candidato a vice-governador na chapa de Moro, apesar de o mundo político desconfiar que ele apenas esteja guardando a cadeira, até agosto, para um indicado pelo governador Ratinho Júnior (PSD). Isso comprime o espaço para um secretariado híbrido de eventual governo: metade Lava Jato, metade coalizão conservadora.
O dado político mais forte é outro. A AtlasIntel não apenas pôs Moro na frente. Ela autorizou o lavajatismo a sair da abstração e começar a discutir governo. Quando a disputa entra nessa fase, a pergunta deixa de ser só quem lidera. Passa a ser com quem pretende governar.
A dianteira do ex-juiz empurra o grupo rival para a defensiva e obriga o Paraná a olhar além da fotografia eleitoral. A partir de agora, cada nome que circular para Casa Civil, Fazenda, Segurança, Comunicação ou Turismo será lido como sinal do tipo de governo que Moro pretende montar.

Leia a íntegra do secretaria de Moro
- Casa Civil: Mauro Moraes [forte]
- Casa Militar: Tenente Hélio [média]
- Controladoria-Geral do Estado (CGE): Érika Marena [forte]
- Procuradoria-Geral do Estado (PGE): Carlos Fernando dos Santos Lima [média]
- Secretaria da Administração e da Previdência (SEAP): Januário Paludo [média]
- Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SEAB): Dilvo Grolli [média]
- Secretaria das Cidades (SECID): Guto Silva [média]
- Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI): Fábio Oliveira [média]
- Secretaria da Comunicação (SECOM): Marcelo Cattani [forte]
- Secretaria da Cultura (SEEC): Raimundo Fagner [forte]
- Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (SEDEF): Deltan Dallagnol [média]
- Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (SEDEST): Francisco Simeão [média]
- Secretaria da Educação (SEED): Elizabeth Schimidt [forte]
- Secretaria do Esporte (SEES): Olimpio Araujo Jr [média]
- Secretaria da Fazenda (SEFA): Roberto Leonel [forte]
- Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços (SEIC): Edson Campagnolo [forte]
- Secretaria da Infraestrutura e Logística (SEIL): Adriano Furtado [média]
- Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA): Luciano Benetti Timm [média]
- Secretaria da Justiça e Cidadania (SEJU): Luiz Roberto Beggiora [forte]
- Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (SEMIPI): Aline Sleutjes [forte]
- Secretaria do Planejamento (SEPL): Ricardo Arruda [média]
- Secretaria da Saúde (SESA): Beto Preto [fraca/média]
- Secretaria da Segurança Pública (SESP): Newton Hidenori Ishii, o Japonês da Federal [média]
- Secretaria do Trabalho, Qualificação e Renda (SETR): Edson Vasconcelos [fraca, se não permanecer na vice]
- Secretaria do Turismo (SETU): Fábio Aguayo [forte]
- Superintendências-Gerais: Junior Durski [média]
- Celepar: Luiz Pontel de Souza [média]
- Sanepar: Delegado Tito Barrichello [média]

As apostas mais sólidas são os do núcleo duro lavajatista: Mauro Moraes na Casa Civil, Leonel na Fazenda, Japonês da Federal na Segurança, Beggiora na Justiça, Cattani na Comunicação, Aguayo no Turismo, Marena na Controladoria, além de Carlos Fernando, Elizabeth, Aguayo e Adriano Furtado em áreas estratégicas de governo. Esses nomes têm vínculo público direto com Moro ou com a equipe que ele montou no Ministério da Justiça e no Senado.
Nas pastas mais políticas e de acomodação, nomes da bancada e do entorno empresarial do PL-PR. Ricardo Arruda tem formação em finanças; Edson Campagnolo presidiu a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep); Francisco Simeão já foi secretário da Indústria e Comércio; Aline Sleutjes foi secretária da Mulher, lidando pessoas com deficiência e doenças raras.
Nos casos de Beto Preto, Guto Silva, Deltan Dallagnol e Edson Vasconcelos, a aposta é condicional, porque hoje Barros e Dallagnol foram empacotados para o Senado e Vasconcelos para a vice na chapa de Moro, enquanto Beto Preto e Guto Silva ainda são as armas secretas de Ratinho Júnior. Se essa engenharia eleitoral se mantiver até o fim, essas cadeiras precisariam ser revistas.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.





Você é um gozador, Esmael.
Depois desse anúncio da Sanepar vou começar abrir um poço no meu quintal, já vi que e possível piorar a Sanepar.