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Luis Fernando Verissimo morre aos 88 anos e deixa legado imortal

O escritor Luis Fernando Verissimo morreu neste sábado (30), em Porto Alegre, aos 88 anos, vítima de complicações de uma pneumonia. O cronista, filho do também escritor Érico Verissimo, estava internado desde o dia 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento. A informação foi confirmada por sua esposa, Lúcia Verissimo.

Autor de mais de 70 livros e 5,6 milhões de exemplares vendidos, Verissimo foi um dos escritores mais lidos e amados do Brasil. Criador de personagens icônicos como o Analista de Bagé, a Velhinha de Taubaté e o detetive Ed Mort, tornou-se referência no humor literário e na crônica política, sempre com estilo breve, inteligente e popular.

Publicava regularmente em grandes jornais como Zero Hora, O Globo e O Estado de S. Paulo. Teve suas crônicas adaptadas para a televisão na série Comédias da Vida Privada (Rede Globo, 1994).

Nascido em Porto Alegre, em 26 de setembro de 1936, viveu parte da infância nos Estados Unidos, acompanhando o pai, que lecionava literatura brasileira. Foi redator publicitário antes de estrear como cronista em 1969, em Zero Hora. Seu primeiro livro, O Popular, saiu em 1973.

Aos poucos, consolidou-se como cronista nacional, com tiradas afiadas sobre política, comportamento e futebol. Torcedor apaixonado do Internacional, também foi saxofonista e apaixonado por jazz, integrando o grupo Jazz 6.

Com estilo irônico e coloquial, Verissimo marcou época como crítico da ditadura militar e, depois, como comentarista da redemocratização. Nas colunas, ironizou presidentes de Fernando Collor a Fernando Henrique Cardoso, e manteve simpatia aberta pela esquerda reformista.

No entanto, era avesso aos holofotes: recusava palestras e entrevistas longas, preferindo o texto à fala. A timidez não impediu que se tornasse um dos escritores mais populares do país, lido tanto por acadêmicos quanto por estudantes do ensino médio.

Luis Fernando Verissimo foi muito além do humorista: tornou-se cronista da vida brasileira, com olhar crítico, humano e generoso. Sua morte encerra um ciclo de mais de 50 anos de produção contínua, mas deixa um patrimônio literário que atravessa gerações.

Mais do que números de vendas ou prêmios, sua obra simboliza a democratização da leitura no Brasil. Como filho de Érico Verissimo, manteve viva a tradição literária gaúcha, mas com marca própria: humor, leveza e ironia.

Verissimo nos deixa em tempos de regressão democrática e intolerância. Sua voz fará falta justamente porque ria do poder sem perder a ternura com o povo. Seu legado nos lembra que a crônica, gênero muitas vezes subestimado, é arma poderosa de crítica social e liberdade.

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