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Paraná mantém duelos de 2º turno após liminar do TSE

Levantamento sobre dez pesquisas estaduais divulgadas desde abril mostra que cinco incluíram cenários de segundo turno e cinco não fizeram a simulação. Nos registros comparáveis, nenhum instituto paranaense retirou os confrontos diretos depois da decisão que suspendeu a pesquisa AtlasIntel.

A suspensão de uma pesquisa presidencial da AtlasIntel pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 8 de junho, aumentou a cautela jurídica dos institutos, mas ainda não produziu uma retirada comprovável dos cenários de segundo turno nas pesquisas para o governo do Paraná.

A conferência dos levantamentos estaduais realizados entre 10 de abril e 1º de julho identificou dez pesquisas sobre a sucessão do governador Ratinho Junior (PSD). Cinco apresentaram pelo menos uma simulação de segundo turno. As outras cinco ficaram restritas aos cenários de primeiro turno, rejeição, conhecimento dos nomes ou segunda opção do eleitor.

O dado contraria, no recorte paranaense, a hipótese de que a decisão do TSE já teria eliminado os confrontos diretos dos questionários. Entre os institutos com rodadas sucessivas, não há caso documentado de retirada do segundo turno depois da liminar.

A decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, atingiu a pesquisa AtlasIntel registrada sob o número BR-06939/2026. O Partido Liberal (PL) alegou que perguntas sobre as conversas de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro e a apresentação de material audiovisual poderiam induzir o entrevistado.

A liminar suspendeu a divulgação do levantamento, mas não criou uma regra geral proibindo cenários de segundo turno. O plenário iniciou a análise em 9 de junho, porém o julgamento foi interrompido por pedido de vista da ministra Estela Aranha.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou parecer contrário à suspensão. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, afirmou que a interferência judicial em pesquisas deve ser excepcional e depender de demonstração concreta de quebra da imparcialidade. Para o MPE, perguntas sobre temas políticos sensíveis não constituem irregularidade por si mesmas.

Esse conflito é diferente da disputa judicial sobre quais pré-candidatos devem aparecer em simulações de segundo turno. Reportagem publicada em 3 de julho registrou que alguns institutos passaram a evitar esses confrontos diante de impugnações apresentadas nos tribunais regionais eleitorais. As ações questionam, principalmente, a exclusão de nomes com baixa intenção de voto no primeiro turno.

A reportagem também apontou divergências entre tribunais regionais, sem uma orientação consolidada do TSE. O receio declarado pelos institutos existe, mas não pode ser automaticamente transferido para o Paraná sem a conferência dos questionários.

Das dez pesquisas paranaenses consideradas, incluíram segundo turno a Quaest, com campo entre 21 e 25 de abril; o Instituto IRG, entre 16 e 20 de maio; o Veritá, entre 2 e 6 de junho; uma nova rodada do IRG, entre 10 e 13 de junho; e a Vox Brasil, entre 29 de junho e 1º de julho.

Não apresentaram confrontos de segundo turno as pesquisas do Paraná Pesquisas realizadas em abril, maio e junho, o levantamento da Neokemp no fim de abril e a primeira rodada do Veritá, feita entre 29 de abril e 3 de maio.

A série do Paraná Pesquisas já não incluía segundo turno antes da decisão sobre a AtlasIntel. Portanto, a ausência observada na rodada realizada entre 7 e 9 de junho não pode ser atribuída isoladamente à liminar do TSE.

O movimento do Veritá ocorreu na direção contrária. O relatório de abril e maio tratou do primeiro turno e perguntou qual seria a segunda opção do entrevistado, sem apresentar duelos entre dois candidatos. Na pesquisa seguinte, realizada antes da liminar de 8 de junho, o instituto incorporou várias simulações de segundo turno.

O IRG manteve os confrontos nas duas rodadas comparáveis. Em maio, o instituto simulou Sergio Moro (PL) contra Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD). Na rodada realizada integralmente depois da decisão do TSE, entre 10 e 13 de junho, voltou a testar o segundo turno.

A Vox Brasil também preservou a simulação depois da liminar. A pesquisa PR-09668/2026 confrontou Sergio Moro com Requião Filho, Rafael Greca (MDB) e Sandro Alex. Foram entrevistados 2 mil eleitores, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

O resultado documental é que cinco de dez levantamentos apresentaram segundo turno, mas nenhum instituto com séries comparáveis no Paraná pode ser apontado como responsável por abandonar essas perguntas depois da decisão do TSE. Entre as duas pesquisas cujo trabalho de campo começou após 8 de junho, IRG e Vox Brasil mantiveram os confrontos diretos.

Isso não significa que a judicialização seja irrelevante. Metade das pesquisas realizadas desde abril não ofereceu ao eleitor cenários de segundo turno. A ausência reduz a possibilidade de acompanhar transferência de votos, rejeição e capacidade de crescimento dos candidatos.

Os números disponíveis também mostram por que a comparação exige questionários semelhantes. Na disputa entre Sergio Moro e Sandro Alex, o IRG registrou diferença de 5,1 pontos em maio, com 43,2% contra 38,1%. A Vox Brasil encontrou vantagem de 38,2 pontos em julho, com 52,6% contra 14,4%.

Uma distância tão grande entre pesquisas pode decorrer de momento político, amostragem, método de entrevista, ordem das perguntas, apresentação de apoios ou composição do questionário. Sem repetição regular dos mesmos confrontos, o eleitor não consegue identificar qual fator alterou o resultado.

O debate também atinge Requião Filho e Rafael Greca. Requião aparece com maior frequência nos duelos contra Moro, enquanto Greca recebeu menos testes diretos. Sandro Alex teve resultados profundamente diferentes conforme o instituto e a formulação apresentada ao eleitor.

A fiscalização judicial pode impedir perguntas desequilibradas ou material destinado a direcionar respostas. O risco aparece quando decisões provisórias e divergentes levam institutos a cortar perguntas legítimas apenas para reduzir a possibilidade de contestação.

No Paraná, os documentos disponíveis não sustentam que a liminar contra a AtlasIntel já tenha apagado o segundo turno. Sustentam outra conclusão: a oferta dessa informação sempre foi irregular, variou entre institutos e ainda precisa ser acompanhada pesquisa por pesquisa.

O Blog do Esmael continuará auditando registros, questionários, planos amostrais e relatórios para separar mudança metodológica comprovada de justificativa apresentada depois da divulgação. Compartilhe esta matéria para ampliar a fiscalização pública das pesquisas eleitorais.

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